Num mundo cada vez mais competitivo e exigente, o sentimento de ansiedade vai invadindo a pouco e pouco a nossa vida.
Sem darmos por isso um sentimento perfeitamente normal e esperado, que até pode estimular-nos a tomar uma atitude necessária, começa a afectar a nossa vida de forma negativa. Esta reação do organismo ao stress torna-se, pouco a pouco, patológica, dificultando, ou até mesmo impedindo, a realização das mais básicas tarefas do dia a dia.
Como em qualquer doença, quanto mais cedo for detectado o problema, mais rapidamente encontraremos uma solução. Mas quando é que o normal passa a ser patológico?
O que é ansiedade?
Quando falamos em ansiedade, referimo-nos a uma expectativa negativa face ao futuro, que implica medo ou receio de situações para as quais temos dúvidas sobre a nossa capacidade de as enfrentar. A pessoa que sofre de ansiedade tem uma visão muito pessimista do mundo e de si mesma, não conseguindo lidar adequadamente com a incerteza, o que a leva a adotar atitudes de evitamento em relação a determinadas situações.
Com o tempo, e sem o tratamento adequado, este leque de situações aumenta consideravelmente.
As preocupações normais que qualquer pessoa sente perante um imprevisto, no paciente com ansiedade, tomam proporções drásticas (mesmo que o problema em questão não tenha tanta importância); a sua preocupação é excessiva, intrusiva, persistente e debilitante.
Como cheguei aqui?
O processo é gradual e, muitas vezes, mascarado por outras situações, como a timidez ou a baixa autoestima, pelo que é frequente pararmos, a certa altura, para pensar e não percebermos em que momento tudo mudou.
A possível origem do problema raramente é uma só e pode ser apenas um conjunto de situações que conduziu o paciente ao estado em que se encontra actualmente. A história de vida e experiências pelas quais o sujeito passou, a personalidade, o ambiente em que está inserido e até mesmo a reação física ao stress são apontados por especialistas como as principais fontes de origem do problema.
Pessoas mais propensas a desenvolver ansiedade
Algumas pessoas parecem ter maior propensão ao desenvolvimento do problema. Aqui ficam alguns factores de influência negativa.
- Passado marcado por fracassos, humilhação e carência
- Crescer em ambiente caótico e sem qualquer estabilidade
- Pessoas muito pessimistas, que atribuem ao exterior todas as suas dificuldades
- Pessoas que encaram o mundo como um lugar perigoso
Principais Sintomas
O paciente que sofre de ansiedade pode experienciar vários sintomas, sob formas muito diversas, Aqui fica uma lista dos mais comuns.
- Batimentos Cardíacos Acelerados e Dificuldades Respiratórias
- Dor e Tensão Muscular
- Dores de cabeça frequentes
- Suor excessivo
- Tremores e tonturas
- Sensação de nó no estômago e/ou garganta
- Problemas gastrointestinais (como Síndrome do Intestino Irritável)
- Sentimentos de medo e fraqueza
- Medo de sofrer de alguma doença grave (queixas que envolvem possibilidade de cancro são frequentes)
- Incapacidade crónica de relaxar e preocupações exageradas com os mais diversos sectores da sua vida
- Dificuldade de concentração
- Irritabilidade e fadiga fácil
- Medo extremo de ser humilhado
- Dificuldade em adormecer
É patológico?
Sofrer de episódios de ansiedade é normal, até certo ponto. Muitas vezes, identificar este ponto é a parte difícil, pelo que deve observar e monitorizar o seu próprio comportamento para determinar o momento em que deve recorrer à ajuda especializada.
Aqui ficam algumas dicas para tal.
1. Medo de falar em público
É normal sentir alguma ansiedade perante a exposição. Um certo friozinho na barriga pode até ser benéfico e permitir-lhe manter-se alerta durante o seu discurso, mas se sente que não consegue dormir durante semanas antes de uma apresentação, é possível que sofra de ansiedade social.
2. Insegurança e Preocupação Excessiva
Há situações em que sentir-se inseguro ou em perigo é uma forma de o manter alerta e de autopreservação do seu organismo, mas se se sente frequentemente em perigo, se conversar ou conviver com 2 ou 3 pessoas, sair com amigos é motivo de nervosismo, então deve preocupar-se.
O mesmo ocorre com a preocupação exagerada com um assunto em particular, que muitas vezes nem tem tanta importância quanto se acha e se arrasta por semanas. Aqui incluem-se as chamadas fobias, que podem ser bastante incapacitantes.
3. Tensão Muscular
Está permanentemente tenso, alguns movimentos como apertar a mandíbula ou cerrar os punhos tornam-se praticamente involuntários e as dores musculares surgem cada vez mais. É sintoma de ansiedade e deve ser considerado.
4. Alterações de sono
Com o stress do dia a dia e as preocupações normais da vida moderna, algumas noites sem dormir parecem naturais; no entanto, se sente insónias com muita regularidade, ou o sono é agitado e não lhe permite descansar, então deve pensar duas vezes.
Normalmente, este sintoma vem acompanhado de preocupações recorrentes sobre um ou mais aspectos, nem sempre justificáveis por tanta preocupação.
5. Perfeccionismo e Comportamentos Compulsivos
O perfeccionismo e a obsessão são comportamentos que andam de mãos dadas com os distúrbios de ansiedade. Consiste em controlar todos os factores possíveis, de medo a que nada fuja ao controle do paciente, minimizando a sensação de incerteza e insegurança.
É natural para o ser humano tentar controlar determinados factores ou situações, que possam terminar nalguma surpresa desagradável, mas se começa a desenvolver rituais que passam a ter demasiada importância no seu dia a dia é possível que esteja a desenvolver um distúrbio de ansiedade.
6. Pânico
Um doente que sofre de ansiedade poderá, em algum momento da sua vida, desenvolver um ataque de pânico, que, além de aterrorizador, é altamente incapacitante.
O mesmo traduz-se em uma sensação súbita de medo e insegurança, acompanhada de sintomas físicos, como suor, fraqueza, tontura e dores no peito. É comum, perante um ataque de pânico, o paciente pensar que está a sofrer uma complicação cardíaca. Se já passou por uma situação como esta, deve consultar imediatamente um médico.
Estar Vs. SER Ansioso
A ansiedade é uma resposta normal ao stress, mas pode tornar-se patológica quando persistente, exagerada e incapacitante, afetando o bem-estar e o funcionamento diário.
Sentir-se ansioso ocasionalmente é parte da experiência humana, mas quando os pensamentos negativos constantes, as preocupações excessivas e os sintomas físicos começam a dominar o dia a dia, isso sinaliza que pode estar em jogo um transtorno de ansiedade. Procurar ajuda profissional adequada é fundamental.



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