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domingo, 13 de novembro de 2016

Vivendo com a Síndrome da Fadiga Crónica

A Síndrome da Fadiga Crónica é uma doença bastante incapacitante e carrega consigo um forte estigma, pois todos os exames do paciente apontam para resultados normais, o que, muitas vezes, leva a que seja posta em causa a veracidade das suas queixas.


Não há, actualmente, um tratamento adequado para este problema, sendo que, os profissionais de saúde centram-se numa tentativa de alívio dos sintomas, que passa, muitas vezes, pela prescrição de antidepressivos e medicamentos para dormir, aconselhamento psicológico e um programa de exercícios leves com um fisioterapeuta, de modo a aliviar as dores musculares e nas articulações.


Consequências

Tal como qualquer outro problema do foro físico ou psíquico, a Síndrome da Fadiga Crónica poderá vir a ter uma grave interferência na vida do paciente e despoletar outros problemas a ela associados. Manter-se informado poderá ajudá-lo a combatê-los e a procurar ajuda aos primeiros sinais dos mesmos.

Um dos principais problemas associados a esta condição é a depressão e isolamento social. A doença tem um certo estigma e expressões como “é preguiçoso/a” ou “tem falta de vontade de trabalhar” poderão surgir de onde menos se espera, isolando o doente.

Restrições graves no estilo de vida também são uma consequência comum, seja por falta de capacidade física ou mental, devido ao cansaço, seja por dificuldades financeiras decorrentes da dificuldade em manter um posto de trabalho.

Os efeitos colaterais dos medicamentos prescritos para alívio de sintomas também são um factor a ter em conta e com possíveis consequências para o paciente.


Como pode o paciente ajudar-se a si mesmo?

Alguns cuidados por parte do paciente poderão ajudá-lo a conviver melhor com o problema. Planificar as suas tarefas e melhorar as suas rotinas tem um papel fundamental na melhoria dos sintomas.

Em primeiro lugar, poderá ajudar a reduzir o stress, que é, sem dúvida, um dos pontos de maior impacto na sensação de cansaço extremo. Planifique as suas tarefas, evite situações de stress e não exija de si mesmo, mais do que é capaz de dar. Reserve uma parte do dia para relaxar e descansar, porém, evite as sestas.

As sesta não vão ajudá-lo a recuperar o cansaço e funcionam como uma quebra que o poderá fazer sentir ainda pior. Assim, procure dormir bem à noite, deite-se cedo, tenha uma hora para levantar e durma apenas durante a noite. Evite substâncias como a cafeína, nicotina ou álcool.

Gerir bem o tempo é fundamental, para organizar o seu dia a dia e evitar que a sensação de cansaço extremo se apodere de si.


O prognóstico da doença varia muito de paciente para paciente, havendo pacientes que recuperam por completo ao fim de algum tempo, outros que oscilam entre períodos melhores e períodos piores e ainda, há pacientes que tendem a pioram gradualmente ao longo do tempo. Após o diagnóstico, é fundamental uma intervenção rápida, de modo a promover uma melhoria dos sintomas.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Síndrome da Fadiga Crónica: Causas e Sintomas



A Síndrome da Fadiga Crónica é uma doença rara, caracterizada por uma fadiga extrema, persistente e para mais de metade dos pacientes, incapacitante, que não pode ser explicada por qualquer condição médica subjacente. Extremamente controversa, é uma doença de difícil explicação, que causa elevados níveis de frustração nos médicos, que não sabendo a causa do problema, têm dificuldade em diagnosticá-lo e não há um tratamento eficaz.



Os pacientes não encontram uma resposta satisfatória para o seu problema, o exame físico é perfeitamente normal, o que leva muitas vezes a alguma desconfiança por parte dos profissionais de saúde e dos familiares do paciente, levando a que este se sinta incompreendido e sem apoio, enquanto a sua qualidade de vida decresce repentinamente. A sensação de fadiga piora com a actividade, seja ela física ou mental, mas não se sentem melhorias com o repouso o que, muitas vezes, conduz os pacientes a quadros depressivos e de ansiedade.


Causas

As causas do problema são completamente desconhecidas, sendo que o aparecimento da mesma parece precipitado por algumas doenças e infecções, no entanto, o motivo pelo qual ela surge nalgumas pessoas e noutras não, ainda é um completo mistério. O mais provável é que a doença esteja relacionada com uma combinação de vários factores.

Na maioria dos casos, os sintomas da doença surgiram após episódios depressivos, infecções virais (grande predominância de infecções das vias respiratórias), anemia por carência de ferro, doenças auto-imunes, hipotensão crónica e fribromialgia. Durante muito tempo, acreditou-se que estava intimamente relacionada com a mononuclesose, no entanto, não há evidências que suportem esta teoria.

É comum verificar-se alterações hormonais nos pacientes com esta síndrome, mas o eventual relacionamento deste problema com a doença é desconhecido.

As estatísticas apontam para a presença de cerca de 15 000 doentes em Portugal, com uma maior incidência do problema em pessoas entre os 40 e os 50 anos, sendo raro em crianças ou idosos. Demonstram também que é duas vezes mais comum em mulheres do que em homens e a maioria dos pacientes está ou esteve sujeito a uma grande carga de stress, seja na sua vida profissional, seja na sua vida pessoal.


Sintomas

Para além do elevado nível de cansaço que dá o nome há doença, os pacientes com a Síndrome da Fadiga Crónica sofrem de uma série de sintomas associados ao problema:

- lapsos de memória e dificuldade de concentração;

- dores de garganta e cabeça;

- aumento dos gânglios linfáticos no pescoço e axilas;

- dores musculares e nas articulações;

- sono recorrente e intermitente;

- exaustão extrema após o exercício físico ou mental, que dura mais de 24 horas.

Alguns pacientes apresentam ainda febre, tonturas, irritabiliade, problemas gastrointestinais e sinais de confusão mental.



É importante referir que há muitas causas possíveis para uma sensação de fadiga permanente e este é um diagnóstico feito por exclusão, ou seja, só é feito, quando não se encontra qualquer outra explicação para as queixas do doente, verificando-se em apenas 3% das pessoas com queixas de fadiga persistente.