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quinta-feira, 8 de março de 2018

Doença de Addison


A Doença de Adisson foi descrita pela primeira vez em 1849, pelo médico inglês Thomas Addison e trata-se de uma insuficiência suprarenal crónica, isto é, as glândulas suprarenais não produzem em quantidade suficiente, as hormonas esteróides essenciais à nossa vida, como é o caso do cortisol (fundamental na resposta ao stress), dos androgénios (que actua no desenvolvimento e manutenção dos órgãos sexuais) e da aldosterona, que controla a absorção do sódio pelo nosso organismo.

Em grande parte dos casos, este problema está ligado a uma atrofia destas glândulas, mas também pode ocorrer por outros motivos, como por exemplo, trauma.

É bastante frequente que, esta condição, ocorra em coexistência com diabetes ou hipotiroidismo.


O que acontece no nosso organismo?

Os doentes com Addison apresentam uma deficiência em dois tipos de hormonas: mineralocorticoides e glicocorticóides, cada um deles, com diferentes actuações.

No caso dos mineralocorticóides, a sua função passa por estimular a absorção do sódio e a excreção do potássio. Assim, a sua baixa concentração, vai aumentar a quantidade de potássio no nosso organismo e diminuir o sódio, provocando uma perda de sal e água na urinda, que se traduzirá em desidratação, hipotensão, acidose e diminuição do volume circulatório, que pode ir até mesmo ao colapso circulatório.

Em relação aos glicocorticóides, a sua diminuição vai traduzir-se em hipoglicémias frequentes, que, a longo prazo, traduzir-se-ão em disfunção neuromuscular, menor capacidade de resposta do organismo a infecções, traumas e stress, fraqueza do miocárdio e desidratação. Poderá ainda provocar hiperpigmentação da pele, que é, de resto, um dos sintomas mais conhecidos de Addison.


Sintomas

Inúmeros sintomas podem ocorrer, dependendo do organismo e resistência de cada pessoa, por isso, vou apenas listar os mais comuns e fáceis de identificar.

Os primeiros sintomas ocorrem, muitas vezes, em períodos de grande stress e são, maioritamente, a fadiga, fraqueza e hipotensão. 

Com o desenvolver da doença, os doentes começam a notar hiperpigmentação (quer em forma de bronzeado generalizado, quer através de manchas focais pretas), começam a surgir crises de náuseas, vómitos e diarreia. O paciente desenvolve menos tolerância ao frio. As tonturas ocorrem com frequência, podendo mesmo ocorrer a síncope. A perda de peso e desidratação estão normalmente presentes.

O início dos sintomas mais graves ocorrem, na grande maioria das vezes, em situações de infecção aguda, trauma, cirurgia ou perda de sódio devido a sudorese excessiva.


Addison em números

A doença de Addison desenvolve-se em cerca de 4 por cada 100 000 pessoas anualmente e atinge indiscriminadamente homens e mulheres de todas as idades, sendo a prevalência igual em ambos os sexos.


Tratamento

O início da doença e os primeiros sintomas são suficientemente subtis para que esta passe desapercebida por muito tempo, mas, a partir do momento em que seja diagnosticada, o seu médico vai querer atacá-la imediatamente. O tratamento consiste, tão simplesmente, na administração das hormonas em falta.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Hipotensão. Hmm?


Quando uma grande parte da população luta contra a tensão alta, existe uma pequena minoria que sofre do oposto. Considera-se que a tensão está baixa quando os valores da tensão alta se encontram abaixo dos 100 mmHg nas mulheres e dos 110 mmHg nos homens. Mas será isto motivo de preocupação?

A resposta é decididamente não. A tensão baixa, na verdade, nem sequer é considerada uma doença propriamente dita. Para os profissionais de saúde, é apenas um valor.

Não é, de todo, fatal e apesar do incómodo que possa causar, não é responsável pelo aparecimento de qualquer doença grave, bem pelo contrário, a tensão baixa protege o seu portador de problemas cardíacos, como o infarte do miocárdio e previne AVCs. No entanto, isto não significa que esta pessoa tenha uma vida fácil!


Sintomas e Causas

Quando a tensão arterial está muito baixa, tende a despoletar uma série de sintomas, que podem ir desde um ligeiro mal estar até situações quase insustentáveis. Os principais sintomas são tonturas, cansaço excessivo, dificuldade de concentração e lentificação, isto é, o tempo de reacção da pessoa torna-se mais lento, podendo ser bastante prejudicial em determinadas situações e, em situações mais extremas, o desempenho mental pode ser bastante afectado.

Estes sintomas, como se pode ver, podem afectar bastante a vida da pessoa e convém tentar perceber, qual o motivo da tensão baixa.

Há vários factores que podem contribuir para isto. Tal como na situação oposta, hipertensão, não podemos negligenciar o papel na hereditariedade na sua manifestação, sendo que, é mais comum em mulheres jovens e com baixo peso.

Alguns fármacos que tomamos, às vezes considerados inócules, podem ajudar à instalação deste quadro, mas o mais importante a ter em conta, e o motivo pelo qual devemos consultar um médico (especialmente se é uma situação persistente), é que a tensão arterial baixa pode ser um sintoma de doenças como hipotiroidismo, insuficiência cardíaca ou doença de Addison.




Valores de Referência

Quando olhamos para os valores de referência, temos de ter em consideração que cada organismo tem a sua própria resposta a uma mesma situação e portanto, há pessoa que podem ter sintomas com valores mais altos (especialmente vertigens ou enjoos) que os que vou referir, e outras, pelo contrário, mesmo com valores tão baixos, não terem qualquer sintoma ou sensação de mau estar.

Ainda assim, a Organização Mundial de Saúde definiu como valores para se considerar uma tensão arterial baixa para as mulheres, 100-60 mmHg e para os homens, um pouco mais alto, na ordem dos 110-70 mmHg.

Apesar de não ser uma situação clínica significativa ou preocupante, dado que pode ser sintoma de outros problemas, deve sempre mencioná-la ao seu médico e pedir a sua opinião.