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terça-feira, 20 de maio de 2025

5 Benefícios da Yoga para a Saúde Mental


Em tempos de vida agitada e pressões constantes, cuidar da saúde mental tornou-se essencial. A prática da yoga, além de seus benefícios físicos, tem ganhado destaque como uma poderosa aliada na promoção do bem-estar psicológico. Neste artigo, vamos explorar como a yoga pode ajudar a equilibrar mente e corpo, e melhorar significativamente a saúde mental.

O que é a Yoga?

A yoga é uma prática milenar originária da Índia que combina posturas físicas (ásanas), técnicas de respiração (pranayama) e meditação. Mais do que um exercício físico, é uma filosofia de vida que promove harmonia entre corpo, mente e espírito.

1. Redução de Stress

Um dos principais benefícios da yoga é a redução dos níveis de stress. Através da respiração consciente e da atenção plena, a prática ativa o sistema nervoso parassimpático, responsável pela sensação de relaxamento. Estudos mostram que pessoas que praticam yoga regularmente apresentam níveis mais baixos de cortisol, a hormona do stress.

2. Alívio da Ansiedade

A yoga estimula a presença no momento presente, o que ajuda a afastar pensamentos acelerados e preocupações excessivas — características comuns da ansiedade. A meditação guiada e as posturas restaurativas promovem uma sensação de segurança e calma interior.

3. Melhora da Qualidade do Sono

A insónia e outros distúrbios do sono estão, muitas vezes, relacionados com questões emocionais. 

A prática regular de yoga pode ajudar a relaxar o corpo e acalmar a mente, facilitando um sono mais profundo e reparador. Técnicas como Yoga Nidra são especialmente eficazes nesse aspecto.

4. Aumento da Autoconsciência e Autoestima

A yoga estimula a auto-observação e o autoconhecimento. Ao praticar, o indivíduo consegu conectar-se mais profundamente consigo mesmo, reconhecendo emoções, padrões mentais e limitações com mais clareza e compaixão. Isso fortalece a autoestima e promove um senso de valor pessoal mais sólido.

5. Combate à Depressão

Pesquisas indicam que a yoga pode ter efeitos positivos no tratamento da depressão leve a moderada. A combinação de movimento, respiração e meditação contribui para o aumento de neurotransmissores como a serotonina e dopamina, associados à sensação de bem-estar.

Conclusão

Incorporar a yoga à rotina é um passo simples, mas poderoso, na procura por mais equilíbrio e saúde mental. Seja em aulas presenciais, online ou mesmo por conta própria, a prática oferece ferramentas acessíveis para lidar melhor com os desafios do dia a dia. Mais do que flexibilidade física, a yoga oferece flexibilidade emocional e mental — um presente valioso nos tempos modernos.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Mindfulness - a palavra do momento

 


Nos últimos anos, a palavra mindfulness entrou para o vocabulário comum e tem ganho destaque como uma ferramenta poderosa para melhorar a saúde mental e o bem-estar geral. 

Mas o que exatamente é mindfulness? Em termos simples, é a prática de estar totalmente focado no momento presente, sem julgamento. É uma forma de treinar a mente para focar no aqui e agora, em vez de se preocupar com o passado ou o futuro. A sua prática regular tem sido associada a uma série de benefícios para a saúde, incluindo redução do stress, melhoria da concentração e promoção de um estado de paz interior.

Benefícios para a Saúde Mental

A prática de mindfulness tem mostrado ter um impacto profundo na saúde mental. Estudos científicos indicam que a meditação mindfulness pode ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade e depressão. Ao focar a atenção no momento presente, as pessoas podem aprender a observar os seus pensamentos e sentimentos sem se deixar dominar por eles. Isso pode levar a uma diminuição das respostas automáticas ao stress e a uma maior capacidade de lidar com situações desafiadoras de maneira calma e racional.

Além disso, promove a aceitação e o não-julgamento. Isto ajuda as pessoas a desenvolverem uma relação mais saudável com as suas próprias emoções. A prática regular pode melhorar a autoconsciência e a autorregulação emocional, proporcionando uma base sólida para uma saúde mental equilibrada.

Aplicações Práticas do Mindfulness no Dia a Dia

Implementar esta técnica no dia a dia pode ser mais simples do que parece. Uma das formas mais comuns de praticar mindfulness é através da meditação. Mesmo sessões curtas de meditação, de 5 a 10 minutos, podem fazer uma diferença significativa. Durante a meditação, é comum focar na respiração, observando cada inalação e exalação, e trazendo a mente de volta ao foco sempre que ela se desvia.

Além da meditação, o mindfulness pode ser incorporado em atividades diárias comuns, como comer, caminhar ou até mesmo lavar a louça. A chave é fazer essas atividades com total atenção, observando cada detalhe sensorial e estando plenamente presente no momento. Por exemplo, ao comer, preste atenção às cores, texturas e sabores dos alimentos. Ao caminhar, observe a sensação dos seus pés a tocar no chão e o ritmo da sua respiração.

Viver o Presente

O mindfulness oferece uma abordagem poderosa e acessível para melhorar a saúde mental e o bem-estar geral. Ao aprender a estar presente e a observar os nossos pensamentos e emoções sem julgamento, podemos desenvolver uma maior resiliência emocional e uma sensação de paz interior. 

Incorporar práticas de mindfulness na rotina diária pode transformar a maneira como lidamos com o stress e as adversidades, promovendo uma vida mais equilibrada e harmoniosa. Comece com pequenos passos, e deixe-se levar pelos inúmeros benefícios que o mindfulness pode trazer para sua vida.

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Como o ‘Stress’ Afeta a Sua Saúde e Maneiras Eficazes de Geri-lo

 


Stress tornou-se uma palavra comum do nosso vocabulário no final do século passado. O seu significado é simples: stress é a resposta do nosso corpo a um evento ou a uma situação de pressão na nossa vida.

Tem uma carga pessoal muito grande e um impacto forte na nossa saúde. É importante que compreendamos que esse impacto ocorre a todos os níveis e é altamente prejudicial à nossa saúde física e mental.

Como o Stress Afeta a Sua Saúde

O stress tem um impacto óbvio na saúde mental. Exaustão mental, ansiedade, depressão, toda a nossa psique é afetada e muitas vezes, nem sabemos dizer o porquê. Sentimo-nos desmotivados e não encontramos nada a que nos agarrar para seguir em frente.

Embora devastadores, os problemas de saúde mental não são os únicos que o stress nos traz. A saúde física é extremamente afetada e, para muitos de nós, é mais difícil correlacionar os problemas que vão surgindo com o stress. 

  • Enfraquecimento do Sistema Imunitário - Está constantemente doente, ou quando adoece tem dificuldade em recuperar? Pois é, o seu sistema imunitário está enfraquecido e o stress tem um papel de relevo nisso. A exposição constante ao stress deixa-o mais vulnerável a todo o tipo de doenças devido à diminuição das suas defesas naturais.
  • Relação com Doenças Cardiovasculares - O stress está associado ao aparecimento e desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Estas são a principal causa de morte em todo o mundo e são muitas vezes ignoradas nos primeiros sintomas. 
  • Efeitos no Sistema Digestivo - O estômago dói e sente todo o tipo de inconvenientes, azia, má digestão, náuseas. Pode sentir uma fome incontrolável, ou não ser capaz de comer nada durante horas. Os seus intestinos não funcionam regularmente e são frequentes os episódios tanto de diarreia, como da mais incómoda obstipação. Tudo isto são sinais do seu corpo a dizer-lhe que está sob stress excessivo e se os ignorar, pode desenvolver doenças graves e potencialmente fatais. 

Gerir o Stress - o eterno dilema

Todos nós, de forma mais ou menos intencional, tentamos gerir o nosso stress no dia a dia, mas na sua grande maioria, fazemo-lo de forma errada. Tentamos controlar os fatores externos, que, em última análise, não podem ser controlados por nós.

A melhor forma de gerir o stress não é controlar todo o trabalho que tem para fazer, ou dividir tarefas, embora isso seja de grande ajuda. Aquilo que realmente precisa é ajudar o seu corpo, controlando e moldando os seus sentimentos e emoções - transformando-os em algo mais saudável. Afinal, tentar simplesmente ver-se livre de todo o stress, só fará o mesmo aumentar.

Técnicas de Relaxamento

Uma forma de diminuir quase imediatamente a sensação de stress e ansiedade é mediante técnicas simples de relaxamento, como a meditação e a respiração profunda. 

O controlo respiratório, quando bem usado, é uma arma infalível na gestão do stress no nosso dia a dia, ajudando-nos a contornar a sensação de desespero e falta de controlo que o mesmo nos provoca. 

Por outro lado, recorrer a práticas de mindfulness poderá também ajudar a afastar os pensamentos repetitivos causadores de stress.

Atividade Física Regular

Estão descritos exaustivamente e em diferentes fontes os inúmeros benefícios da atividade física, e sim, ela também ajuda a gerir o stress. O nosso corpo foi feito para o movimento e uma vida sedentária afeta-nos de formas que, muitas vezes, nem conseguimos imaginar.

A prática de atividade física proporciona uma diminuição dos níveis de adrenalina e cortisol no nosso organismo, fazendo-nos sentir mais relaxados.

Alimentação

Tal como o exercício físico, a alimentação parece ter impacto em todos os setores da nossa vida. Muitas pessoas erram ao cortar determinados alimentos da sua dieta, numa tentativa de alcançar a chamada alimentação saudável. 

Naturalmente, há coisas que deve evitar ao máximo como alimentos muito gordurosos ou com altos teores de açúcar, mas fora essas exceções, o segredo está no equilíbrio. Comer um pouco de tudo vai proporcionar-lhe mais nutrientes e fazê-lo sentir-se melhor e mais forte, mesmo para enfrentar o stress.

Importância do Sono

O sono é um mecanismo importante de defesa do nosso organismo. Ele permite-nos descansar, limpar a mente e equilibrar o nosso corpo. Infelizmente, na tentativa vã de produzir o máximo possível, ele pode ser muito descurado hoje em dia.

Este é um erro grave, dada a sua importância. Dormir bem e tempo suficiente é vital para o controlo do stress e do seu impacto no nosso organismo. 

A Luta por uma Vida Melhor Começa cá Dentro

Trabalhamos todos os dias para ter uma vida melhor e mais confortável e a saúde mental é tantas vezes deixada de lado. Uma vida melhor começa no nosso íntimo, na saúde do nosso organismo e no sentirmo-nos bem connosco próprios.

Gerir os níveis de stress é o primeiro passo para esse bem-estar e nada como a adoção de um estilo de vida saudável para nos ajudar nessa gestão.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

O Terror do Fogo: o que os incêndios de verão fazem à nossa saúde mental?

 


Os incêndios de verão em Portugal já são uma espécie de dado adquirido, uma inevitabilidade e a maioria de nós não acha que possam ser totalmente evitados.

Cabe à população e equipas de emergência controlar o fogo e no final do verão, fazemos as contas aos prejuízos e preparamos lindos planos de contingência para o ano seguinte, que não parecem dar em nada.

No entanto, o fogo é mais do que centenas de bombeiros exaustos e propriedades perdidas. Há toda uma componente psicológica altamente traumática para quem vê as chamas aproximarem-se.

Pedrogão Grande - a mancha negra na história

A repetição frequente de um acontecimento trágico dá-lhe uma certa aura de normalidade e nem sempre lhe damos o devido valor. Muitos de nós, nunca pensaram muito no assunto antes da tragédia de 2017 em Pedrógão Grande.

Mais de 250 feridos e 66 mortos eram números inesperados, nunca vistos e teve um impacto a nível nacional. Pela primeira vez, as pessoas perceberam a necessidade do apoio psicológico às populações. Ainda assim, o impacto dos chamados “incêndios de verão” na saúde mental é enorme, mesmo quando não atinge estas dimensões infernais.

A dor da população

As imagens dos idosos a chorar desesperados ou a ser carregados em braços pelos bombeiros são terríveis e de uma crueldade assustadora. No entanto, os efeitos do fogo são transversais a todas as idades.

A nossa casa é o nosso porto seguro, tem as nossas coisas que por valor financeiro ou emocional são extremamente importantes para nós - muitas vezes só percebemos isso após as perdermos - e o sentimento de medo pela família e amigos, bem como a aterradora noção de ter zero controlo sobre os acontecimentos é altamente traumática em qualquer idade.

Ainda assim, é de referir que para os mais velhos, o impacto das perdas pode ser vivido de forma mais traumática, pois sentem que não terão tempo para recuperar. Não voltarão a construir a sua casa, ou a recuperar os seus terrenos. A solidão já é grande e muitas vezes, perder uma pessoa significa que não têm mais ninguém. Há uma fragilidade associada à idade que não pode ser ignorada no apoio à população. Estas pessoas sentem que já não há recomeço possível.

O sofrimento dos bombeiros

Os bombeiros são vistos como os grandes heróis que abdicam do verão para combater incêndios e ajudar os outros. Maioria da população demonstra grande amor e empatia por eles, mas, na verdade, uma parte essencial é esquecida: os heróis também sofrem.

O cansaço físico e os perigos para a saúde são óbvios, mas a saúde mental é uma espécie de parente pobre no nosso SNS e isso estende-se aos nossos bombeiros.

Um estudo da Universidade de Coimbra concluiu que 82% dos bombeiros participantes no estudo já estiveram expostos a pelo menos 20 situações potenciadoras de trauma. O trauma psicológico é um grande incapacitante do funcionamento normal e capacidade de tomada de decisão em situação de perigo. 

Os nossos bombeiros são duplamente penalizados e correm riscos em dobro pela ausência de apoio ao nível da saúde mental.

O que foi feito e o que devia ser feito

Há equipas comunitárias de saúde mental que podem garantir o apoio adequado aos indivíduos mais vulneráveis, no entanto, e apesar dos mais variados esforços, elas não chegam a todos. O mesmo ocorre para o núcleo local de resposta a catástrofes, formado por um médico, um enfermeiro, um psicólogo e um assistente social, o que em casos de situações graves e com muitas vítimas é claramente insuficiente.

Uma Comissão formada para o efeito determinou os quatro vetores principais em que o seu trabalho deve assentar:

1. Promover e assegurar a acessibilidade aos cuidados de saúde por parte das populações, em tempo adequado, valorizando as soluções de proximidade, coordenando as intervenções, quer as de natureza preventiva, quer as de ação terapêutica, através da dinamização das equipas comunitárias, multidisciplinares, envolvendo os diversos profissionais de saúde mental, de modo a integrar respostas concertadas junto da população em risco;

Situação atual: Apesar dos melhores esforços de um sem números de profissionais, continua a haver queixas de que os cuidados são poucos e a não chegam atempadamente a quem mais precisa.

2. Assegurar informação atualizada junto da comunicação social sobre as ações empreendidas, de modo a obter a sua colaboração na necessária informação à comunidade e facilitando a articulação das ações, designadamente com as entidades locais, autarquias e instituições sociais e solidárias, de modo a potenciar sinergias nas intervenções;

Situação atual: As pessoas estão cada vez mais informadas sobre a importância da saúde mental, mas os recursos ainda são demasiado escassos e a população mais idosa, a mais afetada devido à grande quantidade de idosos nas aldeias mais afetadas, ainda não tem informação suficiente nem sabe onde ou como pode pedir ajuda.

3. Caraterizar a população em risco, tendo em conta as perdas sofridas, a sintomatologia evidenciada, os recursos individuais e do sistema familiar em causa e os antecedentes psicopatológicos revelados, com especial atenção às situações de risco de suicídio;

Situação atual: O levantamento de dados é provavelmente a fase mais avançada até agora, no entanto, não tenho dados suficientes que garantam que o rastreamento das situações mais perigosas esteja, ou não, a ser realizado efetivamente. 

4. Produzir recomendações para a estruturação de respostas na área da saúde mental, em situações similares futuras de calamidade, com esta dimensão e impacto, a nível local, regional ou nacional, equacionando modelos de intervenção na comunidade, em articulação com o poder local, com os serviços da segurança social, com os diferentes cuidados de saúde, bombeiros, comunicação social, associações particulares de apoio, e outras estruturas relevantes da comunidade.

Situação atual: Foi posto em prática, mas com o passar do tempo e a memória coletiva a começar a esquecer, muitas das ideias são atiradas para o fundo de uma gaveta e totalmente esquecidas. 

(A “situação atual” é uma leitura pessoal, conforme os dados, muitas vezes escassos, que possuo.)

Casa roubada, trancas na porta

Após uma grande tragédia as pessoas ficam mais alerta e Pedrógão Grande não foi exceção. O país ficou mais ciente das suas fragilidades e do real perigo dos incêndios rurais.

Muito foi dito, nem tanto foi feito, após os trágicos acontecimentos de 2017. Houve melhorias sem dúvida, mas é curto, é pouco, é insuficiente. A saúde mental tem de ser uma prioridade, não são só as queimaduras que nos ferem. 



segunda-feira, 12 de setembro de 2022

O impacto da Religião na Saúde Mental

 


A religião já provocou guerras, mortes, preconceitos e todo o tipo de efeitos nocivos na sociedade. Há quem cometa as maiores atrocidades em nome desta ideia de espiritualidade e missão superior. Mas já alguma vez se questionou qual o impacto da religiosidade na saúde mental?

Para a psiquiatria, a religião tem má reputação. Historicamente, é associada a rituais e atitudes que prejudicam a evolução e tratamento do quadro clínico. Freud considerava-a uma neurose obsessiva e, muitos psiquiatras ao longo do tempo, afirmaram que era uma fonte de sofrimento psicológico. Mas será mesmo assim?

Religião como farol orientador

A religião é muito importante para dar um significado e uma orientação (valores) à nossa vida. Ela é fundamental em momentos de grande impacto na vida de um pessoa e a Associação Mundial de Psiquiatria reconhece a relevância da espiritualidade e da religião nas questões de saúde mental.

A espiritualidade e religião dá um sentido a momentos difíceis como perda e luto, dando um significado que facilita a aceitação. Dá-nos ainda um sentido de pertença a um grupo (os que partiham das mesmas crenças que nós), fundamental para sentirmos que temos o nosso lugar no mundo.

O papel da espiritualidade no tratamento

Especialistas em saúde mental de todo o mundo concordam que a fé e o apoio oferecido pela religião ou espiritualidade institucionalizada dão uma ajuda fundamental no processo de cura. Depressão, ansiedade, vício são algumas das perturbações mais comuns e que mais beneficiam desta ligação espiritual e de pertença a um grupo. 

A vivência da religiosidade e espiritualidade é uma ferramenta útil para enfrentar as dificuldades do dia a dia e permanecer fiel ao tratamento.

Oração como Meditação


Atualmente, é do conhecimento geral os efeitos benéficos da meditação. É inegável como esta pode ajudar a lidar com o stress e ansiedade do dia a dia. 

Muitas pessoas usam-na para tomar grandes decisões de vida, ou simplesmente para se acalmar. Bom, a oração, presente na maioria das religiões, é uma forma de meditação.

É um momento solitário da pessoa em que ela fala com um ser superior, ou simplesmente consigo mesma. É um momento em que nos alheamos do que se passa à nossa volta e nos voltamos para dentro. Tem um efeito calmante e terapêutico considerável. 

Combate o Desespero

Quando acreditamos em algo maior e mais poderoso que nós, que está lá para nos ajudar, é mais fácil combater o desespero. Quando para os outros parece uma tragédia inevitável, para as pessoas religiosas ainda há um último recurso.

Há algo ali, um ser ou entidade que pode tudo. Há que ter fé e pedir. Esta crença fornece uma força extra para enfrentar as adversidades, porque aconteça o que acontecer, estas pessoas sentem que não estão sozinhas. 

Dá sentido às adversidades

Ter uma religião, ou uma crença espiritual tem um peso importante na forma como enfrentamos as adversidades. A religião atribui um sentido ao sofrimento, não é aleatório.

Nem sempre este sentido é o mais desejável, mas retira muito do sentimento de aleatoriedade, injustiça e descontrolo que nos assola nos maus momentos. Um bom exemplo disto é o processo de luto. A ideia de que a pessoa falecida continua a viver noutro lugar, um lugar melhor, no qual um dia voltarão a encontrá-la tem um efeito tranquilizante na família e amigos enlutados.

 

Sentimento de pertença

Sentir que não estamos sozinhos é muito mais do que ter companhia. É sentir que pertencemos, que há alguém que, aconteça o que acontecer, estará lá por nós. Para algumas pessoas, a espiritualiade por si só e a crença em Deus ou noutro Ser Superior é o suficiente para este sentimento. No entanto, ser religioso dá-lhes mais do que isso.

O sentimento de pertença é enorme, quando há um grupo de pessoas que pensam e sentem como nós. A religião fornece-nos isso. Faz com que os crentes se sintam mais acompanhados e oferece uma rede de apoio social. 

A vivência da religião importa

Vários estudos têm demonstrado o impacto positivo que a religião tem na saúde física e mental do indivíduo a vários níveis. Indiscutivelmente, a pessoa que vive a sua espiritualidade de forma positiva tem uma menor susceptibilidade a perturbações do foro psicológico.

No entanto, o impacto negativo de certas práticas, do fanatismo e da negação da ciência nalgumas comunidades religiosas não pode ser ignorado, representando um factor de risco vital na procura por tratamento adequado, por exemplo, na esquizofrenia. 

Espiritualidade Negativa

A espiritualidade e religião surge nas mais variadas formas e, enquanto no geral, é benéfica, também pode ter um efeito negativo em situações muito específicas.

Durante a Idade Média, por exemplo, a religião era usada de forma castradora. Deus, ou o Ser Superior em que acreditavam, era usado de forma quase chantagista, para controlar as massas e obrigar as pessoas a comportar-se “adequadamente”.

Esta mentalidade, actualmente ultrapassada, continua no entanto em vigor em certas comunidades e tem um impacto tremendo na saúde mental e, até mesmo, física. Quando se encara a religião de forma punitiva, os níveis de ansiedade e depressão elevam-se, podendo mesmo conduzir, nos casos mais extremos, à morte.

O fanatismo religioso e a crença cega nas capacidades do divino também poderão levar os doentes a não procurar ajuda ou abandonar tratamentos indispensáveis à sua vida.

Religião e Saúde Mental

A ligação entre a religião e saúde mental tem sido abordada de diferentes formas e os estudos podem ser controversos, de acordo com a amostra escolhida.

O fanatismo e obcessão poderão dificultar o tratamento das doenças mentais, no entanto, a vivência saudável da religião tem um impacto positivo na saúde mental geral do indivíduo.

A religião vivida de forma positiva e descontraída contribui para uma melhor qualidade de vida. 

terça-feira, 17 de maio de 2022

O que a sensação de perigo eminente faz ao cérebro de uma criança


 


O que sente quando a sua segurança está a ser ameaçada? E se fosse assim todos os dias?

Com a guerra na Ucrânia no top dos assuntos da actualidade, devemos todos parar para pensar nisto. No nosso dia a dia, sentimo-nos seguros. Podemos passar segurança aos nossos filhos, podemos dizer-lhes que vai ficar tudo bem. E se não pudessemos? 

Mudança drástica de vida

A sensação de se estar em constante perigo é desgastante e destrói-nos lentamente. No caso das crianças pode provocar enormes retrocessos no seu desenvolvimento, que poderão nunca ser recuperados. É claro que não é só as crianças de países em guerra que podem sentir-se constantemente em perigo. Também ocorre em situações de violência doméstica, por exemplo, e com resultados muito semelhantes. Mas, por agora, foquemo-nos nas situações de conflito armado. 

As sirenes tocam toda a noite, a qualquer momento, impedindo um sono tranquilo. Mesmo os bebés que não compreendem o que se passa, não conseguem dormir com o barulho e agitação. 

Têm de fugir de suas casas. O seu porto seguro, o lugar onde deveriam sentir-se em paz, já não é seguro de todo. Para além da insegurança, todas as crianças precisam de manter a noção de pertença, a um grupo, a um espaço… com o potencial desaparecimento da sua casa, essa sensação de pertença desaparece. A vida pode nunca mais voltar ao que elas entendem como normal. Tudo o que eles conhecem agora é o medo, a fome, a sede, a solidão e a incerteza.

Onde está o pai?

Uma das mudanças mais drásticas e desastrosas que a guerra traz é a morte de pessoas próximas, pessoas que as crianças conhecem, amam, pessoas que são uma referência. Mas a morte não é a única que arranca estas pessoas às crianças.

Há muitas circunstâncias que podem provocar um afastamento da criança da família. A mais comum é o facto de terem de fugir com as mães e os pais terem de ficar para trás. Porque o pai fica naquele sítio perigoso? 

O desaparecimento, mesmo que momentâneo de um dos progenitores é um dos eventos mais traumáticos da vida de uma criança. E eles sabem que essa pessoa está em perigo. 

Stress permanente

O stress é uma condição em que o indivíduo vivencia um desafio que está além das suas capacidades de enfrentamento. Esta poderia ser também uma das descrições da guerra.

O stress é especialmente prejudicial nos primeiros anos de vida. A maleabilidade do cérebro nesta fase da vida torna-o particularmente sensível às influências ambientais, provocando uma alteração significativa da organização cerebral da criança.

O stress permanente provoca alterações físicas no cérebro da criança - pode levar a uma redução do volume cerebral. Provoca uma desregulação do sistema neuroendócrino e disfunção límbica, que se pode traduzir por depressão, ansiedade, e problemas de memória (quando afecta o hipocampo). Pode afectar ainda o comportamento e capacidade de tomada de decisão, bem como dificuldade em controlar os impulsos.

As relações

O ser humano é um ser social e precisa relacionar-se com os outros, certo? Sim, mas para se tornar esse ser sociável e especial, a criança precisa de ter relacionamentos saudáveis desde tenra idade. Caso contrário, terá sérias dificuldades em relacionar-se com os demais.

Se a criança se sente em perigo constante, se não sabe de onde esse perigo pode vir, vai ter muito mais dificuldade em confiar e relacionar-se com os outros. Esta sensação de desconfiança vai manter-se ao longo da vida, criando um adulto que tem dificuldade em confiar nos outros, em relacionar-se e opta por uma atitude muito defensiva em relação a todas as pessoas e situações.

Muitas vezes esperamos ver as crianças com reações semelhantes às do adulto com distúrbio de pós-stress traumático, no entanto, os nossos pequenos funcionam de forma bem diferente de nós. A ideia de que as crianças são muito mais resilientes do que os adultos tem algum fundo de verdade, mas também vem do facto das suas reações serem diferentes das nossas.

Muitas vezes, a criança parece que ultrapassou toda a situação, que não se apercebe de nada, ou que não entende. Assim que é colocada num ambiente seguro, segue a sua vida com normalidade. Ultrapassou. O problema é que as lembranças ficam lá, a sensação de medo e de susceptibilidade fica lá, ainda que não saibam verbalizá-las. Os danos já estão feitos e podem emergir em qualquer altura, às vezes, dezenas de anos mais tarde.

Que adultos serão estes?

Está mais do que comprovado que a exposição a violência constante, em todas as suas formas (mesmo violência verbal) provoca alterações cerebrais aos nível da amígdala, principal responsável pela regulação das nossas emoções.

Algo que tentamos (ou devíamos tentar) ensinar aos nossos filhos desde cedo é a tentar regular as suas emoções - note-se que regular é muito diferente de evitar ou constranger. É um dos sinais de maturidade mais óbvio. Então que adultos serão estes? Conseguirão dar a volta à situação um dia?

A resposta é incerta, mas é imporvável. As marcas ficam para sempre. As crianças, ao contrário da crença popular, não esquecem nunca. Mesmo para as mais pequenas, fica algo, lá no fundo da sua mente, que mesmo não conseguindo expressá-lo as torna ansiosas, medrosas. Serão provavelmente adultos que nunca se sentirão totalmente em paz e nem saberão porquê.

A sensação de perigo está sempre ao virar da esquina

Todos nós já passamos por situações em que nos sentimos em perigo, mas felizmente, poucos sabemos o que é ter essa sensação constantemente. Quando somos crianças somos muito mais sensíveis aos acontecimentos e as marcas mais difíceis de apagar.

No entanto, uma experiência traumática não tem de ser o fim. A presença de cuidadores sensíveis, que correspondam às necessidades de afecto e compreensão da criança são fundamentais para a ajudar a lidar com o stress e evitar danos irreversíveis no seu desenvolvimento. 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Porque é que tudo me irrita?



Todos nós já tivemos aqueles dias em que até o respirar das outras pessoas nos parece irritante. Muitas vezes, sem explicação, sentimos uma raiva imensa, que geralmente desaparece também sem explicação.

A irritabilidade é um estado emocional ou reação desencadeada por estímulos que nos fazem sentir raiva ou frustração. É natural e ocorre a todos nós. No entanto, se para algumas pessoas ela é circunstancial e autolimitada, também as há que parecem estar permanentemente irritadas. Até que ponto, pode a irritabilidade ser considerada uma simples e normal resposta a um estímulo e não uma patologia?

O que é que estou a sentir?

A sensação de irritabilidade é acompanhada por vários sintomas tanto físicos como psicológicos. O cançaso, aumento da tensão arterial e da temperatura corporal, suores, taquicardia, vertigens e tremores e até dores de cabeça são sintomas frequentes quando estamos irritados.

Do ponto de vista psicológico, os sintomas podem ser tão ou mais graves do que os descritos anteriormente. A pessoa sente uma grande impaciência e intolerância em relação ao que está à sua volta. Qualquer coisa, às vezes mínima, a pode tirar do sério.

Emocionalmente, a sensação de raiva pode ser avassaladora e a pessoa irritada sente um descontrolo tal, que pode passar dos limites do razoável. A agressividade tanto física como psicológica é um dos sintomas mais comuns.

Os pensamentos negativos são outro problema. A pessoa está irritada e é inundada por pensamentos negativos. Estes provocam uma maior irritação. Gera-se assim um ciclo vicioso do qual é difícil sair. 

Porque é que me sinto assim?

São muitas as circunstâncias que nos levam a ficar irritados momentaneamente, mas a irritabilidade geral, vista muitas vezes como traço de personalidade, é algo um pouco diferente.

Factores como as experiências pessoais, personalidade e maturidade podem influenciar esta resposta do organismo. No entanto, ela pode também ser um sinal do nosso corpo a dizer-nos que algo está mal. Situações como o cansaço excessivo, prisão de ventre ou dores, principalmente de cabeça, levam a falta de paciência e consequentemente, irritabilidade. Alguns medicamentos podem também exacerbar a sua falta de tolerância a determinados estímulos.

Da mesma forma há uma série de transtornos psicológicos que também podem ser responsáveis pela irritabilidade.

Como posso sentir-me melhor?

Em muitas situações, a irritabilidade e mau humor deve-se a uma doença específica. A mesma tem de ser encarada com seriedade e tratada, ou controlada no caso de doenças crónicas.

Outras vezes, o constante mau humor pode melhorar significativamente com uma alteração de rotina, realização de exercício físico, ou descoberta de um novo hobbie. Em todos os casos, a psicoterapia é recomendável. Ela vai ajudá-lo a reconhecer e identificar os seus sentimentos, o que os despoleta e o momento em que está prestes a sentir um fluxo de irritabilidade.

A irritação contagia

O estado de irritabilidade é desgastante tanto física como emocionalmente. No entanto, não é só a pessoa que o sente que se desgasta e sofre. Todos à sua volta sofrem o impacto deste problema. A pessoa é percebida como pouco tolerante, insuportável e fora do controlo, deteriorando as suas relações, o que a faz sentir-se ainda pior. 

Ser facilmente irritável não é um tipo de personalidade, não é sinceridade, nem é ser “difícil mas boa pessoa”. A irritabilidade excessiva torna-nos pessoas sós e difíceis de lidar e pode ser sinal de uma doença mais ou menos grave. 

É importante investigar o problema e tomar as acções necessárias para que se sinta melhor consigo e com os outros. 


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Saúde Mental nas Forças de Segurança



As forças de segurança nacionais estão esgotadas, doentes, desesperadas. O índice de problemas do foro psicológico disparou nas últimas décadas e a polícia parece ser cada vez mais mal vista pela sociedade.

Porque se encontram os nossos polícias especialmente vulneráveis a Burnout e depressão? Que sinais de alerta devem ser tidos em conta pelos que lidam com eles, a nível pessoal e profissional? Que apoios são providenciados àqueles que nos protegem?


Um grupo vulnerável


De uma maneira muito simples, o stress é uma resposta generalizada do nosso organismo a condições externas desfavoráveis. Nessa mesma linha, a actualmente famosa síndrome de Burnout é uma resposta prolongada a esse sentimento de stress, relacionado com a actividade profissional. A pessoa com Burnout sente exaustão emocional, despersonalização e diminuição do sentimento de realização pessoal.

Não é difícil perceber que as situações de stress e risco com que lidam todos os dias, deixam os profissionais da PSP e da GNR mais vulneráveis a problemas de depressão, ansiedade e exaustão. No entanto, ainda há quem veja este tipo de perturbação como um sinal de fraqueza e incapacidade. Logo, um elemento que apresente estes sintomas é visto como incapaz e a afastar. 

Certamente, os níveis de resiliência existentes em cada um de nós são fundamentais para ultrapassar adversidades e lidar com o stress. Mas essa resiliência não pode estar associada a uma falta de empatia pelos cidadãos. São inúmeros os casos de agentes de polícia acusados de falta de humanidade. Afinal, em que ficamos? Queremos máquinas imperturbáveis ou pessoas com sentimentos, com os quais, têm de aprender a lidar?

Algumas estatísticas revelam que as forças policiais nunca foram tão desrespeitadas como actualmente. Há cada vez mais cidadãos que demonstram falta de confiança na polícia. O lugar da autoridade mudou, no entanto, as exigências que lhes são feitas continuam as mesmas, ou ainda maiores. 

Um elemento das forças de segurança não é uma pessoa


Toda a organização de uma esquadra de polícia torna os seus elementos pessoas desfasadas do resto do mundo. Eles não têm vida própria, nem estabilidade de espécie alguma.

Alterações buroráticas e de avaliação individual dos agentes foram realizadas recentemente. Não querendo alongar-me sobre as mesmas, nem fazer aqui um discurso político, já foi demonstrado que estas tendem a diminuir os ideais de cooperação e união que fazem parte do que é ser polícia.

Mas como disse, não se pretende aqui fazer qualquer manifesto político ou de outra ordem que não da saúde, pelo que nos foquemos nos elementos físicos objectivos. Há claramente um excesso de carga horária (há relatos de 90 horas semanais de trabalho), fundamentado pelo lema “um polícia é polícia 24 horas por dia” e retirando tempo para o lazer, o convívio ou o simples descanso.

É um trabalho por turnos. Vários estudos comprovaram que o trabalho por turnos é extremamente desgastante, física e mentalmente e que estes trabalhadores devem ter mais pausas e horas de descanso. Mas não têm…

Os elementos das forças de segurança não têm vida própria. Não podem ter. Ou não poderão corresponder a todos estes esforços na protecção do cidadão. Mas deixo aqui a questão: uma pessoa exausta, sem tempo para a família, mal paga e desvalorizada, pode realmente ser um bom agente de defesa da sociedade?

"A taxa de suicídio nas forças de segurança é duas vezes superior à do cidadão comum."


Elevadas taxas de suicídio


Vou pedir que imaginem a seguinte situação: são polícias e foram colocados no turno da noite, onde sabem que, à partida, há mais violência. Encontrarão, quase certamente, problemas. Têm pela frente um turno de 12 horas, que não sabem realmente quando acaba. Depende de tanta coisa… Não se sentem valorizados no trabalho e sofrem o preconceito de uma parte (cada vez maior) do cidadão comum. Como se sentiriam?

Não peço este exercício para vos deprimir, mas sim porque é, muitas vezes, difícil colocarmo-nos no lugar dos outros. Devido a estes e outros motivos, é frequente que o profissional se sinta sozinho, isolado, o que o leva automaticamente a uma maior tendência para a depressão.

É frequente que os agentes se sintam encuralados numa espiral de exaustão e depressão, rodeados de más condições de trabalho e muitas vezes, colocados longe da família e outros relacionamentos afectivos importantes.

Uma notícia de Junho do ano passado, relatava que desde o ano 2000 se tinham registado 145 suicídios de agentes da PSP e da GNR. Uma taxa duas vezes superior à população geral.

Sinais de Alerta


Tudo começa com o stress excessivo e o objectivo deve ser tratar este ciclo desde o início. O problema é que numa primeira fase, os níveis de stress são perceptíveis pelo próprio.

Numa fase posterior, há sinais de alerta, na presença dos quais, se deve considerar uma possível intervenção.

Sinais físicos:

  • Dores de cabeça
  • Irritações de pele
  • Distúrbios de sono
  • Problemas de estômago/intestinos 


Sinais psicológicos:

  • Esquecimento
  • Irritação
  • Cansaço
  • Depressão
  • Ansiedade
  • Falta de forças


Que tipos de apoios têm os nossos polícias?


Numa resposta rápida e objectiva: poucos e insuficientes.

Uma manchete num jornal de Julho de 2019 diz claramente “Polícias queixam-se de falta de apoio psicológico na PSP e na GNR”. Há, teoricamente, alguns tipos de apoio aos quais os profissionais das forças de segurança têm direito, mas infelizmente, parecem não funcionar.

Profissionais de saúde mental insuficientes, associado ao estigma que os agentes sofrem após procurarem este tipo de ajuda, afasta cada vez mais os polícias portugueses de um tratamento adequado.

Há, desde o ano 2000, uma linha de apoio psicológico para os profissionais da polícia. Tem o objectivo de prevenir e diminuir o número de suicídios dentro da mesma e proporciona privacidade e anonimato. Já se verificaram alguns problemas com o funcionamento da mesma, mas neste momento, parece estar a funcionar adequadamente.




sábado, 27 de abril de 2019

Quando o inferno... são os outros


Ao longo da nossa vida sofremos todo o tipo de pressões, algumas positivas que nos impulsionam para a frente, outras que nos destroem lentamente e para as quais não há auto-estima que resista. É difícil pôr um travão nos julgamentos dos outros, mas mais difícil ainda, é impedir o nosso cérebro de achar que eles têm razão.



Assim que começamos a ter idade para compreender o que se passa à nossa volta começamos a lidar com o escrutínio da sociedade em torno da nossa vida. “Já entrou na escola?” “Largou as fraldas?” “Passou de ano?” “Ainda dorme com os pais?” Como se dessas questões dependesse o futuro da humanidade. Mas quando atingimos a idade adulta, descobrimos que não há uma resposta certa, não importa o quanto façamos.

As pessoas preocupam-se com o nosso estado civil (se já casámos é muito cedo, se ainda não casámos já estamos a passar da idade), com os filhos que temos ou não (”Ainda não têm filhos? Ah, não acham que começa a ficar tarde?” ou “Têm um filho? Tadinho, sem irmãos…” Mas se temos mais “Ai que horror, assim nem aproveitas a vida”), se temos peso a mais estamos gordos, se emagrecemos estamos doentes, se temos emprego não presta, se não temos somos preguiçosos, se vivemos em casa dos pais é uma vergonha, se temos a nossa própria casa “provavelmente estão cheios de dívidas”. Não há volta a dar, não há como fugir.

A favor dos sabichões da vida alheia estão… as redes sociais. Aquele lugar onde toda a gente julga toda a gente, mas no fundo, ninguém sabe realmente o que está a acontecer. E nem se atrevam a não por lá nada. Elitistas!

Cada vez mais as pessoas são submetidas a um julgamento feroz, condenação sem advogados de defesa e o sofrimento que isso acarreta é enorme e adoece a sociedade dia após dia.

É claro que sabemos que isto não é uma novidade, sempre ocorreu, as minorias eram as principais vítimas por serem “diferentes”. Contudo, ao invés de evoluirmos positivamente, tornamos todos os seres humanos em vítimas (mas nem por isso fizemos a vida das minorias mais fácil), de uma forma ou outra, façam o que fizerem, há sempre alguma coisa que falta, algo que não fazemos ou que fazemos demais…


Somos doentes, porque nos pomos doentes…

Numa sociedade doente é impossível ser saudável, mesmo que o sejamos, vamos sempre parecer doentes por comparação com os outros.

Mesmo não gostando das interacções acima descritas quando são direccionadas a nós, vamos fazer o mesmo ao outro. Procuramos alguém que consideramos estar pior que nós e atacamos, sem qualquer respeito pelo que a pessoa quer ou deseja, muito menos por um hipotético mau momento pelo qual esteja a passar. É uma espécie de corrida de  estafetas onde passamos a dor ao próximo.

Dizemos aos nossos filhos “podes ser o que quiseres”, mas omitimos o resto da frase:
- podes ser o que quiseres… desde que encaixe nos padrões;
- podes ser o que quiseres… desde que sigas as regras que alguém escolheu;
- podes ser o que quiseres… desde que não ofendas ninguém, numa sociedade onde toda a gente se sente ofendida por qualquer coisa que seja feita ou dita.

Depois vem a dor, vem a depressão, “a epidemia do século XXI”, criada quase exclusivamente pelas expectativas absurdas que colocamos em nós e nos outros. Chegou a hora de pararmos de associar essa dor à fraqueza, pois no limite, as pessoas que se deixam abater não foram fracas, foram fortes, durante demasiado tempo.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Síndrome de Burnout - O esgotamento no trabalho



Todos nós conhecemos o stress do dia a dia no emprego, as situações quase limite com que temos de lidar e o excesso de competitividade que quase nos enlouquece dia após dia, mas se se sente à beira do abismo, dê um grande passo atrás e faça uma pausa - você pode estar a sofrer de Síndrome de Burnout.




Esta síndrome é caracterizada por um cansaço extremo, resultante do acumular de situações stressantes e emocionalmente exigentes em contexto laboral, resultantes do excesso de trabalho, muitas vezes em más condições para o exercício da actividade.

A competitividade excessiva, a procura da perfeição ou a extrema insegurança e necessidade de aprovação, arrasta todos os anos, milhares de pessoas para este quadro.


Características do Burnout

Os principais sintomas associados à síndrome são o cansaço excessivo (físico e mental), insónia, dores de cabeça frequentes e dificuldade de concentração, sensação de desespero e pessimismo constante, alterações significativas de humor e problemas gastrointestinais, dores musculares e aumento da tensão arterial.

Muitas vezes ignorada pelo próprio paciente e até pelos profissionais de saúde, sendo eles próprios vítimas frequentes do problema, a Síndrome de Burnout pode conduzir o paciente a quadros graves de depressão, enxaquecas e abuso de substâncias.


Fugir ao esgotamento

Uma vez instalada, a Síndrome de Burnout vai diminuir de forma muito significativa a produtividade do doente no trabalho e a sua qualidade de vida no geral. Tratamento farmacológico e psicoterapia serão necessários para uma recuperação gradual do seu estado saudável. Tratamentos longos, dispendiosos e, no que diz respeito aos fármacos, com possíveis efeitos secundários.

Assim sendo, é importante que tenhamos uma atitude preventiva e procuremos em cada fase da nossa vida equilibrar o trabalho, o lazer e a família, de forma a podermos disfrutar dos pequenos prazeres da vida a cada momento.

Tenha objectivos, delimite-os de forma realista e consistente e trabalhe neles de forma responsável e nunca, até à exaustão.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Depressão Crónica ou a Eterna Melancolia



Melancolia, um sentimento muito explorado pelos escritores românticos como o êxtase do amor, pode na verdade, revelar um problema de saúde psicológico que poucos levam a sério.

Segundo a OMS, estima-se que 340 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de depressão. A apatia e a falta de energia acompanham os quadros de depressão, já nada parece dar prazer e tudo é feito com muito sacrifício tornando-a uma doença bastante incapacitante.

Há pessoas que vivem assim toda a sua vida, muitas vezes, sem que ninguém à sua volta dê por isso.




Distimia - A Depressão Invisível

Ainda há muita desinformação sobre a depressão, deixando os doentes ainda mais vulneráveis. A maioria das pessoas ainda associa uma depressão a tristeza e lágrimas e o doente depressivo recebe com frequência comentários como “tu não pareces deprimido” de alguém que, propositadamente ou não, ignora o seu profundo sofrimento. A depressão crónica, bem mais comum do que se poderia pensar, é uma grande vítima desta desinformação.

Geralmente, com sintomas menos óbvios, a distimia parece ser uma forma de depressão mais “leve”, onde o doente, com esforço, consegue cumprir com a sua rotina, muitas vezes, ignorando ele mesmo o facto de estar doente.

São situações prolongadas que podem durar anos ou décadas e por isso, os sintomas acabam, na maioria das vezes, por ser vistos pelos outros como traços de personalidade do doente. Nada mais errado. O doente com distimia está em grande sofrimento e muitas vezes, ocorrem episódios de Depressão Major associados.

O “mau humor”, a falta de auto-estima e o pessimismo em relação a tudo são uma constante e o indivíduo com Distimia é incapaz de lutar contra elas, deixando-se arrastar através dos dias com todo esse peso nas costas.

Reconhecer que esses sintomas não são “normais” é o primeiro passo para uma mudança e a ajuda profissional é fundamental para ultrapassar o problema.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

6 Benefícios do Sol para a Saúde


Com o aumento dos casos de cancro de pele e outros problemas derivados de uma incorrecta exposição solar, o Sol é muitas vezes visto como um vilão, mas a verdade é que a exposição solar, quando feita com as devidas precauções, é muito importante e benéfica para a nossa saúde.


1. Vitamina D

Este é, talvez, o benefício mais amplamente discutido e estudado pelos cientistas. O sol é uma fonte inesgotável de vitamina D, que por sua vez é fundamental para a saúde do nosso corpo.

A vitamina D é responsável pela sintetização e absorção do cálcio, pelo que se torna indispensável no nosso organismo e ajuda-nos a prevenir a tão assustadora osteoporose. Para além disso, ajuda a prevenir outra doenças, como a diabetes ou doenças cardíacas.

Devido à redução do efeito de transformação das células é ainda uma boa ajuda na prevenção de certos tipos de cancro (especialmente do cólon, útero, mama e próstata).

A Vitamina D ajuda-nos ainda na regulação do nosso sistema imunitário podendo ser uma arma na prevenção de doenças auto-imunes, como a artrite reumatóide, doença de Crohn ou ainda, esclerose múltipla.


2.Combate a depressão e ansiedade

A exposição solar é uma boa ajuda para a sua saúde mental pois aumenta os níveis de serotonina no cérebro, o neutransmissor responsável pela regulação do humor.


3. Maior qualidade de sono

O sol tem um efeito benéfico e muito importante na regularização do ciclo do sono, diminuindo assim, os episódios de insónia.


4. Activa a circulação sanguínea

Os efeitos a nível da circulação são fundamentais, pois a exposição solar aumenta a concentração de glóbulos vermelhos, responsáveis pelo transporte do oxigénio no sangue. Para além disso, ajuda a reduzir a tensão arterial.


5. Estimula o sistema endócrino

Muitas vezes, o nosso organismo falha na absorção dos nutrientes contidos na nossa alimentação. A estimulação do sistema endócrino vai ajudar a facilitar essa tarefa.


6. Menos acne

Conhecido por ser um problema de adolescentes, a acne pode afectar qualquer pessoa, em qualquer idade. O sol tem um efeito poderoso em várias doenças de pele, como a acne, psoríase, eczema e infecções por fungos.




Não se esqueça!

Os benefícios do sol só podem ser realmente aproveitados quando a exposição é feita de forma correcta e saudável. Assim, evite a exposição solar entre as 11 e as 16 horas e use sempre protector solar, mesmo em dias nublados.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

A influência do clima na saúde mental: como enfrentar os dias cinzentos



Apesar do Verão ter oficialmente chegado, os dias continuam cinzentos e, às vezes, chuvosos e isso parece afectar o nosso humor e o das pessoas à nossa volta. Todos nós já nos sentimos mais desanimados ou com pouca energia num dia de chuva e frio. Muitas vezes, nem apetece levantar da cama, mas sim ficar deitado a ouvir o som da água a bater nos vidros.


Isto pode parecer algo muito pessoal mas na verdade é uma reacção comum e já foram feitos vários estudos científicos que visam compreender a relação entre o clima e o nosso humor.


A alegria da Primavera

A Primavera é, sem dúvida, a estação do ano em que a generalidade das pessoas parecem alegres. Os dias estão, geralmente, amenos, temos maior vontade de ir para a rua, conviver e sentimo-nos melhor, revigorados e com mais energia.

Um estudo publicado no MIT Technology Review, realizado entre os anos de 2009 e 2016 demonstrou que os dias de sol melhoram o humor, na sua generalidade. Enquanto que, os dias frios apelam mais ao recolhimento e isolamento, o que pode trazer alguns sentimentos depressivos. Vários estudos focam-se nos elevados índices de depressão nos países nórdicos, tendo como principal hipótese para o fenómeno as poucas horas de sol e o clima frio.

Por outro lado, o excesso de calor, apesar de não nos fazer sofrer tanto com as tendências mais depressivas, também não parece ser o mais adequado para o equilíbrio emocional do ser humano, pois estimula a agressividade. 


De que forma é que o clima influencia o nosso humor?

As explicações podem ser dadas tanto ao nível físico como psicológico. Do ponto de vista físico e biológico, a exposição à luz solar traz inúmeros benefícios. Estimula a produção de Vitamina D, essencial à nossa saúde, bem como a produção de serotonina, dopamina e melanina, que proporcionam bom humor, energia e regulação dos ciclos do sono.

Por outro lado, do ponto de vista psicológico e sendo o ser humano um ser social, a maior tendência para sairmos à rua e socializarmos nos dias de sol, vai proporcionar mais bom humor e bons momentos passados com os amigos, ao invés de nos fechar-nos em casa com os nossos problemas.


Como combater a tristeza dos dias cinzentos 

Apesar de tudo, não devemos subjugar-nos ao cinzento dos dias, sem combater o sentimento de tristeza e desolamento que estes nos provocam.

Alguns truques podem ser essenciais para o ajudar a ultrapassar os Invernos mais rígidos e as Primaveras ou Verões mais chuvosos.

Alimentação - A alimentção tem um papel fundamental no nosso bom humor, embora nem sempre lhe demos o devido valor. Para que a chuva não o entristeça procure consumir mais produtos de origem vegetal e integrais.

Exercício Físico - O exercício físico aumenta a produção de endorfinas que o ajudam a sentir-se bem. Procure fazer algum exercício, quem sabe algum desporto ou actividade típica de Inverno. 


Ciclo de Sono - Dormir bem é fundamental para nos sentirmos bem. Procure deitar-se cedo, de modo a dormir 7 a 8 horas por noite. Se tem dificuldade em adormecer, largue o telemóvel e pegue num livro. Dormirá melhor.

Vestuário - A forma como nos vestimos influencia e muito o nosso humor. No Inverno há uma maior tendência para roupas mais simples, de cores escuras ou neutras. Experimente vestir umas roupa coloridas e colocar alguns acessórios.

domingo, 11 de março de 2018

A ansiedade e os Problemas Gastrointestinais


Todos nós já passamos por uma situação de stress em que sentimos as vulgares dores de barriga, ou o estômago a apertar-se e sentimo-nos quase sufocar, apesar de sabermos que não há problema absolutamente nenhum com os nossos órgãos. Esta é uma resposta normal do nosso organismo à ansiedade, mas pode tornar-se numa situação patológica.




São vários os sintomas que, sendo reflexo de problemas de ansiedade, se reflectem a nível gastrointestinal. Os mais conhecidos e vulgares são as famosas náuseas, distensão e dor abdominal, excesso de gases (flatulência) e consequentes cólicas. Apesar de ser possível determinar do ponto de vista físico o porquê disto acontecer (de forma muito rápida e simples, está associado à movimentação do fluxo sanguíneo e água do organismo onde esta é mais precisa, negligenciando a digestão e a hidratação, por exemplo), não há uma justificação médica, como uma infecção ou patologia para o acontecimento das mesmas. Assim, sabemos que se trata, pura e simplesmente, de ansiedade.

A ansiedade é um mal cada vez mais comum e é raro encontrarmos uma pessoa que não se deixe afectar pela mesma num mundo em constante movimento e com desafios cada vez maiores e mais complexos para enfrentar. No entanto, quando entramos num nível de ansiedade constante, e portanto, patológico, podemos deparar-nos com o desenvolvimento de problemas sérios, a nível gastrointestinal.

Assim, a usual dor de barriga pode evoluir para situações como, por exemplo, a Síndrome do Intestino Irritável (estudos demonstram que 40 a 60% dos pacientes sofrem de depressão ou ansiedade) ou o Refluxo Gástrico, que se trata de uma subida do suco gástrico ao esófago provocando, na melhor das hipóteses, grande desconforto.


Porquê?

O aumento generalizado dos níveis de ansiedade na população, a par com o aumento de doenças como a Síndrome do Intestino Irritável levaram ao desenvolvimento de uma série de estudos, recentemente, que visam tentar entender a ligação entre estes dois fenómenos.

Os resultados indicam uma estreita ligação entre o cérebro e o sistema gastrointestinal, sendo que estes se influenciam mutuamente.

A ligação entre problemas psicológicos como a depressão e ansiedade e os problemas gastrointestinais parece ocorrer nos dois sentidos, isto é, não só os primeiros provocam os problemas gastrointestinais, como há evidências de que certos desarranjos e alterações a nível da flora intestinal, possam desencadear períodos depressivos e/ou de grande ansiedade nos doentes. 

Por outro lado, demonstrou-se que o tratamento dos problemas gastrointestinais, especialmente, a Síndrome do Intestino Irritável são mais eficazes se ocorrerem passo a passo com o tratamento da ansiedade e depressão e técnicas para reduzir os níveis de stress na vida do paciente.


Cada vez mais, a medicina reconhece a ligação entre o físico e o psicológico e promove a administração de tratamentos, realizados no âmbito desta interacção.