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quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Como uma ida ao dentista pode evitar problemas cardíacos?

 


Quando pensamos em dentista e saúde oral pensamos normalmente num sorriso branco e bonito, hálito fresco e uma estética impecável. No entanto, manter a higiene e saúde da sua boca é muito mais do que isto e tem um impacto bem maior na sua vida.

A boca está ligada aos órgãos do corpo através da corrente sanguínea. Assim, as bactérias que provocam as cáries facilmente se espalham, acabando inevitavelmente por chegar ao coração e gerar diversas patologias.

A sua boca é uma porta de entrada para agentes patogénicos

O corpo humano é uma entidade muito complexa e funciona pelo meio da interação entre todos os seus órgãos. Nenhuma parte pode ser pensada sem considerar as interações que tem com o todo. Desta forma, a nossa boca vai comunicar com os restantes órgãos, neste caso específico com o coração, por meio de fluidos.

O problema é que a nossa boca é a principal porta de entrada para bactérias e outros microorganismos patogénicos, que irão circular através do sangue e alojam-se, maioritariamente, no tecido que reveste o coração - endotélio. Assim, a nossa boca precisa de cuidados extra de higiene para nos mantermos saudáveis.

A doença cardíaca

O Instituto do Coração estima que 36% das mortes derivadas de problemas cardíacos e 45% das doenças cardíacas têm origem em problemas da boca - cáries profundas, gengivas inflamadas, abcessos…

Num paciente com imunidade baixa, devido à idade ou outras doenças, isto torna-se um problema ainda maior. O seu corpo não luta eficazmente contra os agentes patogénicos invasores e pode, com alguma facilidade, desenvolver um quadro de endocardite bacteriana - infeção que afeta o revestimento interno do coração.

No entanto, estas bactérias podem provocar mais do que infeções. A sua disseminação na corrente sanguínea pode levar ao acumular de gordura nas paredes das artérias, prejudicando o natural fluxo sanguíneo, para além de colonizarem potenciais válvulas do coração já danificadas ou enfraquecidas. Com o tempo, isto poderá traduzir-se em aterosclerose, arritmia, ou acidentes vasculares cerebrais.

Os mais vulneráveis

A doença da boca é sempre um risco, mas naturalmente, que os pacientes que exibem problemas crónicos, como gengivite ou doença periodontal são os mais vulneráveis ao desenvolvimento dos problemas cardíacos. Maus hábitos de higiene são o principal fator de risco.

Naturalmente, o paciente que já tem questões do foro cardíaco é umas das principais vítimas, especificamente más formações de válvulas ou próteses nas mesmas. Estes pacientes têm maior probabilidade de desenvolver Endocardite Bacteriana, que pode, no pior cenário, ser fatal. A estes pacientes é exigido cuidados recobrados com a saúde oral, e nalguns casos aconselha-se mesmo a toma de antibióticos antes de determinadas intervenções para prevenir que as bactérias se instalem na região cardíaca.

Sintomas e Sinais

A patologia ao nível da boca não se restringe apenas às cáries. Há outros sinais de que algo não está bem e que são tão responsáveis pelo desenvolvimento de doença cardíaca como as cáries.

A gengiva avermelhada, por vezes a sangrar, mau hálito frequente ou qualquer sinal de infeção são alertas importantes, assim como o amolecimento de alguns dentes. Se detetar qualquer um destes sinais, deve dirigir-se imediatamente ao seu dentista.  

Uma nova visão no cuidado do coração

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo. Cerca de um terço das mortes anuais devem-se a elas, por isso a prevenção está na ordem do dia.

A forte correlação entre a doença cardiovascular e a saúde oral dá-nos uma nova perspetiva sobre os cuidados com o coração, que não deve ser, de todo, ignorada. O nosso corpo funciona como uma máquina perfeita e qualquer peça defeituosa põe em causa o correto funcionamento do todo.  


quarta-feira, 25 de abril de 2018

A Obesidade não é uma questão meramente estética


A obesidade é um problema cada vez mais frequente na sociedade moderna, tendo sido já considerado pela Organização Mundial de Saúde uma epidemia. No entanto, a maioria da população ainda pensa no excesso de peso como uma questão meramente estética e se isso é o suficiente para alguns o combaterem, para outras pessoas é a desculpa perfeita para não terem de agir.




Os números têm vindo a aumentar gradualmente nos últimos anos e estima-se que, em Portugal, metade da população tenha excesso de peso e um milhão de portugueses foi diagnosticado com obesidade. Segunto a Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação, o sexo masculino é o mais atingido pelo problema.

Estes números são assustadores e continuam a aumentar constantemente, em grande parte devido ao tipo de vida que levamos nas sociedades modernas, cada vez mais sedentário e, a uma alimentação rica em açúcar e gorduras saturadas.


Consequências do Excesso de Peso

Apesar destas serem ainda ignoradas por muita gente, a verdade é que o excesso de peso traz consequências gravíssimas para a sua saúde física e mental.

A acumulação de gordura no organismo favorece o surgimento de doenças como a Diabetes Mellitus tipo II e hipertensão arterial, aumenta o risco cardivascular e causa problemas respiratórios graves devido ao esforço adicional que o corpo tem de fazer para inspirar o oxigénio suficiente.

Do ponto de vista psicológico, o excesso de peso e obesidade vai ter impacto a nível da auto-estima e capacidade de adaptação social, aumentando a possibilidade do doente vir a sofrer de depressão e ansiedade.


Prevenir e Combater a Obesidade

O actual estilo de vida e alimentação é, como já vimos, um forte potenciador para o desenvolvimento deste problema, por isso, cabe-nos a nós ter uma postura de prevenção activa e combater energicamente o excesso de peso.

Conhecer os alimentos e os seus nutrientes e respeitar as proporções representadas na Roda dos Alimentos é fundamental. Muitas vezes, esquecemo-nos deste guia que é a Roda dos Alimentos. Observe-a bem, veja as proporções para cada grupo de alimentos e tente respeitá-las quando prepara o seu prato. Verá que faz uma grande diferença.

Coma pouco e muitas vezes. Com certeza, já ouviu dizer que devemos comer a cada 3 ou 4 horas, e é verdade. Evita ataques de fome descontrolados e ajuda a controlar o nosso metabolismo.

Outro factor muito importante para prevenir a obesidade é o exercício físico. Não precisa pagar um ginásio caro e enfiar-se lá horas a fio. Pode começar por fazer umas boas caminhas por dia, sair na paragem anterior quando vai de autocarro para o trabalho, dar passeios a pé na sua hora de almoço…


Não se esqueça que é importante um acompanhamento profissional e personalizado para que perca peso em segurança e de forma saudável, pelo que se já tem excesso de peso ou obesidade, o melhor a fazer é, para além de seguir os conselhos anteriores, consultar um médico ou nutricionista. Podem ser uma ajuda valiosa nesta árdua batalha.


quinta-feira, 29 de março de 2018

Principais Benefícios do Exercício Físico para a sua Saúde Física e Mental



Não é surpresa para ninguém que o exercício físico é bom para a saúde. É, na verdade, a grande luta do século XXI, quando tudo é automatizado e não precisamos de grande esforço para fazer a maioria das coisas, manter um nível de actividade saudável. O sedentarismo e suas consequências matam todos os dias, centendas (ou mais) de pessoas em todo o mundo, tornando cada vez mais importante que as pessoas tomem consciência da sua importância.




Benefícios para a Saúde Física

A sociedade moderna depara-se todos os dias com o flagelo do sedimentarismo, cujas consequências podem ser em grande parte evitadas por um pouco de actividade física.


1. Melhor actividade cardiovascular e respiratória

A actividade física ajuda a reduzir os factores de risco para problemas como o enfarte do miocárdio ou Acidentes Vasculares Cerebrais (reduzindo o mau colesterol e controlando a tensão arterial). 

Mesmo quando estes problemas ocorrem, a taxa de morbilidade e mortabilidade é significativamente reduzida em pacientes fisicamente activos.


2. Diminuição da Incidência de Diabetes tipo II

A diabetes é provocada por um deficiente funcionamento do pâncreas. O exercício físico ajuda a melhorar o funcionamento dos órgãos na sua generalidade. 

Para além disso, no caso específico da diabetes tipo II, um dos grandes factores de risco é o aumento de peso e consequente aumento do perímetro abdominal, mais facilmente controláveis pela prática de actividade física.


3. Previne a Osteoporose

A prática de exercício físico regular potencia o aumento da massa óssea e previne a sua perda.


4. Aumento do Metabolismo em Repouso

A prática de exercício físico não só auxilia directamente à perda de peso, como ajuda o nosso organismo a controlá-lo, através do aumento do metabolismo.

O metabolismo é ainda responsável pela produção de energia do organismo, ajudando-nos a ficar mais fortes e resistentes.


5. Melhoria da função imunitária

A prática de exercício regular, mantém o corpo mais activo e menos susceptível a doenças como a gripe.


6. Diminui as insónias

O seu corpo vai querer compensar a actividade exercida, assim quando chegar à noite, vai descansar melhor, tendo um sono menos agitado e acordando menos vezes durante a noite. No dia seguinte, vai sentir-se muito mais descansado e relaxado.




Benefícios para a Saúde Mental

A saúde mental continua a ser um dos pontos mais negligenciados por todos nós, atribuindo-lhe menos importância do que esta tem na realidade. O exercício físico é uma forma de o ajudar a sentir-se melhor também a nível psicológico e emocional.


1. Auto-estima

A prática de exercício físico é um bom auxiliar no desenvolvimento da sua auto-estima. Superar os desafios que o mesmo lhe vai impondo, bem como a perda de peso e melhor forma física contribuem bastante para que se sinta bem consigo mesmo.


2. Aumento da sensação de bem-estar

Durante a prática da actividade física, o corpo produz endorfinas, vulgarmente conhecidas como as hormonas do bem-estar. Isto vai ainda proporcionar uma melhoria de quadros de depressão e ansiedade.


3. Diminui o stress

A prática de exercício físico tem duas formas de agir sobre este terrível companheiro da vida moderna. Durante a prática do mesmo, proporcionamos a nós mesmos, um tempo de afastamento e distracção dos problemas do quotidianos, mas não só. Após o exercício irá dar-se uma diminuição dos níveis de adrenalina e cortisol no nosso organismo, fazendo-nos sentir mais relaxados.


4. Melhor memória e capacidade de concentração

A prática regular de exercício físico vai proporcionar um aumento da produção de neurotransmissores que promovem a reparação celular do cérebro.



Por todos estes motivos, deve rever o seu dia a dia e encaixar nele um pouco de exercício, de acordo com as suas preferências, pois ajudá-lo-á a sentir-se melhor e mais saudável.

De acordo com o American College of Sports Medicine, para obter todos estes benefícios, deve realizar pelo menos 30 minutos diários de exercício, durante 4 ou mais dias por semana.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Doença de Addison


A Doença de Adisson foi descrita pela primeira vez em 1849, pelo médico inglês Thomas Addison e trata-se de uma insuficiência suprarenal crónica, isto é, as glândulas suprarenais não produzem em quantidade suficiente, as hormonas esteróides essenciais à nossa vida, como é o caso do cortisol (fundamental na resposta ao stress), dos androgénios (que actua no desenvolvimento e manutenção dos órgãos sexuais) e da aldosterona, que controla a absorção do sódio pelo nosso organismo.

Em grande parte dos casos, este problema está ligado a uma atrofia destas glândulas, mas também pode ocorrer por outros motivos, como por exemplo, trauma.

É bastante frequente que, esta condição, ocorra em coexistência com diabetes ou hipotiroidismo.


O que acontece no nosso organismo?

Os doentes com Addison apresentam uma deficiência em dois tipos de hormonas: mineralocorticoides e glicocorticóides, cada um deles, com diferentes actuações.

No caso dos mineralocorticóides, a sua função passa por estimular a absorção do sódio e a excreção do potássio. Assim, a sua baixa concentração, vai aumentar a quantidade de potássio no nosso organismo e diminuir o sódio, provocando uma perda de sal e água na urinda, que se traduzirá em desidratação, hipotensão, acidose e diminuição do volume circulatório, que pode ir até mesmo ao colapso circulatório.

Em relação aos glicocorticóides, a sua diminuição vai traduzir-se em hipoglicémias frequentes, que, a longo prazo, traduzir-se-ão em disfunção neuromuscular, menor capacidade de resposta do organismo a infecções, traumas e stress, fraqueza do miocárdio e desidratação. Poderá ainda provocar hiperpigmentação da pele, que é, de resto, um dos sintomas mais conhecidos de Addison.


Sintomas

Inúmeros sintomas podem ocorrer, dependendo do organismo e resistência de cada pessoa, por isso, vou apenas listar os mais comuns e fáceis de identificar.

Os primeiros sintomas ocorrem, muitas vezes, em períodos de grande stress e são, maioritamente, a fadiga, fraqueza e hipotensão. 

Com o desenvolver da doença, os doentes começam a notar hiperpigmentação (quer em forma de bronzeado generalizado, quer através de manchas focais pretas), começam a surgir crises de náuseas, vómitos e diarreia. O paciente desenvolve menos tolerância ao frio. As tonturas ocorrem com frequência, podendo mesmo ocorrer a síncope. A perda de peso e desidratação estão normalmente presentes.

O início dos sintomas mais graves ocorrem, na grande maioria das vezes, em situações de infecção aguda, trauma, cirurgia ou perda de sódio devido a sudorese excessiva.


Addison em números

A doença de Addison desenvolve-se em cerca de 4 por cada 100 000 pessoas anualmente e atinge indiscriminadamente homens e mulheres de todas as idades, sendo a prevalência igual em ambos os sexos.


Tratamento

O início da doença e os primeiros sintomas são suficientemente subtis para que esta passe desapercebida por muito tempo, mas, a partir do momento em que seja diagnosticada, o seu médico vai querer atacá-la imediatamente. O tratamento consiste, tão simplesmente, na administração das hormonas em falta.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Os Jovens e a Tensão Alta



A tensão arterial é a pressão que o sangue exerce nas paredes das artérias por onde circula. Quando medimos a tensão são nos dados dois valores, vulgarmente conhecidos como a máxima e a mínima.

Os valores da tensão máxima, ou sistólica, referem-se ao valor máximo alcançado com a contracção do coração (sístole) e os seus valores normais, para um adulto saudável, devem situar-se entre os 100 e 139 mmHg. Por outro lado, a tensão mínima, ou diastólica, compreende o valor mínimo de pressão, quando o coração se distende e relaxa (diástole) e os seus valores devem situar-se entre os 60 e os 89 mmHg.

Os cuidados com os valores da tensão arterial estão muito frequentemente associados à idade, pelo que os jovens pouca ou nenhuma importância lhe dão, no entanto, esta perspectiva está cada vez mais errada. 

Quando falamos em problemas de tensão, estamos maioritariamente a referir-nos à, infelizmente, tão vulgar, tensão alta (valores de máxima e mínima iguais ou superiores a 140/90, respectivamente) e apesar do envelhecimento ser apontado como uma das principais causas, dizer que é um problema da terceira idade é uma das afirmações mais erradas que se podem fazer.

Estima-se que, actualmente, em Portugal, 1/3 da população adulta sofra de hipertensão arterial e que 1 em cada 10 jovens com menos de 20 anos também sofra do problema. Estas são estatísticas assustadoras que nos levam a questionar o porquê destes números.

Ao longo do tempo, inúmeros estudos foram feitos para encontrar uma justificação para esta nova realidade. Os resultados apontam para o estilo de vida pouco saudável que levamos hoje em dia, com alimentação à base, maioritariamente, de alimentos super processados, sedimentarismo e elevado stress emocional oriundo de todas as exigências que o mundo de hoje nos obriga a enfrentar.

Se juntarmos a estes problemas, o aumento de doenças como a diabetes e a obesidade (também elas, fruto deste nosso novo estilo de vida) temos o cenário perfeito para a hipertensão arterial e respectivas consequências.




Consequências da Hipertensão Arterial

Quando temos um problema comum, daqueles que toda a gente tem, tendemos a achar que não é assim tão importante, ou pelo menos, não é assim tão grave, é comum, todos têm.

No entanto, como podem imaginar, a quantidade de doentes não está directamente relacionada com a gravidade do problema. Neste caso, podemos estar a falar de consequências muito graves e causadoras de grandes níveis de morbilidade e, em última análise, de mortalidade.

Estamos a falar de problemas cardíacos graves, como a insuficiência cardíaca, ateroesclorose, potencial desencadeadora de AVCs e ataques cardíacos, perda de visão e até mesmo, insuficiência renal. Por isso, devemos focar-nos na prevenção.


Prevenir, prevenir, prevenir

Cada vez mais, os médicos incentivam os seus utentes a ter uma atitude pró-activa de prevenção, que não só lhes traga melhor qualidade de vida, como ajude a tornar sustentável o Sistema Nacional de Saúde, já muito sobrecarregado com doenças crónicas.

Para um adulto saudável, é fundamental cuidar da sua alimentação e manter uma vida activa. A actividade física é fundamental para a sua saúde, no entanto, no que diz respeito à tensão alta, deve evitar esforços excessivos (como levantar ou empurrar objectos muito pesados).

No que diz respeito, à alimentação reduza o sal e álcool.

Deixe de fumar, controle o seu peso e faça uma gestão adequada do stress diário. A planificação das tarefas pode ser uma grande ajuda neste sector.

A prevenção é fundamental, mas não deixe de medir a sua tensão. Um adulto saudável, deve faze-lo, no mínimo, uma vez por ano. Desta forma, notará qualquer oscilação e em conjunto com o seu médico poderá atacar o problema desde o início, não permitindo que o mesmo se desenvolva a um ponto quase irreversível.

Se nestas medições, encontrar a chamada tensão máxima entre os 120 e os 140 mmHg, cuidado! Esta situação chama-se de pré-hipertensão e requere atenção imediata. Converse com o seu médico e melhore o seu estilo de vida.

E em última análise, o melhor conselho é: vão passear.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Colesterol e Alimentação

Para além do combate ao sedimentarismo, a alimentação é o principal ponto de conversa quando o médico nos diz que o nosso colesterol está elevado. Os meios de comunicação social bombardeiam-nos com alimentos artificialmente modificados para nos ajudar no combate a este inimigo da sociedade moderna e há 1001 dietas para nos ajudar a baixar o colesterol.

Sem dúvida que a alimentação, especialmente a má alimentação, que a grande maioria de nós faz hoje em dia, é a principal responsável pelos elevados índices de mau colesterol na sociedade moderna ocidental, mas vamos tentar perceber melhor de que forma é que isso acontece.

Em primeiro lugar, é importante perceber que o elevado consumo de gorduras saturadas, baixo consumo de fibras e o excesso de açúcar são os principais responsáveis pelo aumento do colesterol e o pior, são os principais componentes da nossa alimentação.




A gordura saturada está presente nos alimentos de origem animal (especialmente bovinos, borrego e cabrito) e os derivados dos mesmos, como os enchidos, por exemplo. As refeições rápidas que comemos em qualquer restaurante de fastfood e a comida pré-confeccionada que facilmente se insere no microondas contém demasiado sal, demasiado açúcar, demasiado gordura e são alimentos altamente processados que constituem um perigo ainda maior, não só para o aumento de colesterol mas como de diversas outras doenças.

A diminuição do consumo deste tipo de alimentos e das gorduras anteriormente referidas é fundamental, bem como a diminuição do consumo de açúcar. O açúcar, tal como nós o conhecemos é um alimento processado, sem qualquer valor nutritivo e que contribui para o aumento de peso e, na verdade, é perfeitamente inútil, pois há inúmeros alimentos que já contêm, por si só, açúcares naturais e portanto, muito menos perigosos, como é o caso do mel, da fruta e dos lacticínios (em relação aos últimos deve optar pelos magros). Claro que isto não significa que podemos, ou devemos, consumi-los irresponsavelmente. O segredo para uma boa alimentação é sempre o equilíbrio e a variedade.

Outra fonte fundamental de auxílio ao controlo dos níveis de colesterol é a fibra. Esta está presente na fruta, nos vegetais, leguminosas, cereais integrais e é muito importante, pois controla o apetite (que ajuda no controlo do peso) e aumenta a excreção do colesterol a nível intestinal.


Comer bem não é não comer

Antes de iniciar qualquer regime alimentar, seja este porque motivo for, deve lembrar-se que uma dieta saudável é uma dieta onde ingerimos um pouco de tudo, sempre com moderação.

Para o ajudar a reduzir o colesterol, deve então aumentar significativamente o consumo de vegetais, 2 a 3 peças de fruta por dia, consumir cereais integrais e aumentar o consumo de peixe, especialmente peixes gordos.

Quanto ao consumo de carne, deve diminuir o consumo de carnes vermelhas, preferindo sempre que possível, as carnes brancas, como o frango, retirando sempre a pele e a gordura visível.

Sementes, frutos secos e leguminosas devem fazer parte da sua alimentação e o azeite e cremes vegetais devem substituir, óleos, banha e manteiga.

Por fim, deve evitar a ingestão de todo o tipo de alimentos processados, sejam estes de charcutaria, ou pastelaria e snacks doces e salgados, sempre com grandes quantidades de gordura e açúcares. As bebidas alcoólicas devem ser evitadas, ou consumidas em pequenas quantidades.

E lembre-se: moderação é a palavra-chave!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Colesterol - desmistificar para vencer


Todos os dias ouvimos falar em colesterol, é algo tão comum, que se torna normal. Estima-se que aproximadamente 1/4 da população portuguesa apresente níveis de colesterol de risco muito elevado, o que significa, maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares.

Apesar dos riscos, para a maioria das pessoas, colesterol é apenas uma palavra. Como discutido anteriormente o conhecimento do doente é fundamental para o sucesso do tratamento, por isso, vamos desmistificar.




O que é o Colesterol e quais os problemas associados?

O Colesterol é um tipo de gordura presente nas nossas células e que a níveis equilibrados contribui para o bem-estar e correcto funcionamento do nosso organismo. Para além disso, é fundamental para a produção de Vitamina D, que facilita a absorção do cálcio e ajuda à regulação do humor e dos ácidos biliares que ajudam a uma boa digestão. Incrível, não é? 

Entao, quando começa o problema?

O problema do colesterol começa com o desiquilíbrio e a subida daquilo a que chamamos o mau colesterol, que vai provocar um aumento de gordura nos vasos sanguíneos, que com o passar do tempo, irá dificultar a passagem do sangue e conduzir a problemas vasculares, com consequências graves.



Tipos de Colesterol

Apesar de se falar muito neste problema, o mesmo não é algo assim tão óbvio e linear, há diferentes tipos de colesterol e é importante que o doente tenha noção disso mesmo.

Comecemos então por falar do que costumamos chamar bom colesterol, isto é, Coleterol HDL. Neste caso, estamos a falar de substâncias que actuam como agentes de limpeza do organismo, conduzindo alguma da gordura depositada nos tecidos e nos vasos para o fígado, onde a mesma será eliminada. Recomenda-se que os seus valores estejam acima de 40 mg/dl, e para tal, o exercício físico e o controlo do peso é fundamental.

Mas como vimos, nem tudo é bom e temos o Colesterol LDL, também conhecido como mau colesterol e que é, geralmente a principal fonte de problemas no mundo moderno. Para uma vida saudável, os valores LDL devem estar abaixo dos 130mg/dl. Quando os níveis começam a subir, verifica-se a deposição de gordura anteriormente falada. Com o tempo, esta gordura formará placas que dificultam a passagem natural do sangue, podendo conduzir a Ataques Cardíacos e Acidentes Vasculares Cerebrais. Uma dieta com pouco açúcar, pouca gordura e exercício físico pelo menos 3 vezes por semana, contribuem para o controlo destes valores e suas consequências para a saúde.

Há ainda o Colesterol VLDL, menos conhecido da maioria das pessoas, mas igualmente importante. Este tem como principal função o transporte dos triglicerídeos e em valores elevados, aumenta o risco de doenças cardíacas. Os seus valores ideais situam-se nos 30mg/dl e nunca devem ultrapassar os 40mg/dl.

Por fim, devemos ainda falar do Colesterol Total, ou seja, a soma de todos os anteriores, cujos altos valores, eleva significativamente o risco de doenças cardiovasculares. Neste caso, os valores não devem ultrapassar os 190mg/dl. Quando o médico nos diz que temos o Colesterol demasiado alto refere-se, na maioria dos casos, ao valor do colesterol total. A situação pode ser ligeiramente amenizada se os valores LDL se encontrarem dentro da normalidade, não obstante, o paciente deverá reduzir a ingestão de alimentos ricos em gordura.


Aterosclerose

Como mencionado anteriormente, o aumento do colesterol (total e LDL) vai provocar uma deposição de gordura na parede dos vasos sanguíneos que vai dar início a um processo inflamatório: aterosclerose.

A aterosclerose provoca uma ridigez dos vasos sanguíneos, dificultando a circulação e obrigando a um esforço extra do coração para que a mesma se realize correctamente. Este problema está, assim, na origem de vários problemas cardiovasculares, como a hipertensão, insuficiência cardíaca, angina de peito, enfarde do miocárdio, acidente vascular cerebral, entre outros.

Estas doenças são a principal causa de morte em todo o mundo ocidental e estima-se que no nosso país, 2/3 da população adulta tenha o colesterol elevado.


O que fazer?

As consequências, como vimos, são significativamente graves e devemos ter isso em conta na hora de fazer um controlo adequado do nosso colesterol, através de análises sanguíneas regulares e seguindo sempre as indicações do médico. É importante que se mantenha a par dos seus valores e cuide dos mais novos, sim, mesmo abaixo dos 20 anos, especialmente se tiverem antecedentes familiares, excesso de peso, ou uma vida pouco activa, devem fazer análises ao colesterol quando forem fazer as análises regulares, afinal, não custa nada. 

Se por um lado, existem factores difíceis de controlar, como a hereditariedade ou o aumento da idade, muitos outros podem ser controláveis com a adopção de um estilo de vida mais activo e saudável (deixar hábitos tabágicos, por exemplo) e uma alimentação adequada.

Uma dieta equilibrada e pobre em gorduras é uma ajuda fundamental no controlo do colesterol. O consumo de álcool deve ser reduzido e o controlo do peso é indispensável. Uma boa rotina de sono, com 7 a 8 horas diárias e a prática de exercício físico regular, complementam o esforço em direcção a uma vida mais saudável e de qualidade.


Casos de Risco

Os antecedentes familiares são um dos principais factores a ter em conta para o risco de desenvolver colesterol elevador, mas não é o único. E se, neste caso, não podemos fazer nada, na maioria dos outros, o nosso estilo de vida tem uma palavra a dizer.

Assim, consideram-se dentro do grupo de risco todos os fumadores, diabéticos, hipertensos ou doentes vasculares. Estes grupos devem ter especial cuidado e vigiar frequentemente os seus níveis de colesterol. Se ainda não o tem, seja qual for o seu factor de risco, a prevenção activa (dieta e exercício físico) ajuda a reduzir os riscos.