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sexta-feira, 3 de abril de 2020

Impacto Quarentena na Saúde Mental


Com a rápida expansão do COVID-19, uma grande parte da população mundial está em situação de quarentena ou isolamento. Um isolamento social marcado pela ansiedade e pelo medo. Medo da doença, da morte, da perda de rendimentos… Que impacto psicológico podemos esperar desta situação?


Ansiedade


Os níveis de ansiedade na sociedade moderna são, por norma, bastante elevados. Numa altura de incerteza e falta de segurança nas diferentes áreas da nossa vida, estes níveis aumentam significativamente.

Com a generalização do isolamente começa a verificar-se um aumento significativo de problemas psicológicos em pessoas sem histórico anterior. Os problemas relacionados com o sono e a concentração são os primeiros sintomas, aos quais temos todos de estar atentos.

Medo e Solidão


Vivemos uma época de medo. Estamos todos à mercê de factores que não podemos controlar, o que nos coloca num estado permanente de ansiedade.

A possibilidade de ficarmos doentes, ou aqueles a quem amamos. A possibilidade de os perder. A quebra de rendimentos e o nosso emprego em risco. Uma série de factores que não controlamos e para os quais não temos qualquer solução.

Nesta fase, várias pessoas relatam comer desmesuradamente, fumar mais do que o habitual, passar horas à janela ou serem incapazes de se concentrarem em qualquer tarefa. Mesmo aquelas que por norma passam grandes períodos em casa, sentem-se alteradas. Afinal, a questão não é estar em casa, é não poder estar noutro lado. É o facto dessa decisão estar fora do nosso alcance.

Os níveis de stress sobem a pique, favorecendo o surgimento (ou agravamento) de problemas como as doenças cardiovasculares e a obesidade.

O sentimento de solidão aumenta. O facto de não sabermos quando o isolamento vai acabar, a insegurança, a frustração, a falta de informação adequada e o receio da escassez de alimentos aumenta, ainda mais, o medo.

Experiências Anteriores


Muitos de nós nunca se viram em tal situação anteriormente, no entanto, talvez se recordem da epidemia de SARS (Síndrome Respiratória Aguda) em 2002. Nessa época, o isolamento obrigatório também foi a solução encontrada nas zonas mais afectadas. As suas consequências podem dar-nos uma ideia do que nos espera quando tudo isto passar.

Segundo estudos feitos após a crise de SARS, depois do final do período de isolamento 29% dos indivíduos apresentavam sintomas associados a quadros de pós-stress traumático e 31% desenvolveram depressão. A grande maioria dos indivíduos revelaram sentimentos de confusão, raiva e ansiedade. 

Em Portugal, os governantes optaram por começar a pedir à população que optasse pela quarentena voluntária -  pedido esse muito criticado, devido à falta de cumprimento de uma larga franja da população. No entanto, do ponto de vista psicológico, esta seria a melhor solução, visto que a quarentena voluntária está associada a menos stress e menos complicações a longo prazo.

O exemplo da China


Na China, o primeiro país a sofrer com esta pandemia, o problema começa agora a ser ultrapassado e a vida a voltar lentamente ao normal. Pesquisadores da Universidade Médica Naval de Shangai fizeram um estudo preliminar para avaliar a predominância de Pós-stress traumático entre a população.

O estudo foi realizado através de questionários e concluiu-se que há uma prevalência de cerca de 5% na generalidade da população.

Tudo tem um lado Positivo


Apesar de todos os problemas, a quarentena é a nossa melhor arma para combater um inimigo que não se vê e que se espalha a uma velocidade alarmante. Por isso, não devemos deixar de abordar os pontos positivos que vão surgindo.

O principal é, sem dúvida, o aumento da solidariedade. As pessoas estão mais preocupadas com os outros, querem ajudar. Muitos, que às vezes nem conheciam os vizinhos, agora oferecem-se para ajudar os mais idosos ou doentes. Muita gente procura uma forma de se sentir útil e capaz. A união tem se espalhado e surgiram voluntários para as mais diversas tarefas. 

O planeta, ao contrário de nós, agradece esta pausa e recupera um pouco do excesso de poluição, retardando as  alterações climáticas que colocam em risco a nossa existência.

O que fazer para ultrapassar este período da melhor maneira?


A forma mais rápida de aumentar a ansiedade é ficar a pensar no mesmo assunto durante horas a fio. A nossa mente tem uma capacidade incrível para encontrar ainda mais problemas do que aqueles que já temos. Então procurem distrair-se, conectar-se emocionalmente com as pessoas que moram na mesma casa, brincar, conversar. Façamos todas aquelas coisas para as quais nunca há tempo ou disponibilidade.

Usem e abusem das possibilidades que a tecnologia nos oferece. Entrem em contacto on-line com outras pessoas regularmente.

Tentem criar uma rotina diária. Façam limpezas e organizem aquela gaveta que há muito tempo precisa de ser revista. Limpar e organizar coisas dá-nos uma sensação de controlo que é reconfortante em tempos como estes.

Meditem e façam exercício físico. Evitem comer todos aqueles snacks maravilhosos que estão na despensa, quando passam o dia todo sentados no sofá a ver filmes e séries.

Cuidem de vocês e mantenham-se informados. Escolham fontes fidedignas (cuidado com a informação falsa) e procurem informar-se da situação uma ou duas vezes por dia. 

Agora temos tempo


Levamos metade das nossas vidas a dizer que não temos tempo, que não podemos parar, que não sabemos mais para onde nos virar. Agora temos. Demasiado. Aproveitemos este tempo que não queríamos, mas que nos foi dado e façamos o melhor possível de uma situação má.

Crie uma rotina dentro de casa e mantenha o contacto com aqueles que mais gosta através do telefone ou internet.

Mantenha uma atitude positiva. Evite reclamar sobre aquilo que não pode fazer, procure novas coisas para fazer. Aprendamos a esperar.

segunda-feira, 23 de março de 2020

7 Mitos e Verdades sobre o COVID-19



As nossas vidas foram recentemente mudadas por completo. Assistimos, no passado dia 11 de Março, uma declaração de Pandemia. Do dia para a noite, vimos as nossas liberdades restringidas em nome da nossa saúde. Ainda há quem não compreenda o que se passa. Há quem desvalorize, ou quem viva num pânico incontrolável.

A desinformação e notícias falsas a circular nas redes sociais são muitas e servem apenas para aumentar o pânico ou levar-nos a ter comportamentos de risco.

Após uma pesquisa cuidada junto de fontes oficiais (OMS, DGS, entre outras), elaborámos este post que, esperamos, ajudará a compreender melhor o que estamos a enfrentar. Vamos desmistificar.

1. O uso de máscara evita a doença.


Mais ou menos. O uso de máscara diminui (muito) a possibilidade de infecção, mas não a impede por completo. Segundo a Organização Mundial de Saúde é mais eficaz o uso de máscara por um doente infectado, evitando contagiar outros, do que por pacientes saudáveis.

Se decidir usar máscara, deve trocá-la com frequência e não se esqueça de lavar adequada e frequentemente as mãos.

2. O COVID-19 é extremamente letal.


Mito. A taxa de mortalidade só é elevada em grupos de riscos, não fazendo do Coronavírus um vírus de grande perigo para a generalidade da população. No entanto, e essa sim é a maior preocupação, tem um elevado nível de transmissão.

3. Os animais domésticos podem transmitir a doença.


Mito. Muito se falou desta possibilidade há cerca de duas ou três semanas atrás, mas já veio provar-se falsa. Os animais domésticos não transmitem o vírus.

4. Distanciamento social ajuda a prevenir o contágio


Verdade. O distanciamento social é uma das medidas mais importantes. O vírus é transmitido pelas gotículas expelidas quando tossimos ou espirramos, por isso recomenda-se uma distância de 1 a 2 metros entre as pessoas para evitar o contacto com esses fluídos. 

Deve ainda cobrir a boca e o nariz quando espirra com um lenço descartável que deverá ser colocado no lixo imediatamente. Na impossibilidade de o fazer, cubra o rosto com o braço.

5. É possível prevenir o vírus com chá muito quente ou através do gargarejo de etanol, água salgada, etc.


Mito. Esta informação foi espalhada nas redes sociais, acompanhada do logótipo da UNICEF para lhe dar credibilidade. Não só é falsa, como até perigosa. Várias das substâncias que aconselhavam a ingerir são prejudiciais e podem povocar graves acidentes. A melhor forma de prevenir o vírus é lavar cuidadosamente as mãos.

6. Não precisamos de detergentes especiais para limpar as nossas casas.


Verdade. Segundo a Direcção Geral de Saúde, a limpeza com os detergentes habituais que todos temos em casa é o suficiente. No entanto, algumas falsas dicas indicavam que limpar superfíceis com vinagre evitava o contágio. Não há qualquer evidência de que isto seja verdade.

7. Sinto-me bem, posso fazer a vida normal.


Não é bem assim. Devemos proteger-nos a nós e aos outros. Há pacientes assintomáticos que transportam o vírus. Pode não ser perigoso para vocês e ser fatal para outras pessoas com quem contactam. Deve manter-se sempre o distanciamento, lavar as mãos e evitar sair de casa desnecessariamente.



Actualmente não existe tratamento para o Coronavirus. As autoridades chinesas anunciaram uma possível vacina que irá entrar em fase de testes em breve. O tratamento realizado é dirigido aos sintomas, como a febre, ou a tosse.

Se tiver sintomas não se dirija aos serviços de urgência, contacte a linha SNS24 - 808 24 24 24.