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segunda-feira, 26 de junho de 2023

Aumento dos Gânglios Linfáticos - O que pode ser?

 


Os gânglios linfáticos são pequenos nódulos que existem no nosso corpo com a importante função de filtrar as substâncias nocivas ao nosso organismo. Situados na zona do pescoço, axilas e virilhas, raramente damos por eles exceto quando estão alterados - inchaço.

A descoberta de um linfonodo inchado pode tornar-se num grande susto para qualquer pessoa, mas não é preciso entrar em pânico - maioria das vezes é um problema benigno.

Como funcionam os gânglios linfáticos?

Os linfonodos funcionam como um filtro do organismo. As substâncias chegam até eles por meio de uma fina rede de canais linfáticos, onde circula um líquido chamado linfa. A linfa é um líquido transparente que contém células, resíduos do organismo, vírus e bactérias.

É especialmente frequente o aumento dos gânglios linfáticos nas crianças até aos dois anos, cujo sistema imunitário está frequentemente a ser estimulado pelo contacto com todo o tipo de agentes patogénicos presentes no ambiente em redor - ganhando anticorpos essenciais.

Principais causas para o aumento dos linfonodos

Os linfonodos ou gânglios linfáticos incham como resposta do organismo a ameaças, sejam elas doença, infeção ou stress. Este inchaço é uma manifestação evidente de que o nosso corpo está a trabalhar ativamente para se livrar dos agentes indesejados.

Assim sendo, podemos afirmar que geralmente, o aumento dos linfonodos é de origem benigna - viroses, amigdalites, sinusites, ou outras doenças comuns. Contudo, é importante afastar a pior hipótese: linfoma.

O linfoma é um tipo de cancro que se origina no sistema linfático (tem dois tipos: Hodgkin e não-Hodgkin) e apesar de não ser comum, pode acarretar muita gravidade, especialmente o não-Hodgkin, pelo que não devemos ignorar o problema.

Clique na imagem para aumentar:

Como podemos verificar na tabela acima, há inúmeras razões para o aumento dos nódulos linfáticos, com diferentes graus de gravidade, pelo que deve considerar uma avaliação médica, especialmente se o inchaço demora mais do que alguns dias.

Avaliação médica

Para garantir que tudo está bem consigo, deverá procurar a ajuda médica para uma avaliação cuidada, especialmente se o inchaço não causar dor e os gânglios foram duros e poucos móveis.

Numa primeira abordagem, o médico irá recomendar uma ecografia da zona para visualização e perante essa imagem poderá recomendar outros exames para determinar a necessidade de tratamento.

Não dramatizar, nem ignorar

Os motivos para o aumento dos linfonodos são variados e com consequências de diferentes naturezas. O ideal será não entrar em pânico nem se preocupar demasiadamente. No entanto, isto não significa que deva ignorar por completo os sintomas.

Esteja atento ao seu corpo e consulte sempre um médico em caso de dúvidas.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Tudo o que precisa saber sobre a Meningite W




Observámos recentemente uma corrida desenfreada às farmácias em busca da vacina para protecção contra a Meningite W, provocando ruptura de stock da mesma. O pânico alastrou em muitos pais quando notícias do aumento de casos deste subtipo da doença chegaram à comunicação social. Terá todo este alarido razão de ser?

Meningite - principais preocupações 


A meningite é uma inflamação das meninges (membranas protectoras do cérebro e espinal medula) e pode ocorrer devido a uma larga variedade de factores.

Por ser uma doença grave, com elevada mortabilidade e morbilidade, a meningite é vista com muito receio entre a generalidade da população. Facilmente transmissível de pessoa para pessoa, através de gotículas de saliva ou secreção expelidas ao falar, tossir, espirrar ou beijar, é uma das principais preocupações de pais de crianças pequenas. 

Apesar de existirem várias recomendações no sentido de prevenir a doença, apenas a vacinação é realmente eficaz na hora de evitá-la. Dados governamentais relativos ao subtipo C demonstram bem este facto. Em 2002 foram diagnosticados 78 casos de Meningite C em Portugal. Em 2006, a vacina para combater este subtipo entrou para o Plano Nacional de Vacinação e em 2010 foram diagnosticados apenas 6 casos. 

Nimenrix - Sim ou Não?


Esta palavra, recentemente entrada no vocabulário da população geral é o nome da vacina que nos protege da Meningite W. Não havendo uma resposta absoluta à questão “Devemos ou não dar a vacina aos nossos filhos?”, alguma informação poderá ser útil na altura da decisão.

Em primeiro lugar, é importante saber que existem 12 subtipos ou serogrupos da doença, sendo que os mais comuns são o A, B, C, W e Y. A vacina Nimenrix fornece protecção contra os grupos A, C, W e Y.

Muitas pessoas se questionam actualmente porque a dita vacina não se encontra no Plano Nacional de Vacinação. É importante compreender que estamos a falar de um total de 8 casos numa população de cerca de 11 milhões de habitantes, o que não coloca a doença como uma ameaça à saúde pública.

Faz sentido a corrida à vacina?


Independentemente da sua escolha em relação à administração da vacina, nada parece justificar a corrida desenfreada à mesma. O aumento de casos relatado na comunicação social, apesar de estatisticamente significativo (60%), quando traduzido em números reais dá-nos uma perspectiva bem diferente: tivemos um aumento global de 5 para 8 casos.

Outro dado a ter em conta na hora de correr à farmácia é que todos os casos relatados ocorreram em adultos e não em crianças, pelo que não estamos em perigo de surto eminente em creches e infantários, como alguns pais em pânico acreditam.

No entanto, as estatísticas valem o que valem e nunca sabemos se seremos nós o caso num milhão. É de referir que existem alguns factores que se revelaram de maior risco para a aquisição da doença:

  • ter menos de um ano
  • ter o sistema imunitário em baixo
  • ter entre 16 e 23 anos
  • haver um surto da doença na comunidade


A opinião dos pediatras


Estamos numa fase de desenvolvimento enquanto sociedade em que muitos de nós queremos estar protegidos de tudo, enquanto alguns grupos se recusam a vacinar os filhos. Estas ideias contraditórias geram diversos conflitos e, muitas vezes, são a base para situações de pânico desnecessárias

A vacina Nimenrix não esgotou apenas em Portugal, mas em praticamente todos os países onde é comercializada. Estaremos a exagerar na preocupação?

Na sua generalidade, os pediatras são a favor da vacinação. Apesar de rara, a doença apresenta uma taxa de mortalidade entre os 10 e 15% e sequelas permanentes em 20 a 25% dos pacientes. Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, estamos a falar de uma taxa de mortabilidade muito superior à apresentada pelo sorotipo mais frequente - Meningite B - que se situa nos 7%.

Ponderando todos estes dados, a vacinação parece ser uma boa opção, mas provavelmente, não será necessário todo o pânico e corrida desenfreada às farmácias que se verificou.