segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

7 Alimentos que o Ajudam a Reduzir o Colesterol

Como referido anteriormente, o segredo para uma alimentação saudável é ter uma dieta variada e comer um pouco de tudo, desde que, com moderação.

No entanto, se mesmo assim, os seus níveis de colesterol estão acima do valor recomendado, aqui ficam alguns alimentos que poderão constituir uma ajuda adicional nessa luta. 




Azeite

Com certeza que o seu médico já o mandou substituir o óleo pelo azeite. O azeite é uma gordura saudável e há inúmeros estudos que o apontam como grande auxílio na redução do mau colesterol, aumentando ainda a concentração de anti-oxidantes.


Abacate

Segundo os especialistas, este fruto, infelizmente pouco presente nas mesas portuguesas, é fundamental para a redução do colesterol. Equilibra os valores do bom e mau colesterol e favorece a sua não fixação, devido à quantidade de fibra que contém.


Alcachofra

Amarga, mas de grande ajuda na luta contra o colesterol. Contém elevadas capacidades de protecção do nosso fígado, ajudando-o a filtrar todas as substâncias nocivas.


Frutos Secos

Todos os Natais fazem parte da nossa mesa, mas deviam fazê-lo durante todo o ano. Fontes de energia consideráveis, que contêm zero colesterol e muita fibra para impedir a sua fixação no nosso organismo.


Romã

A romã, como todos os frutos vermelhos tem propriedades anti-oxidantes, o que a torna especialmente atractiva para quem se preocupa com a sua saúde.
No caso do colesterol, ajuda a reduzir a acumulação de resíduos e pode ser consumida em sumo, mantendo todas as suas propriedades.


Feijão, grão, ervilhas

As leguminosas são alimentos bastante importantes para o nosso organismo e ajudam-nos a eliminar o mau colesterol, pois são excelentes fontes de fibras solúveis. Devem fazer parte, em quantidades moderadas da nossa alimentação diária.


Soja

Não faz assim tanto tempo que o nosso mercado alimentar foi invadido por muitos produtos de soja, para todos os gostos e ainda bem! A soja reduz o mau colesterol e oferece uma protecção cardiovascular extra. No entanto, é importante que seja consumida em formas que aproveitem as suas proteínas (tofu, bebidas tipo leite, sobremesas). Os rebentos de soja, facilmente encontrados em qualquer supermercado, têm um efeito mais reduzido no combate ao colesterol.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Colesterol e Alimentação

Para além do combate ao sedimentarismo, a alimentação é o principal ponto de conversa quando o médico nos diz que o nosso colesterol está elevado. Os meios de comunicação social bombardeiam-nos com alimentos artificialmente modificados para nos ajudar no combate a este inimigo da sociedade moderna e há 1001 dietas para nos ajudar a baixar o colesterol.

Sem dúvida que a alimentação, especialmente a má alimentação, que a grande maioria de nós faz hoje em dia, é a principal responsável pelos elevados índices de mau colesterol na sociedade moderna ocidental, mas vamos tentar perceber melhor de que forma é que isso acontece.

Em primeiro lugar, é importante perceber que o elevado consumo de gorduras saturadas, baixo consumo de fibras e o excesso de açúcar são os principais responsáveis pelo aumento do colesterol e o pior, são os principais componentes da nossa alimentação.




A gordura saturada está presente nos alimentos de origem animal (especialmente bovinos, borrego e cabrito) e os derivados dos mesmos, como os enchidos, por exemplo. As refeições rápidas que comemos em qualquer restaurante de fastfood e a comida pré-confeccionada que facilmente se insere no microondas contém demasiado sal, demasiado açúcar, demasiado gordura e são alimentos altamente processados que constituem um perigo ainda maior, não só para o aumento de colesterol mas como de diversas outras doenças.

A diminuição do consumo deste tipo de alimentos e das gorduras anteriormente referidas é fundamental, bem como a diminuição do consumo de açúcar. O açúcar, tal como nós o conhecemos é um alimento processado, sem qualquer valor nutritivo e que contribui para o aumento de peso e, na verdade, é perfeitamente inútil, pois há inúmeros alimentos que já contêm, por si só, açúcares naturais e portanto, muito menos perigosos, como é o caso do mel, da fruta e dos lacticínios (em relação aos últimos deve optar pelos magros). Claro que isto não significa que podemos, ou devemos, consumi-los irresponsavelmente. O segredo para uma boa alimentação é sempre o equilíbrio e a variedade.

Outra fonte fundamental de auxílio ao controlo dos níveis de colesterol é a fibra. Esta está presente na fruta, nos vegetais, leguminosas, cereais integrais e é muito importante, pois controla o apetite (que ajuda no controlo do peso) e aumenta a excreção do colesterol a nível intestinal.


Comer bem não é não comer

Antes de iniciar qualquer regime alimentar, seja este porque motivo for, deve lembrar-se que uma dieta saudável é uma dieta onde ingerimos um pouco de tudo, sempre com moderação.

Para o ajudar a reduzir o colesterol, deve então aumentar significativamente o consumo de vegetais, 2 a 3 peças de fruta por dia, consumir cereais integrais e aumentar o consumo de peixe, especialmente peixes gordos.

Quanto ao consumo de carne, deve diminuir o consumo de carnes vermelhas, preferindo sempre que possível, as carnes brancas, como o frango, retirando sempre a pele e a gordura visível.

Sementes, frutos secos e leguminosas devem fazer parte da sua alimentação e o azeite e cremes vegetais devem substituir, óleos, banha e manteiga.

Por fim, deve evitar a ingestão de todo o tipo de alimentos processados, sejam estes de charcutaria, ou pastelaria e snacks doces e salgados, sempre com grandes quantidades de gordura e açúcares. As bebidas alcoólicas devem ser evitadas, ou consumidas em pequenas quantidades.

E lembre-se: moderação é a palavra-chave!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Colesterol - desmistificar para vencer


Todos os dias ouvimos falar em colesterol, é algo tão comum, que se torna normal. Estima-se que aproximadamente 1/4 da população portuguesa apresente níveis de colesterol de risco muito elevado, o que significa, maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares.

Apesar dos riscos, para a maioria das pessoas, colesterol é apenas uma palavra. Como discutido anteriormente o conhecimento do doente é fundamental para o sucesso do tratamento, por isso, vamos desmistificar.




O que é o Colesterol e quais os problemas associados?

O Colesterol é um tipo de gordura presente nas nossas células e que a níveis equilibrados contribui para o bem-estar e correcto funcionamento do nosso organismo. Para além disso, é fundamental para a produção de Vitamina D, que facilita a absorção do cálcio e ajuda à regulação do humor e dos ácidos biliares que ajudam a uma boa digestão. Incrível, não é? 

Entao, quando começa o problema?

O problema do colesterol começa com o desiquilíbrio e a subida daquilo a que chamamos o mau colesterol, que vai provocar um aumento de gordura nos vasos sanguíneos, que com o passar do tempo, irá dificultar a passagem do sangue e conduzir a problemas vasculares, com consequências graves.



Tipos de Colesterol

Apesar de se falar muito neste problema, o mesmo não é algo assim tão óbvio e linear, há diferentes tipos de colesterol e é importante que o doente tenha noção disso mesmo.

Comecemos então por falar do que costumamos chamar bom colesterol, isto é, Coleterol HDL. Neste caso, estamos a falar de substâncias que actuam como agentes de limpeza do organismo, conduzindo alguma da gordura depositada nos tecidos e nos vasos para o fígado, onde a mesma será eliminada. Recomenda-se que os seus valores estejam acima de 40 mg/dl, e para tal, o exercício físico e o controlo do peso é fundamental.

Mas como vimos, nem tudo é bom e temos o Colesterol LDL, também conhecido como mau colesterol e que é, geralmente a principal fonte de problemas no mundo moderno. Para uma vida saudável, os valores LDL devem estar abaixo dos 130mg/dl. Quando os níveis começam a subir, verifica-se a deposição de gordura anteriormente falada. Com o tempo, esta gordura formará placas que dificultam a passagem natural do sangue, podendo conduzir a Ataques Cardíacos e Acidentes Vasculares Cerebrais. Uma dieta com pouco açúcar, pouca gordura e exercício físico pelo menos 3 vezes por semana, contribuem para o controlo destes valores e suas consequências para a saúde.

Há ainda o Colesterol VLDL, menos conhecido da maioria das pessoas, mas igualmente importante. Este tem como principal função o transporte dos triglicerídeos e em valores elevados, aumenta o risco de doenças cardíacas. Os seus valores ideais situam-se nos 30mg/dl e nunca devem ultrapassar os 40mg/dl.

Por fim, devemos ainda falar do Colesterol Total, ou seja, a soma de todos os anteriores, cujos altos valores, eleva significativamente o risco de doenças cardiovasculares. Neste caso, os valores não devem ultrapassar os 190mg/dl. Quando o médico nos diz que temos o Colesterol demasiado alto refere-se, na maioria dos casos, ao valor do colesterol total. A situação pode ser ligeiramente amenizada se os valores LDL se encontrarem dentro da normalidade, não obstante, o paciente deverá reduzir a ingestão de alimentos ricos em gordura.


Aterosclerose

Como mencionado anteriormente, o aumento do colesterol (total e LDL) vai provocar uma deposição de gordura na parede dos vasos sanguíneos que vai dar início a um processo inflamatório: aterosclerose.

A aterosclerose provoca uma ridigez dos vasos sanguíneos, dificultando a circulação e obrigando a um esforço extra do coração para que a mesma se realize correctamente. Este problema está, assim, na origem de vários problemas cardiovasculares, como a hipertensão, insuficiência cardíaca, angina de peito, enfarde do miocárdio, acidente vascular cerebral, entre outros.

Estas doenças são a principal causa de morte em todo o mundo ocidental e estima-se que no nosso país, 2/3 da população adulta tenha o colesterol elevado.


O que fazer?

As consequências, como vimos, são significativamente graves e devemos ter isso em conta na hora de fazer um controlo adequado do nosso colesterol, através de análises sanguíneas regulares e seguindo sempre as indicações do médico. É importante que se mantenha a par dos seus valores e cuide dos mais novos, sim, mesmo abaixo dos 20 anos, especialmente se tiverem antecedentes familiares, excesso de peso, ou uma vida pouco activa, devem fazer análises ao colesterol quando forem fazer as análises regulares, afinal, não custa nada. 

Se por um lado, existem factores difíceis de controlar, como a hereditariedade ou o aumento da idade, muitos outros podem ser controláveis com a adopção de um estilo de vida mais activo e saudável (deixar hábitos tabágicos, por exemplo) e uma alimentação adequada.

Uma dieta equilibrada e pobre em gorduras é uma ajuda fundamental no controlo do colesterol. O consumo de álcool deve ser reduzido e o controlo do peso é indispensável. Uma boa rotina de sono, com 7 a 8 horas diárias e a prática de exercício físico regular, complementam o esforço em direcção a uma vida mais saudável e de qualidade.


Casos de Risco

Os antecedentes familiares são um dos principais factores a ter em conta para o risco de desenvolver colesterol elevador, mas não é o único. E se, neste caso, não podemos fazer nada, na maioria dos outros, o nosso estilo de vida tem uma palavra a dizer.

Assim, consideram-se dentro do grupo de risco todos os fumadores, diabéticos, hipertensos ou doentes vasculares. Estes grupos devem ter especial cuidado e vigiar frequentemente os seus níveis de colesterol. Se ainda não o tem, seja qual for o seu factor de risco, a prevenção activa (dieta e exercício físico) ajuda a reduzir os riscos.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A Verdade sobre os Omegas e os Suplementos Alimentares

Todos os dias temos os ecrans das nossas televisões inundados com publicidade a suplementos alimentares de todo o tipo (muitas vezes de origem duvidosa) que fazem bem desde a unha do dedo mindinho do pé, até à cera dos ouvidos.

Falamos de cálcio, magnésio, vitaminas de todo o tipo e claro, um dos mais famosos: os Ómegas. Mas afinal o que é isto dos omegas?

Os ómegas 3, 6 e 9 são ácidos gordos que desempenham funções importantes no nosso organismo. Actuam ao nível do bom funcionamento do nosso metabolismo, sendo usados pelo nosso corpo como energia e até contribuem para o equilíbrio hormonal. O único problema é que, os mesmos, não são produzidos pelo nosso organismo.





Indústria de milhões

A indústria dos suplementos alimentares é actualmente um negócio de milhões. Com a nossa alimentação cada vez mais alterada e as doenças crónicas a disparar no mundo industrializado, são muitas as pessoas que recorrem aos mesmos para repor o que a nossa alimentação já não consegue fornecer.

Assim sendo, encontramos um cada vez maior número de pessoas que toma suplementos, no entanto, continuam a fazer uma alimentação desiquilibrada e de má qualidade. Será o suficiente? Não, nem pensar.

Do lado oposto, também temos as pessoas que tentam levar uma vida mais activa e saudável, se preocupam com a alimentação e complementam com os suplementos alimentares (sendo esta a real função deles, eles jamais substituem os cuidados com a alimentação). Então, posto isto, podemos ficar descansados?

Bem, infelizmente, a resposta é: não, não podemos. 




Há suplementos e suplementos

Como em tudo na vida, o mesmo tipo de produto pode ter diferentes qualidades conforme a empresa que o fabrica. Não estou aqui para aconselhar uma ou outra marca, mas sim para alertar para o facto de nem todos são bons.

Vamos lá ver. Têm ómegas? Sim, mas não substitui os que podemos adquirir naturalmente na alimentação, maioritamente no peixe, além disso, o nosso corpo não processa da mesma forma uma cápsula e um alimento. 

O peixe que comemos hoje em dia é maioritamente de viveiro, alimentado a farinhas e não tem, de maneira nenhuma, a qualidade nutritiva que já teve em tempos, mas continua a ser fundamental. 

Outro problema é a forma como o medicamento é processado, sim porque não nos podemos esquecer que se trata de um medicamento e muitas vezes, trás outros ingredientes na cápsula, até mesmo para conservação da mesma que podem, sem dúvida, ser prejudiciais à saúde, principalmente das pessoas mais sensíveis ou com problemas do foro gastrointestinal.

Por isso, quando pensar em adquirir algum destes suplementos, preste bastante atenção às reações do seu corpo, à validade do medicamento e se ele se deteriora com facilidade, pois eles não são todos iguais!


Mas afinal de contas, funciona?

Esta é uma questão que pode ser um pouco difícil de responder. Em primeiro lugar, se o medicamento for fidedigno e seguir todos os protocolos de qualidade, mal não fará.

Em segundo lugar, é verdade que o nosso corpo precisa dos ómegas e que eles trazem benefícios para a saúde, mas também o é, que um comprimido jamais poderá substituir por completo os nutrientes fornecidos pela nossa alimentação e que o nosso organismo nunca vai provessar um e outro da mesma forma.

Tendo isto em conta, é difícil dizer com certeza se vale a pena o investimento, no entanto, estudos realizados em diversos países e por várias entidades diferentes, sugerem que o consumo dos suplementos de ómega, na sua generalidade, pouco ou nenhum impacto têm na realidade.

domingo, 1 de outubro de 2017

Aceitar a Doença Crónica

Os avanços cada vez maiores da medicina parecem trazer para o nosso quotidiano mais e mais diagnósticos de doenças crónicas. O conhecimento é uma benção para a qualidade de vida, mas para muitos doentes torna-se um pesadelo.

Nem toda a gente está preparada para o diagnóstico quando ele chega e, na maioria dos casos, é uma sensação devastadora. “Para o resto da vida” é um tempo muito longo e os medicamentos e alterações diárias nem sempre são bem aceites.

Há problemas legais que podem tornar-se um entrave ao tratamento, como a dificuldade em conseguir isenção das taxas moderadoras, o acesso limitado a especialistas ou até mesmo, a capacidade de transporte até à consulta, mas por detrás dos números, estão seres humanos, perdidos e confusos, que precisam desesperadamente de aprender como aceitar e lidar com esse estado que é a doença.

Em Portugal o acompanhamento ao doente é maioritamente efectuado através das Unidades de Saúde Familiares e acompanhamento de especialistas a nível hospitalar. No entanto, quando falamos de apoio à gestão do regime terapêutico, a resposta do SNS é francamente insuficiente, ficando a família com grande parte do papel que pertende ao profissional de saúde.


Estatísticas

As estatísticas referentes à Doença Crónica em Portugal não são de todo favoráveis. Estima-se que 40 a 45% das doenças sinalizadas no nosso país, sejam doenças crónicas incapacitantes e segundo o Plano Nacional de Saúde, este número tem tendência para aumentar de forma exponencial.

Em 2005, 86% das mortes ocorridas em território europeu foram consequência de doença crónica (sendo a Diabetes detentora do número mais significativo), segundo dados da OMS e prevê-se que este número aumente. Da mesma forma, a Organização Mundial de Saúde acredita que a adopção de um estilo de vida mais saudável, que inclua exercício físico, melhores hábitos alimentares e abandono de hábitos tabágicos poderia baixar estes números em cerca de 80%. 

O primeiro profissional de saúde a lidar com o problema é o médico de família, que lida não só com a doença em si, mas que encontra em cerca de 80% dos casos, queixas do foro psicossocial, para as quais nem sempre tem capacidade de resposta.

A doença crónica é assim de uma magnitude que não pode ser ignorada, pelos problemas para a pessoa individual (doente e família) e ainda pelo impacto económico que tem em todo o mundo. A utilização de uma estratégia de prevenção, que inclua medidas dirigidas especificamente aos diferentes grupos populacionais, aumentando assim a sua taxa de potencial sucesso, é o conselho da OMS para inverter esta tendência.




A doença Crónica e a Família

A Organização Mundial de Saúde define as doenças crónicas como “Doenças que têm uma ou mais das seguintes características: são permanentes, produzem incapacidade/deficiências residuais, são causadas por alterações patológicas irreversíveis, exigem uma formação especial do doente para a reabilitação, ou podem exigir longos períodos de supervisão, observação ou cuidados.”

No entanto, por detrás das definições estão seres humanos e um dos factores que mais afecta o doente e a sua família é a percepção de vulnerabilidade. De um momento para o outro, estas pessoas vêem-se perante um novo cenário, desconhecido e muitas vezes assustador e durante algum tempo, tudo gira em volta da doença, seja numa tentativa de controlar e tratar, seja através dos esforços feitos para ignorá-la.



Eu não estou doente, eu sou doente

A percepção que o doente, bem como a sua família tem do problema é fundamental para o prognóstico. É importante que a pessoa aceite e compreenda o que se passa com ela, que lhe dê o significado que realmente tem (sem ignorar o problema, nem torná-lo o centro da sua vida) e que tenha suporte da família e amigos próximos para que possa lidar com a doença da melhor forma possível.



Aumento da Esperança Média de Vida ou Explosão de doenças crónicas?

O aumento da esperança média de vida parece ter uma correlação directa com o aumento das doenças crónicas, mas não só. A doença crónica, como bem sabemos, atinge pessoas de variadas idades e estima-se que esteja mais relacionada com o estilo de vida stressante e sedentário, tão comum nas sociedades modernas.

Hoje em dia, uma pessoa com mais de 65 anos usa, em média, 5 medicamentos em simultâneo para controlo de condições crónicas de saúde. É sabido que quão mais complexo fôr o tratamento e o maior número de medicamentos, menor a adesão aos mesmos por parte dos doentes.




Conhecer, compreender, aceitar

Nem todas as doenças crónicas são terrivelmente incapacitantes, mas a noção de nunca mais, de anormalidade persegue os doentes que tentam desesperadamente encontrar um novo caminho ou direcção, do qual a doença vai sempre fazer parte. De acordo com uma tese de doutoramento da Universidade Católica do Porto, após o diagnóstico da doença crónica, começam a emegir os sentimentos de medo e falta de esperança. 

As tarefas rotineiras passam a ser grandes dificuldades e o percurso normal de vida (estudos, trabalho) é alterado, muitas vezes, radicalmente.

A forma como é vivido o momento de transição entre a saúde e a doença é fundamental para o desenvolvimento da mesma e prognósticos sobre o futuro. É preciso investir em profissionais, que para além do conhecimento necessário para apoiar o doente, demonstrem sensibilidade para compreender a pessoa que têm à sua frente e a sua capacidade de resiliência, bem como as suas vulnerabilidades.

O suporte familiar e o contexto sociocultural em que o paciente está inserido é de vital importância para o sucesso ou insucesso do processo. A ausência de suporte familiar, especialmente se associada a um contexto de pobreza, é um dos maiores factores de vulnerabilidade do doente crónico. Pelo contrário, uma família estruturante é, à partida, um dos melhores prognósticos que podemos encontrar.

Os profissionais de saúde e o doente que acompanham têm expectativas e objectivos diferentes, pois para o doente, o controlo da doença é apenas uma parte de tudo o que este tem de enfrentar. Ele precisa fazê-lo, enquanto segue com o seu plano de vida, o que muitas vezes, na ânsia de melhorar a parte clínica é desvalorizado pelos profissionais, tornando-se um forte entrave à aceitação da doença por parte do doente e à vivência desta transição de forma mais tranquila.


Desmistificar crenças

Muito do trabalho a realizar pelos profissionais de saúde está relacionado com a desmistificação das crenças associadas às doenças crónicas, crenças essas, que prejudicam a aceitação e o tratamento, especialmente na fase de transição.

Após um diagnóstico de doença crónica, os doentes passam por uma fase de transição, onde interiorizam a sua nova realidade e aprendem a viver com a doença e as suas limitações, bem como os novos cuidados impostos pela mesma. Esta transição é tanto mais fácil quanto menor o número de crenças desfavoráveis associadas ao problema pelo paciente e sua família.

O medo, a discriminação e a gravidade percebida da doença estão directamente relacionados, tanto com as crenças que o sujeito possa ter, como com a facilidade ou dificuldade com que esta transição é vivida.


Gerir a doença, gerir a própria vida

Todo o profissional de saúde sabe que apesar de todos os esforços algumas pessoas não tomarão o devido cuidado consigo mesmas e não seguirão os seus conselhos. Isto levanta algumas questões de abordagem ao paciente, mas, em primeira análise, o que faz com que algumas pessoas não cuidem de si mesmas?

A noção de auto-cuidado significa coisas diferentes para pessoas diferentes e difere consoante a capacidade de adaptação e resiliência, bem como as expectativas para o futuro do sujeito em causa.

A informação é fundamental para que a pessoa cuide da sua saúde, tendo em conta o benefício a esse comportamento associado. A confiança na sua capacidade é também um factor determinante, o paciente precisa acreditar que é capaz de cuidar de si mesmo e que daí tirará algum benefício.


Aceitarmo-nos a nós e aos outros

É urgente protecção jurídica. O doente crónico precisa ser reconhecido e apoiado. O acesso a medicamentos e terapias deve ser uma prioridade, mas não esqueçamos outros tipo de materiais, que não sendo considerados medicação são muitas vezes negligenciados, mas são necessários para uma vida digna e independente de muitos dos nossos doentes.

Os profissionais de saúde são fundamentais na fase de transição e aceitação da doença. É preciso que estes tenham a consciência e a sensibilidade para compreender que para o doente o foco está na vivência da nossa condição, enquanto tentam manter a continuidade da vida que tinham antes. Ser capaz de controlar a doença e tratar de si mesmo, aplicar o regime terâpeutico adequado e muitas vezes complexo, principal preocupação do profissional de saúde, tem de ser incorporado nas vivências e expectativas do paciente, ajudando-o a lidar com esta nova vida.

Desta forma, o Plano Nacional de Saúde adopta uma postura de desenvolvimento de competências no doente, focado na informação ao mesmo, que passa não só pela informação prática relacionada com a doença e terapêutica, mas também pelo conhecimento dos seus direitos, possibilidade de escolha, procedimento de segurança e ainda, como e onde deve fazer as suas reclamações se sentir necessidade disso.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

O Alívio da Morte - A reconstrução da Vida



O apoio a doentes com doenças terminais é fundamental, mas não podemos descurar os seus familiares mais próximos, durante e após todo o processo da doença. A morte chega lentamente, com aviso prévio, mas ainda assim, tão de surpresa. Os meses de sofrimento e desespero caem de repente sobre o vazio da ausência e isso é algo com o qual ninguém está preparado para lidar.

Muitos são os sentimentos que nos assolam e a culpa permanece com insistência na mente dos que ficam, pelo que não fizeram e poderia ter feito, pelo que fizeram que poderiam ter feito de maneira diferente, pelo alívio que a morte lhes trouxe. A dor e o alívio misturam-se quando as palavras há tanto esperadas chegam, muitas vezes, durante uma visita ao hospital.

Acabou. Respira fundo.

Em seguida a este “acabou”, vêm os sentimentos negativos e a sensação de abandono, como se não tivessem feito o suficiente, sofrido o suficiente. Acabou, mas não pode acabar. Alguém morreu, não posso simplesmente achar que é um alívio, porque algo acabou.

São estes os pensamentos dos que vêem os seus entes queridos partir após tanto tempo de sofrimento e são estes os pensamentos e sentimentos que temos de trabalhar e modificar.

O fim da vida foi um alívio e não há mal nenhum nisso.




O familiar Cuidador

A doença terminal é algo normalmente alongado no tempo e com várias fases e altos e baixos. Períodos no hospital, períodos em casa, períodos de relativa independência e força e períodos de total dependência, depressão e desespero.

O familiar cuidador é aquele que se torna maioritariamente responsável pelo doente terminal e é, naturalmente, quem mais sofre com todos os altos e baixos. É a pessoa que, na grande maioria das vezes, abdica de tudo na sua vida para cuidar da pessoa doente.

A sua vida é subitamente interrompida, todos os eus projectos e desejos adiados e a incerteza passa a ser parte do dia a dia. Os seus pensamentos andam à volta do relativo bem-estar de uma pessoa pela qual nada há a fazer e pela dúvida entre o continuar a lutar por ela, ou baixar os braços.

Após a morte, o sentimento de vazio é imenso e a falta de apoio enorme. Acabou. Pensa o familiar cuidador e também pensam as pessoas à sua volta. Acabou. Agora é o luto, agora vamos voltar ao normal. Será?

De que forma e até que ponto, esta pessoa realmente volta ao normal? É tão bom poder seguir com a vida, com os projectos, com os sonhos, mas muitas vezes sem aquela pessoa, estes não têm grande significado. E é nesta fase, que a pessoa se vê forçada a encarar o facto que nada mais será normal.



Perfil do Familiar Cuidador

O familiar cuidador tem, naturalmente, uma grande proximidade ao doente, uma mãe, uma filha, esposa, esposo… Alguém que terá de aprender a viver novamente antes de poder seguir com a sua vida. Muitas vezes, terá de dar um novo significado a esta vida…

Este familiar lidou durante meses com os sentimentos e dificuldades do doente, dele próprio e da sua família e nesta fase, o alívio esperado não chegou, pois a dor é imensa e continua a servir de enfermeiro(a) para os restantes familiares que tentam ultrapassar o luto. 

Esta pessoa é, normalmente, percepcionada como forte, é a pessoa que se chega à frente, que tem a coragem necessária para tomar decisões (sempre tão difíceis), de tomar as rédeas da situação e faz o que é preciso fazer. Muitas vezes, a pessoa já tinha este perfil anteriormente, porém, muitas outras tem de aprender a agir desta forma, pois alguém tem de o fazer. E na esmagadora maioria das vezes, não foi uma escolha sua, não há mais ninguém…


O Apoio Psicológico

Não há a menor dúvida de que o familiar cuidador precisa de um apoio especializado e felizmente, começa a surgir cada vez mais esse apoio em contexto de serviço nacional de saúde. No entanto, a falta de profissionais, a falta de tempo ou até mesmo de dinheiro continuam a ser uma realidade que impede o apoio adequado a estas pessoas.

Há tempo de espera pela consulta de apoio psicológico e muitas vezes, a pessoa não pode ir, porque o doente terminal tem exames, está pior, foi internado, precisou de algo, ou simplesmente, não há mais ninguém que possa, naquele dia e àquela hora, ficar com ele… Marcar uma nova consulta é uma aventura digna de enlouquecer.

Assim, o atendimento a nível particular poderá ser uma opção, mas a falta de tempo aqui é batida pelas dificuldades financeiras. Os cuidados e necessidades do doente terminal são grandes e todo o dinheiro deve ser meticulosamente contado para tal fim. O cuidador fica para depois.

E é assim que esta pessoa vai vivendo e como ela acaba por acreditar que é o mais correcto, que os sentimentos dela têm de ficar para depois, que as dificuldades dela não são assim tão importantes, que ela está em segundo lugar.

A morte afinal não traz o alívio desejado mas uma sensação de vazio e da falta do seu próprio espaço, na sua própria vida.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Os Benefícios da Manga

Quando era criança mal se ouvia falar em manga ou outras frutas tropicais, eram coisas estranhas, faladas nas telenovelas brasileiras, super na moda na época. Actualmente, no entanto, o pediatra manda dar manga bem cedo ao bebé, mas afinal, porquê?

O que torna esta fruta tão especial? O que tem ela, que não têm as outras?

Para começar, a manga é uma fruta doce e agradável, de fácil introdução na alimentação de qualquer pessoa e para além disso, é rica em hidratos de carbono, fibras, antioxidantes, vitaminas (A, B, C, E e K) e minerais (cálcio, Zinco, Potássio, Ferro e Magnésio), o que a torna muito atractiva. 



Prevenção do Cancro

Tal como já referido no parágrafo anterior, a manga é uma fonte de antioxidantes, alguns dos mesmos são importantíssimos na prevenção do cancro do pulmão e da boca.

Outra particularidade deste fruto é presença de pectina, fundamental para impedir a acção de uma proteina que potencia o crescimento das células cancerígenas, ajudando assim no aparecimento do cancro do cólon.


Sistema Digestivo

A manga é uma grande ajuda para a saúde do seu sistema digestivo, ajuda a reduzir a acidez no estômago e por ser uma excelente fonte de fibra ajuda a prevenir a obstipação e a manter o trato digestivo limpo. 


Reduz o Colesterol

Uma alimentção rica em fibras ajuda a eliminar o mau colesterol do sangue. A manga é uma fruta rica em fibra e vai ajudá-lo nessa tarefa.


Pele Bonita

A manga é rica em anti-oxidantes que ajudam a retardar o envelhecimento da pele. Fonte de vitamina C, ajuda ainda na cicatrização e diminuição da acne.


O Cérebro

Rica em vitamina B6, a manga ajuda a melhorar a função cerebral, concentração e memória, bem como na manutenção do sistema nervoso central. Assim, ajudá-lo-á a melhorar o humor e controlar o stress.


Sistema Imunitário

O nosso sistema imunitário luta contra todo o tipo de doenças e infecções no nosso organismo e para tal, uma ajuda é sempre bem-vinda. Essa ajuda pode vir da manga, dada a sua riqueza em vitaminas e anti-oxidantes.




Curiosidades...

Apesar de ser uma fruta conhecida na Europa por ser oriunda da América Latina, na verdade, a manga só foi introduzida na América no século XIV, proveniente do sul e sudeste Asiático.