quinta-feira, 7 de maio de 2026

Alterações Súbitas da Visão: Quando Deve Preocupar-se?

 

Alterações de Visão

Há dias em que tudo parece normal… até deixar de ser.

De repente, a visão fica desfocada. Surgem flashes de luz. Uma sombra aparece no campo de visão. Ou simplesmente deixa de conseguir focar como antes.

Muita gente ignora estes sinais, pensando que se trata de “cansaço”, “stress” ou “idade”. Mas alterações súbitas da visão podem ser um aviso importante do corpo — e, em alguns casos, uma emergência médica.

O Que São Alterações Súbitas da Visão?

As alterações súbitas da visão ocorrem quando a capacidade de ver muda rapidamente — em minutos, horas ou em poucos dias.

Pode afetar:

  • Um olho ou os dois
  • A nitidez da visão
  • As cores
  • O campo visual
  • A sensibilidade à luz

Algumas mudanças são temporárias e inofensivas. Outras podem indicar problemas graves nos olhos, no cérebro ou na circulação.

Sintomas Que Merecem Atenção

Nem todas as alterações visuais são iguais. Estes são alguns sinais que não deve ignorar:

Visão desfocada repentina

Se tudo de repente parece “embaciado”, especialmente num só olho, pode haver um problema ocular ou vascular.

Flashes de luz

Ver pequenos clarões ou “relâmpagos” pode indicar alterações na retina.

Moscas volantes em excesso

Aquelas pequenas manchas ou fios escuros são comuns com a idade, mas um aumento súbito pode ser um sinal de alerta.

Perda parcial da visão

Uma sombra lateral, uma visão em túnel ou zonas escuras podem indicar uma emergência.

Visão dupla

Ver imagens duplicadas pode estar relacionado com problemas neurológicos ou musculares.

Dor ocular e vermelhidão

Quando aparecem juntamente com alterações visuais, é importante investigar rapidamente.

As Causas Mais Comuns

As alterações súbitas da visão podem ter várias origens — desde situações simples até doenças graves.

1. Fadiga visual e excesso de ecrãs

Passar muitas horas em frente ao computador ou ao telemóvel pode causar:

  • Visão cansada
  • Dificuldade em focar
  • Olhos secos
  • Dor de cabeça

Embora seja comum, a visão não deve mudar drasticamente apenas por cansaço.

2. Enxaquecas com aura

Algumas pessoas veem:

  • Luzes
  • Ziguezagues
  • Manchas brilhantes

Mesmo sem dor de cabeça intensa, estes sintomas podem surgir antes de uma crise de enxaqueca.

3. Problemas na retina

Condições como descolamento da retina exigem tratamento urgente.

Os sinais típicos incluem:

  • Flashes de luz
  • “Cortina escura” na visão
  • Perda visual repentina

Quanto mais cedo for tratado, maior a probabilidade de recuperar a visão.

4. Glaucoma agudo

É uma emergência oftalmológica.

Pode causar:

  • Dor intensa no olho
  • Visão turva
  • Halos à volta das luzes
  • Náuseas

Sem tratamento rápido, pode levar à perda permanente da visão.

5. AVC ou problemas neurológicos

Alterações visuais súbitas também podem ser um sinal de AVC.

Especialmente se surgirem juntamente com:

  • Dificuldade em falar
  • Fraqueza num lado do corpo
  • Tonturas
  • Confusão

Nestes casos, deve procurar ajuda médica imediata.

Quando Deve Procurar Um Médico?

Procure assistência rapidamente se notar:

  • Perda súbita de visão
  • Flashes intensos
  • Visão dupla inesperada
  • Dor ocular forte
  • Sombra escura no campo visual
  • Alterações acompanhadas de sintomas neurológicos

Esperar “para ver se passa” pode ser um erro.

É Possível Prevenir?

Nem todas as alterações visuais podem ser evitadas, mas há hábitos que ajudam a proteger a saúde ocular:

  • Fazer exames oftalmológicos regulares
  • Controlar diabetes e tensão arterial
  • Usar óculos adequados
  • Descansar os olhos durante o uso de ecrãs
  • Dormir bem
  • Não ignorar sintomas persistentes

O Problema Não É Só Ver Mal. É Ignorar os Sinais.

Os olhos conseguem revelar muito sobre a nossa saúde.
E quando a visão muda repentinamente, o corpo pode estar a pedir atenção.

Na maioria das vezes não será grave. Mas quando é, agir cedo faz toda a diferença.

Se algo mudou subitamente na sua visão, não ignore.
Os seus olhos podem estar a tentar dizer-lhe algo importante.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Artrite: o que é, sintomas e gestão da doença

 

artrite


A artrite é uma condição inflamatória que afecta as articulações e pode ter um impacto significativo na qualidade de vida. Embora seja frequentemente associada ao envelhecimento, a verdade é que pode surgir em qualquer idade, afectando pessoas jovens, adultas e idosas.

O que é a artrite?

O termo “artrite” refere-se a um conjunto de doenças caracterizadas pela inflamação de uma ou mais articulações. Existem mais de 100 tipos diferentes de artrite, sendo os mais comuns a osteoartrose e a artrite reumatóide.

  • Osteoartrose: é a forma mais frequente e resulta do desgaste da cartilagem que protege as extremidades ósseas.

  • Artrite reumatóide: é uma doença autoimune em que o sistema imunitário ataca as articulações, causando inflamação crónica.

Principais sintomas

Os sintomas da artrite podem variar consoante o tipo e a gravidade da doença, mas os mais comuns incluem:

  • Dor nas articulações

  • Inchaço e rigidez, especialmente de manhã

  • Diminuição da mobilidade

  • Sensação de calor ou vermelhidão na articulação afectada

  • Fadiga, sobretudo em casos inflamatórios

Com o tempo, se não for devidamente tratada, a artrite pode levar à deformação articular e à perda de função.

Causas e factores de risco

As causas da artrite dependem do tipo, mas alguns factores de risco incluem:

O estilo de vida também desempenha um papel importante, especialmente no controlo dos sintomas.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica, de exames laboratoriais e, em alguns casos, de exames de imagem, como radiografias ou ressonâncias magnéticas.

O tratamento da artrite tem como objectivo aliviar a dor, reduzir a inflamação e melhorar a função articular. Pode incluir:

  • Medicação (analgésicos, anti-inflamatórios ou fármacos específicos)

  • Fisioterapia

  • Exercício físico adaptado

  • Alterações na alimentação

  • Em casos mais graves, cirurgia

Viver bem com artrite

Embora a artrite não tenha cura na maioria dos casos, é possível viver bem com a doença. Manter um peso saudável, praticar actividade física regular, gerir o stress e seguir o plano terapêutico recomendado pelo profissional de saúde são passos fundamentais.

O acompanhamento médico regular é essencial para ajustar o tratamento e prevenir complicações, permitindo uma melhor qualidade de vida a longo prazo.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Alimentação Saudável para Diabéticos: Dicas, Exemplos e Estratégias para o Dia a Dia

 

prato saudavel diabeticos

A diabetes é uma condição que exige cuidados diários, e a alimentação tem um papel essencial no controlo dos níveis de glicemia. 

Uma dieta equilibrada pode ajudar não só a estabilizar o açúcar no sangue, mas também a prevenir complicações e a melhorar a qualidade de vida.

Mas afinal, o que é uma alimentação saudável para diabéticos?


O Princípio Base: Equilíbrio e Moderação

A ideia principal não é “proibir” alimentos, mas sim escolher melhor.

Afinal, o principal objetivo é manter os níveis de glicose estáveis, evitando picos e quedas bruscas.

Uma refeição equilibrada deve incluir:

  • Hidratos de carbono complexos, de absorção lenta (como aveia, leguminosas e arroz integral);

  • Proteínas magras (como peixe, frango, ovos e leguminosas);

  • Gorduras saudáveis (como azeite, abacate e frutos secos);

  • Muitos vegetais e fibra, que ajudam a controlar a glicemia.


Alimentos Recomendados

Hidratos de carbono saudáveis:

  • Arroz integral, quinoa, aveia e massa integral

  • Batata-doce e leguminosas (grão-de-bico, feijão, lentilhas)

  • Pão escuro ou de centeio

Fontes de proteína:

  • Peixe (especialmente os ricos em ómega-3, como salmão e sardinha)

  • Frango e peru sem pele

  • Ovos

  • Tofu, tempeh e leguminosas

Gorduras boas:

  • Azeite virgem extra

  • Abacate

  • Frutos secos e sementes (nozes, amêndoas, chia, linhaça)

Vegetais e frutas:

  • Todos os vegetais são recomendados, especialmente os verdes (espinafre, brócolos, couve).

  • Frutas com menor índice glicémico: maçã, pêra, frutos vermelhos, ameixa, kiwi.
    👉 Dica: prefira comer a fruta inteira (em vez de sumos).


Alimentos a Evitar ou Limitar

  • Açúcar e doces processados (bolos, refrigerantes, bolachas industriais)

  • Bebidas açucaradas e sumos de pacote

  • Arroz e massas brancas

  • Pão branco

  • Produtos ultraprocessados e fritos

  • Bebidas alcoólicas em excesso


Exemplo de Ementa Diária Saudável

Pequeno-almoço:

  • Papas de aveia com leite magro, canela e pedaços de maçã

  • 1 café sem açúcar

Lanche da manhã:

  • Iogurte natural com sementes de chia

Almoço:

  • Filete de salmão grelhado

  • Arroz integral e legumes salteados

  • Salada verde com azeite e vinagre

Lanche da tarde:

  • 1 pêra + 1 punhado de amêndoas

Jantar:

  • Sopa de legumes

  • Omelete de espinafres com salada

  • 1 fatia de pão de centeio

Ceia (se necessário):

  • Copo de leite magro ou um iogurte natural


Dicas Extras para o Controlo da Diabetes

  • Comer a intervalos regulares ajuda a manter a glicemia estável.

  • Beber muita água (evitar sumos e refrigerantes).

  • Praticar atividade física regularmente.

  • Controlar as porções e evitar “exageros” em refeições únicas.

  • Consultar um nutricionista, que pode adaptar o plano às necessidades individuais.


Uma Aprendizagem Diária

Uma alimentação saudável para diabéticos não precisa de ser restritiva — é, acima de tudo, inteligente e equilibrada.

Com escolhas conscientes e pequenas adaptações diárias, é possível controlar a diabetes, desfrutar da comida e viver com mais energia e bem-estar.

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Prevenção: o investimento inteligente


Quando pensamos em saúde, muitas vezes associamos imediatamente à ideia de hospitais, consultas e tratamentos. Contudo, a verdadeira sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde (SNS) poderá estar menos no ato de “curar” e mais na capacidade de “prevenir”.

Tratar a Doença vs Prevenir a Doença - qual o menor custo?

Apostar na prevenção é, antes de mais, uma questão de inteligência económica. Sim, leu bem.

Um tratamento hospitalar, sobretudo em casos de doenças crónicas ou em estádios avançados, implica custos elevados: internamentos prolongados, cirurgias complexas, medicamentos de uso contínuo e recursos humanos especializados. Já medidas de prevenção — como campanhas de promoção de estilos de vida saudáveis, rastreios regulares e programas de vacinação — exigem investimentos significativamente mais baixos e com resultados duradouros.

Tomemos como exemplo a diabetes tipo 2, muitas vezes associada a hábitos alimentares pouco saudáveis e ao sedentarismo. O tratamento da doença, ao longo da vida de um doente, representa um custo muito superior ao investimento em políticas de promoção da alimentação equilibrada e da atividade física desde a infância. O mesmo se aplica a doenças cardiovasculares, obesidade e até certos tipos de cancro, cujo risco pode ser reduzido com a adoção de medidas preventivas.

Ganhamos Todos

A prevenção gera benefícios que vão muito além das contas do SNS. Um cidadão saudável é mais produtivo no trabalho, falta menos dias por doença e participa mais ativamente na sociedade. 

Em contrapartida, quando a doença já se instalou, os custos recaem não apenas sobre o sistema de saúde, mas também sobre a economia e sobre as famílias.

É Possível Não Ficar Doente?

Naturalmente, a prevenção não elimina a necessidade de tratamentos. Haverá sempre doenças imprevistas, acidentes e condições que exigem cuidados médicos avançados. 

No entanto, se o foco for apenas o tratamento, estaremos constantemente a correr atrás do prejuízo. Ao contrário, apostar na prevenção é assumir uma visão estratégica: menos despesa futura, mais qualidade de vida e um SNS mais sustentável.

O SNS Não Muda Sozinho

No fundo, trata-se de mudar mentalidades. A saúde não deve ser encarada apenas como ausência de doença, mas como um estado de equilíbrio físico, mental e social. E para alcançar esse equilíbrio, é fundamental investir desde cedo em educação para a saúde, hábitos de vida saudáveis e políticas públicas que reforcem a prevenção.

O futuro do SNS poderá depender da forma como encaramos esta questão: queremos continuar a gastar recursos a tratar o evitável ou preferimos investir naquilo que realmente faz sentido — impedir que a doença surja?

terça-feira, 20 de maio de 2025

5 Benefícios da Yoga para a Saúde Mental


Em tempos de vida agitada e pressões constantes, cuidar da saúde mental tornou-se essencial. A prática da yoga, além de seus benefícios físicos, tem ganhado destaque como uma poderosa aliada na promoção do bem-estar psicológico. Neste artigo, vamos explorar como a yoga pode ajudar a equilibrar mente e corpo, e melhorar significativamente a saúde mental.

O que é a Yoga?

A yoga é uma prática milenar originária da Índia que combina posturas físicas (ásanas), técnicas de respiração (pranayama) e meditação. Mais do que um exercício físico, é uma filosofia de vida que promove harmonia entre corpo, mente e espírito.

1. Redução de Stress

Um dos principais benefícios da yoga é a redução dos níveis de stress. Através da respiração consciente e da atenção plena, a prática ativa o sistema nervoso parassimpático, responsável pela sensação de relaxamento. Estudos mostram que pessoas que praticam yoga regularmente apresentam níveis mais baixos de cortisol, a hormona do stress.

2. Alívio da Ansiedade

A yoga estimula a presença no momento presente, o que ajuda a afastar pensamentos acelerados e preocupações excessivas — características comuns da ansiedade. A meditação guiada e as posturas restaurativas promovem uma sensação de segurança e calma interior.

3. Melhora da Qualidade do Sono

A insónia e outros distúrbios do sono estão, muitas vezes, relacionados com questões emocionais. 

A prática regular de yoga pode ajudar a relaxar o corpo e acalmar a mente, facilitando um sono mais profundo e reparador. Técnicas como Yoga Nidra são especialmente eficazes nesse aspecto.

4. Aumento da Autoconsciência e Autoestima

A yoga estimula a auto-observação e o autoconhecimento. Ao praticar, o indivíduo consegu conectar-se mais profundamente consigo mesmo, reconhecendo emoções, padrões mentais e limitações com mais clareza e compaixão. Isso fortalece a autoestima e promove um senso de valor pessoal mais sólido.

5. Combate à Depressão

Pesquisas indicam que a yoga pode ter efeitos positivos no tratamento da depressão leve a moderada. A combinação de movimento, respiração e meditação contribui para o aumento de neurotransmissores como a serotonina e dopamina, associados à sensação de bem-estar.

Conclusão

Incorporar a yoga à rotina é um passo simples, mas poderoso, na procura por mais equilíbrio e saúde mental. Seja em aulas presenciais, online ou mesmo por conta própria, a prática oferece ferramentas acessíveis para lidar melhor com os desafios do dia a dia. Mais do que flexibilidade física, a yoga oferece flexibilidade emocional e mental — um presente valioso nos tempos modernos.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

O Efeito do Grupo e o Bullying Escolar: Por Que Ninguém Intervém?

 


Em muitas situações de violência ou injustiça, especialmente em ambientes escolares, acontece um fenómeno psicológico curioso: quanto maior o grupo de pessoas presentes, menor a probabilidade de alguém intervir. 

Isso ajuda a explicar por que as notícias são invadidas por casos em que vemos os estudantes a filmar a agressão em vez de tentar impedir ou procurar ajuda. Mas por que é que isso acontece?

O Efeito da Difusão de Responsabilidade

Quando um grupo grande presencia uma situação de violência, cada indivíduo tende a assumir que outra pessoa tomará uma atitude. Esse fenómeno é estudado pela psicologia há mais de meio século e é conhecido como difusão de responsabilidade: se há muitas pessoas presentes, ninguém se sente pessoalmente responsável. É como se o peso da ação fosse diluído entre todos, fazendo com que ninguém aja.

Esse efeito foi observado em diversos estudos psicológicos, como a experiência de John Darley e Bibb Latané, que demonstrou que quanto mais testemunhas há numa situação de emergência, menor a probabilidade de alguém tomar uma atitude, como, por exemplo, ligar para o 112.

O Poder do Grupo e a Conformidade Social

Outro fator importante é o efeito de conformidade social. As pessoas, especialmente crianças e adolescentes, têm um forte desejo de se encaixar e evitar o julgamento dos outros. Se ninguém intervém, muitos assumem que a melhor decisão é seguir o comportamento da maioria – mesmo que isso signifique ficar parado ou até mesmo rir da situação. O último pode também ser explicado pelo nervosismo.

Isso também explica por que algumas testemunhas, em vez de ajudar a vítima, optam por filmar ou partilhar vídeos do bullying nas redes sociais. A tecnologia facilitou a difusão deste comportamento, e muitas vezes os jovens preocupam-se mais em capturar o momento do que em refletir sobre as consequências.

Como Combater esse Comportamento?

Entender os mecanismos psicológicos por trás do bullying e da inação das testemunhas é essencial para combater esse problema. Algumas estratégias incluem:

  • Educação para a empatia e responsabilidade: ensinar crianças e adolescentes sobre a difusão de responsabilidade pode ajudá-los a reconhecer o problema e tomar atitudes conscientes.
  • Incentivo ao apoio entre pares: promover uma cultura onde ajudar seja a norma, não a exceção.
  • Intervenção ativa dos educadores: professores e direções escolares devem estar atentos aos sinais de bullying e incentivar o diálogo sobre a importância de intervir.
  • Uso positivo da tecnologia: em vez de filmar atos de violência, os jovens podem ser incentivados a usar a tecnologia para denunciar e consciencializar.

Conhecimento como Fonte de Poder

Ao compreendermos que o comportamento coletivo pode influenciar decisões individuais, podemos criar um ambiente escolar mais seguro e solidário. A mudança começa com a conscientização e o incentivo para que cada indivíduo entenda que a sua ação – ou omissão – tem um impacto real.

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

O Sono do Bebé - melhores práticas consoante a idade

 


O sono é fundamental para um desenvolvimento saudável. Desde o nascimento até aos primeiros anos de vida, as necessidades de sono mudam drasticamente, e compreender essas mudanças ajuda os pais a promoverem hábitos saudáveis e noites mais tranquilas. 

De acordo com cada fase do seu desenvolvimento, o bebé e criança pequena exigem cuidados diferentes.


1. Recém-nascidos (0 a 3 meses)

Os recém-nascidos dormem muito – cerca de 14 a 17 horas por dia – mas de forma fragmentada, com ciclos curtos de sono. Isto pode ser um problema para os pais ou cuidadores, que não conseguem descansar, mas para o bebé é normal. Eles ainda estão a aprender e adaptar-se ao mundo exterior e a ajustar o seu relógio biológico.

Melhores práticas:

Siga o ritmo do bebé: Permita que ele durma e acorde conforme a sua necessidade. Nesta fase, não existe um padrão fixo.

Diferencie dia e noite: Mantenha o ambiente iluminado e ativo durante o dia e reduza luzes e ruídos à noite para ajudar o bebé a distinguir os períodos. É importante que estas medidas sejam sem exageros. Demasiado barulho, especialmente barulhos altos e súbitos, perturbam o sono e, consequentemente, o desenvolvimento do seu bebé.

Segurança em primeiro lugar: Coloque o bebé para dormir de barriga para cima, num colchão firme e sem objetos soltos no berço.


2. Bebés de 4 a 6 meses

Nesta idade, o sono do bebé começa a organizar-se. Muitos bebés conseguem dormir períodos mais longos à noite, com sonecas regulares durante o dia. É hora de estabelecer uma rotina, ajuda o bebé e favorece a organização dos pais.

Melhores práticas:

Estabeleça uma rotina: Banho, uma história ou uma canção podem sinalizar ao bebé que é hora de dormir.

Incentive a autonomia no sono: Coloque o bebé no berço ainda acordado, para que ele aprenda a adormecer sozinho.

Cuide do ambiente: Garanta um quarto escuro, silencioso e com temperatura confortável. A ideia de que os bebés têm sempre muito frio não é real. O calor pode impedir o seu bebé de dormir adequadamente. Adapte a roupa da criança à temperatura do ambiente, lembrando que eles devem ter apenas mais uma camada de roupa que os adultos.


3. Bebés de 7 a 12 meses

Nesta fase, os padrões de sono ficam mais previsíveis, com 11 a 14 horas totais, incluindo 2 ou 3 sonecas. Porém, a ansiedade de separação pode provocar despertares noturnos. Tenha calma e paciência, é uma fase e vai passar.

Melhores práticas:

Seja consistente: Mantenha horários regulares para dormir e acordar.

Reforce a sensação de segurança: Um objeto de transição, como um cobertor ou peluche seguro, pode ajudar o bebé a se sentir confortável.

Evite associações de sono negativas: Não dependa de embalar ou alimentar o bebé para que ele durma, pois ele pode esperar isso a cada despertar.


4. Crianças de 1 a 3 anos

O sono noturno começa a consolidar-se, mas esta fase pode trazer desafios como resistência ao sono e despertares. As crianças precisam de cerca de 10 a 14 horas de sono diárias.

Melhores práticas:

Defina limites claros: Explique à criança que a hora de dormir é uma regra, mas mantenha uma abordagem carinhosa.

Evite estímulos antes de dormir: Reduza o uso de ecrans e atividades agitadas à noite. Demasiados estímulos dificultam o adormecer.

Rotina de transição: Continue com uma rotina consistente, como ler um livro ou contar histórias.


Dicas Gerais para Todas as Idades

Priorize a segurança: Nunca deixe o bebé dormir em locais inseguros ou em superfícies macias.

Acompanhe o desenvolvimento: Consulte o pediatra para ajustar práticas de sono às necessidades do seu filho.

Tenha paciência: O sono do bebé é dinâmico, e é normal haver regressões temporárias.


Compreender as necessidades do sono do bebé em cada fase ajuda a estabelecer hábitos saudáveis e proporciona mais tranquilidade para toda a família. Lembre-se: cada criança é única, e encontrar o que funciona para o seu bebé pode levar algum tempo, mas os resultados valem o esforço.


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terça-feira, 20 de agosto de 2024

Como Ingerir Mais Cálcio e Fortalecer os Ossos Sem Consumir Leite

 


Quando pensamos em cálcio, o leite é muitas vezes o primeiro alimento que nos vem à mente. No entanto, existem inúmeras maneiras de obter cálcio suficiente para fortalecer os ossos sem precisar consumir leite ou produtos lácteos. 

Qual a real importância do cálcio?

O cálcio é um mineral essencial para a saúde dos ossos. Ele é o principal componente estrutural dos ossos e dentes, fornecendo-lhes a rigidez necessária. Além disso, o cálcio é vital para outras funções do corpo, como a contração muscular, coagulação do sangue e transmissão de sinais nervosos. 

Quando o corpo não obtém cálcio suficiente através da alimentação, ele começa a retirar cálcio dos ossos, o que pode levar à osteoporose e, consequentemente, aumentar o risco de fraturas.

Alimentos Ricos em Cálcio

Provavelmente, durante e maioria da sua vida, ouviu que o leite e os seus derivados são os produtos onde pode obter mais cálcio para o seu organismo. No entanto, não é bem assim. Podemos incluir na nossa dieta várias opções diferenciadas e saborosas.

Vegetais de Folhas Verdes

Vegetais como espinafres, couve, brócolos, rúcula e acelga são excelentes fontes de cálcio. A couve é particularmente rica em cálcio biodisponível, o que significa que o corpo consegue absorver melhor esse nutriente.

Para consumir, pode adicionar folhas verdes cruas a saladas, cozinhar os vegetais no vapor para acompanhar refeições principais, ou ainda, se preferir preparar uns smoothies verdes.

Amêndoas e Sementes

As amêndoas são uma excelente fonte de cálcio, assim como as sementes de sésamo, chia e linhaça. Além de cálcio, esses alimentos fornecem magnésio e gorduras saudáveis, que ajudam na absorção do mesmo.

Coma um punhado de amêndoas como lanche, ou adicione sementes de chia e linhaça a iogurtes vegetais. Pode ainda usar pasta de sésamo moído em molhos ou torradas.

Tofu

O tofu, especialmente o tofu enriquecido com cálcio, é uma excelente alternativa para quem evita produtos lácteos. 

Pode adicioná-lo a salteados de legumes ou sopas e usá-lo como substituto de queijos nalgumas receitas.

Leguminosas

Feijão-branco, lentilhas e grão-de-bico são ricos em cálcio. Esses alimentos são também boas fontes de proteína e fibra, contribuindo para uma dieta equilibrada.

Pode adicioná-los a sopas e saladas.

Fortaleça os ossos sempre

Com pequenas mudanças nos nossos hábitos alimentares, é possível fortalecer os ossos sem ter de recorrer ao leite e aos seus derivados. Uma exposição solar segura é também uma boa ajuda, visto que a Vitamina D ajuda o nosso corpo a absorver melhor o cálcio.

Esqueça mitos antigos e fortaleça os seus ossos da forma mais saudável.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Mindfulness - a palavra do momento

 


Nos últimos anos, a palavra mindfulness entrou para o vocabulário comum e tem ganho destaque como uma ferramenta poderosa para melhorar a saúde mental e o bem-estar geral. 

Mas o que exatamente é mindfulness? Em termos simples, é a prática de estar totalmente focado no momento presente, sem julgamento. É uma forma de treinar a mente para focar no aqui e agora, em vez de se preocupar com o passado ou o futuro. A sua prática regular tem sido associada a uma série de benefícios para a saúde, incluindo redução do stress, melhoria da concentração e promoção de um estado de paz interior.

Benefícios para a Saúde Mental

A prática de mindfulness tem mostrado ter um impacto profundo na saúde mental. Estudos científicos indicam que a meditação mindfulness pode ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade e depressão. Ao focar a atenção no momento presente, as pessoas podem aprender a observar os seus pensamentos e sentimentos sem se deixar dominar por eles. Isso pode levar a uma diminuição das respostas automáticas ao stress e a uma maior capacidade de lidar com situações desafiadoras de maneira calma e racional.

Além disso, promove a aceitação e o não-julgamento. Isto ajuda as pessoas a desenvolverem uma relação mais saudável com as suas próprias emoções. A prática regular pode melhorar a autoconsciência e a autorregulação emocional, proporcionando uma base sólida para uma saúde mental equilibrada.

Aplicações Práticas do Mindfulness no Dia a Dia

Implementar esta técnica no dia a dia pode ser mais simples do que parece. Uma das formas mais comuns de praticar mindfulness é através da meditação. Mesmo sessões curtas de meditação, de 5 a 10 minutos, podem fazer uma diferença significativa. Durante a meditação, é comum focar na respiração, observando cada inalação e exalação, e trazendo a mente de volta ao foco sempre que ela se desvia.

Além da meditação, o mindfulness pode ser incorporado em atividades diárias comuns, como comer, caminhar ou até mesmo lavar a louça. A chave é fazer essas atividades com total atenção, observando cada detalhe sensorial e estando plenamente presente no momento. Por exemplo, ao comer, preste atenção às cores, texturas e sabores dos alimentos. Ao caminhar, observe a sensação dos seus pés a tocar no chão e o ritmo da sua respiração.

Viver o Presente

O mindfulness oferece uma abordagem poderosa e acessível para melhorar a saúde mental e o bem-estar geral. Ao aprender a estar presente e a observar os nossos pensamentos e emoções sem julgamento, podemos desenvolver uma maior resiliência emocional e uma sensação de paz interior. 

Incorporar práticas de mindfulness na rotina diária pode transformar a maneira como lidamos com o stress e as adversidades, promovendo uma vida mais equilibrada e harmoniosa. Comece com pequenos passos, e deixe-se levar pelos inúmeros benefícios que o mindfulness pode trazer para sua vida.

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Como o ‘Stress’ Afeta a Sua Saúde e Maneiras Eficazes de Geri-lo

 


Stress tornou-se uma palavra comum do nosso vocabulário no final do século passado. O seu significado é simples: stress é a resposta do nosso corpo a um evento ou a uma situação de pressão na nossa vida.

Tem uma carga pessoal muito grande e um impacto forte na nossa saúde. É importante que compreendamos que esse impacto ocorre a todos os níveis e é altamente prejudicial à nossa saúde física e mental.

Como o Stress Afeta a Sua Saúde

O stress tem um impacto óbvio na saúde mental. Exaustão mental, ansiedade, depressão, toda a nossa psique é afetada e muitas vezes, nem sabemos dizer o porquê. Sentimo-nos desmotivados e não encontramos nada a que nos agarrar para seguir em frente.

Embora devastadores, os problemas de saúde mental não são os únicos que o stress nos traz. A saúde física é extremamente afetada e, para muitos de nós, é mais difícil correlacionar os problemas que vão surgindo com o stress. 

  • Enfraquecimento do Sistema Imunitário - Está constantemente doente, ou quando adoece tem dificuldade em recuperar? Pois é, o seu sistema imunitário está enfraquecido e o stress tem um papel de relevo nisso. A exposição constante ao stress deixa-o mais vulnerável a todo o tipo de doenças devido à diminuição das suas defesas naturais.
  • Relação com Doenças Cardiovasculares - O stress está associado ao aparecimento e desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Estas são a principal causa de morte em todo o mundo e são muitas vezes ignoradas nos primeiros sintomas. 
  • Efeitos no Sistema Digestivo - O estômago dói e sente todo o tipo de inconvenientes, azia, má digestão, náuseas. Pode sentir uma fome incontrolável, ou não ser capaz de comer nada durante horas. Os seus intestinos não funcionam regularmente e são frequentes os episódios tanto de diarreia, como da mais incómoda obstipação. Tudo isto são sinais do seu corpo a dizer-lhe que está sob stress excessivo e se os ignorar, pode desenvolver doenças graves e potencialmente fatais. 

Gerir o Stress - o eterno dilema

Todos nós, de forma mais ou menos intencional, tentamos gerir o nosso stress no dia a dia, mas na sua grande maioria, fazemo-lo de forma errada. Tentamos controlar os fatores externos, que, em última análise, não podem ser controlados por nós.

A melhor forma de gerir o stress não é controlar todo o trabalho que tem para fazer, ou dividir tarefas, embora isso seja de grande ajuda. Aquilo que realmente precisa é ajudar o seu corpo, controlando e moldando os seus sentimentos e emoções - transformando-os em algo mais saudável. Afinal, tentar simplesmente ver-se livre de todo o stress, só fará o mesmo aumentar.

Técnicas de Relaxamento

Uma forma de diminuir quase imediatamente a sensação de stress e ansiedade é mediante técnicas simples de relaxamento, como a meditação e a respiração profunda. 

O controlo respiratório, quando bem usado, é uma arma infalível na gestão do stress no nosso dia a dia, ajudando-nos a contornar a sensação de desespero e falta de controlo que o mesmo nos provoca. 

Por outro lado, recorrer a práticas de mindfulness poderá também ajudar a afastar os pensamentos repetitivos causadores de stress.

Atividade Física Regular

Estão descritos exaustivamente e em diferentes fontes os inúmeros benefícios da atividade física, e sim, ela também ajuda a gerir o stress. O nosso corpo foi feito para o movimento e uma vida sedentária afeta-nos de formas que, muitas vezes, nem conseguimos imaginar.

A prática de atividade física proporciona uma diminuição dos níveis de adrenalina e cortisol no nosso organismo, fazendo-nos sentir mais relaxados.

Alimentação

Tal como o exercício físico, a alimentação parece ter impacto em todos os setores da nossa vida. Muitas pessoas erram ao cortar determinados alimentos da sua dieta, numa tentativa de alcançar a chamada alimentação saudável. 

Naturalmente, há coisas que deve evitar ao máximo como alimentos muito gordurosos ou com altos teores de açúcar, mas fora essas exceções, o segredo está no equilíbrio. Comer um pouco de tudo vai proporcionar-lhe mais nutrientes e fazê-lo sentir-se melhor e mais forte, mesmo para enfrentar o stress.

Importância do Sono

O sono é um mecanismo importante de defesa do nosso organismo. Ele permite-nos descansar, limpar a mente e equilibrar o nosso corpo. Infelizmente, na tentativa vã de produzir o máximo possível, ele pode ser muito descurado hoje em dia.

Este é um erro grave, dada a sua importância. Dormir bem e tempo suficiente é vital para o controlo do stress e do seu impacto no nosso organismo. 

A Luta por uma Vida Melhor Começa cá Dentro

Trabalhamos todos os dias para ter uma vida melhor e mais confortável e a saúde mental é tantas vezes deixada de lado. Uma vida melhor começa no nosso íntimo, na saúde do nosso organismo e no sentirmo-nos bem connosco próprios.

Gerir os níveis de stress é o primeiro passo para esse bem-estar e nada como a adoção de um estilo de vida saudável para nos ajudar nessa gestão.

quarta-feira, 17 de abril de 2024

A Verdade Sobre o Jejum Intermitente

 


O Jejum Intermitente é, nos últimos anos, e apesar de não ser uma dieta, uma das mais populares formas para tentar um emagrecimento rápido. Trata-se de um padrão alimentar, em que se intercala períodos onde nos alimentamos normalmente, com períodos mais ou menos prolongados de jejum.

No entanto, este culto do jejum intermitente é algo bem informal e proliferado online, por isso, é importante perguntar-se: qual a verdade acerca deste método de emagrecimento?

O Jejum Intermitente Funciona?

O jejum intermitente tem muitas variáveis, como o intervalo de tempo de jejum e o que pode ou não consumir nesse intervalo de tempo. Geralmente, apenas água, mas também há outras possibilidades, desde que não influenciem os níveis de insulina. É importante reforçar que o período noturno, ou seja, quando estamos a dormir, conta como período de jejum.

Durante o período em que não se alimenta, sendo este mais ou menos longo, o organismo vai buscar todas as reservas de “combustível” para continuar a funcionar normalmente. Este combustível é a gordura acumulada, levando assim ao emagrecimento.

É seguro?

São várias as tradições religiosas que praticam o jejum. Na Grécia Antiga acreditava-se que ajudava a curar doenças. A ciência moderna tem uma opinião bastante positiva relativamente ao mesmo. Estudos demonstram existir um maior controlo de doenças como o colesterol, tensão arterial e diabetes.

O jejum, por si só, não é prejudicial à saúde, estudos indicam até vários benefícios na sua prática. No entanto, a falta de informação fidedigna, assim como ausência de qualquer acompanhamento médico ou profissional, pode, sim, trazer alguns prejuízos à saúde.

Os intervalos de tempo nos quais se pratica o jejum são outra coisa a ter em conta. Podem ir de 12 horas até 36 horas. Jejum de longa duração pode, sem dúvida, ser prejudicial, especialmente se o seu dia a dia envolver muito esforço físico. O que come nos períodos de alimentação também é fundamental para garantir a sua segurança e saúde. Uma alimentação incorreta e sem os nutrientes adequados pode resultar em problemas como anemia, osteoporose, desidratação, queda e enfraquecimento de cabelo, bem como ansiedade e irritação.

No caso dos doentes crónicos é importante consultar o médico antes de tomar a decisão de fazer jejum. O jejum é desaconselhado a grávida e mulheres a amamentar, crianças, jovens e em casos de perturbações alimentares.

No período em que me alimento, posso comer o que quiser?

Aqui começa um dos problemas no que diz respeito à eficácia do jejum intermitente. Naturalmente, que para perder peso, o que importa é consumir menos calorias do que as que se gasta, o que parece à partida simples. Mas não é.

Se ao terminar o jejum ingerir alimentos muito calóricos e com elevado índice glicémico, então não está a trazer o benefício que poderia ao seu organismo. Causará picos de insulina que o farão sentir mais fome e desejo de consumir mais… açúcares. Para um jejum intermitente eficaz no processo de emagrecimento, açúcares e farinhas devem ser evitados. As refeições devem ser saudáveis e equilibradas - com verduras, legumes, frutas e proteínas de qualidade.

Também deverá controlar as porções, não caia no erro de comer exageradamente quando terminar a fase de jejum. É preferível fazer jejuns menos prolongados e comer normalmente a seguir, do que aumentar as horas de jejum e perder o controlo.

Casos Específicos

Alguns grupos de pessoas, por motivos muito particulares, podem ter dúvidas sobre o impacto que o jejum intermitente poderia ter no seu corpo e na sua saúde. Aqui ficam algumas ideias, mas lembre-se que deve SEMPRE consultar o seu médico.

  • Diabéticos - Algumas pesquisas apontam para o facto de o jejum poder ser um auxílio no controlo da glicémia e do peso, bem como melhorar a sensibilidade à insulina. No entanto, outros estudos põem em causa estes resultados. Se é diabético não deve experimentar o jejum intermitente sem antes consultar o seu médico assistente.
  • Desportistas - Embora o jejum juntamente com certos exercícios tenha demonstrado bons resultados no emagrecimento e até diminuição do colesterol, este poderá não ser o mais aconselhado para desportistas, especialmente se pretende treinar em jejum. Optar por não comer nada antes de um grande esforço físico pode resultar em tonturas, desmaios e crises hipoglicémicas. Procure o seu médico antes de efetuar qualquer tentativa de jejum.
  • Grávidas - Desaconselhado. As grávidas devem sempre seguir as indicações nutricionais médicas.
  • Pessoas com Distúrbios Alimentares - Tal como as grávidas, devem seguir à risca as indicações dos profissionais de saúde a acompanhar o seu caso e jamais iniciar qualquer alteração alimentar sem o conhecimento destes. O jejum intermitente neste caso é desaconselhado. 

Desvantagens

Como todas as dietas, o jejum intermitente tem algumas desvantagens que podem afetar o seu dia a dia. 

  • Concentração e memória - Passar longos períodos sem comer afeta a sua capacidade de concentração e memória, levando a uma menor produtividade nos estudos e no trabalho.
  • Capacidade de atenção - A nossa capacidade de foco e atenção pode ficar comprometida pelas longas horas sem comer, trazendo-nos maior propensão para acidentes de todo o género.
  • Irritabilidade - A baixa taxa de açúcar no sangue provocada por longas horas sem comer torna-nos mais impacientes e irritáveis. Conflitos em casa e no trabalho podem surgir com mais frequência, trazendo consequências mais ou menos graves à sua vida. 
  • Distúrbios alimentares - dietas restritivas tendem a aumentar a probabilidade de desenvolver comportamentos obsessivos relativamente à alimentação. Estes são a base para o desenvolvimento de distúrbios alimentares. A generalização, especialmente online, de opiniões e comunidades a defender a prática aumenta o risco, pois a pessoa sente o seu comportamento justificado por elas, sem se dar conta dos riscos que está a correr.

A Opinião dos Profissionais de Saúde

Apesar de alguns benefícios e haver cada vez mais pessoas a adotar o jejum intermitente como forma de manter ou perder peso, a maioria dos profissionais de saúde não o considera uma boa escolha.

Nutricionistas e médicos endocrinologistas alertam para o facto de que apesar de perder peso, a pessoa perde maioritariamente massa muscular e não gordura. Além disso, esta forma de emagrecimento não é sustentável a longo prazo, pois estamos a passar a mensagem ao organismo de que ele está em privação e, portanto, vai armazenar toda a gordura que conseguir, ou seja, desacelerar o metabolismo.

Os profissionais de saúde referem ainda que, mesmo tomando suplementos vitamínicos, o organismo não está a receber os hidratos de carbono e as proteínas necessárias ao seu funcionamento. Isto traduz-se em quedas súbitas da tensão arterial e desmaios, crises de hipoglicemia, cambras e desequilíbrios eletrolíticos.

Lembre-se de falar sempre com o seu médico assistente antes de iniciar qualquer tipo de regime alimentar que implique restrições significativas.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Como uma ida ao dentista pode evitar problemas cardíacos?

 


Quando pensamos em dentista e saúde oral pensamos normalmente num sorriso branco e bonito, hálito fresco e uma estética impecável. No entanto, manter a higiene e saúde da sua boca é muito mais do que isto e tem um impacto bem maior na sua vida.

A boca está ligada aos órgãos do corpo através da corrente sanguínea. Assim, as bactérias que provocam as cáries facilmente se espalham, acabando inevitavelmente por chegar ao coração e gerar diversas patologias.

A sua boca é uma porta de entrada para agentes patogénicos

O corpo humano é uma entidade muito complexa e funciona pelo meio da interação entre todos os seus órgãos. Nenhuma parte pode ser pensada sem considerar as interações que tem com o todo. Desta forma, a nossa boca vai comunicar com os restantes órgãos, neste caso específico com o coração, por meio de fluidos.

O problema é que a nossa boca é a principal porta de entrada para bactérias e outros microorganismos patogénicos, que irão circular através do sangue e alojam-se, maioritariamente, no tecido que reveste o coração - endotélio. Assim, a nossa boca precisa de cuidados extra de higiene para nos mantermos saudáveis.

A doença cardíaca

O Instituto do Coração estima que 36% das mortes derivadas de problemas cardíacos e 45% das doenças cardíacas têm origem em problemas da boca - cáries profundas, gengivas inflamadas, abcessos…

Num paciente com imunidade baixa, devido à idade ou outras doenças, isto torna-se um problema ainda maior. O seu corpo não luta eficazmente contra os agentes patogénicos invasores e pode, com alguma facilidade, desenvolver um quadro de endocardite bacteriana - infeção que afeta o revestimento interno do coração.

No entanto, estas bactérias podem provocar mais do que infeções. A sua disseminação na corrente sanguínea pode levar ao acumular de gordura nas paredes das artérias, prejudicando o natural fluxo sanguíneo, para além de colonizarem potenciais válvulas do coração já danificadas ou enfraquecidas. Com o tempo, isto poderá traduzir-se em aterosclerose, arritmia, ou acidentes vasculares cerebrais.

Os mais vulneráveis

A doença da boca é sempre um risco, mas naturalmente, que os pacientes que exibem problemas crónicos, como gengivite ou doença periodontal são os mais vulneráveis ao desenvolvimento dos problemas cardíacos. Maus hábitos de higiene são o principal fator de risco.

Naturalmente, o paciente que já tem questões do foro cardíaco é umas das principais vítimas, especificamente más formações de válvulas ou próteses nas mesmas. Estes pacientes têm maior probabilidade de desenvolver Endocardite Bacteriana, que pode, no pior cenário, ser fatal. A estes pacientes é exigido cuidados recobrados com a saúde oral, e nalguns casos aconselha-se mesmo a toma de antibióticos antes de determinadas intervenções para prevenir que as bactérias se instalem na região cardíaca.

Sintomas e Sinais

A patologia ao nível da boca não se restringe apenas às cáries. Há outros sinais de que algo não está bem e que são tão responsáveis pelo desenvolvimento de doença cardíaca como as cáries.

A gengiva avermelhada, por vezes a sangrar, mau hálito frequente ou qualquer sinal de infeção são alertas importantes, assim como o amolecimento de alguns dentes. Se detetar qualquer um destes sinais, deve dirigir-se imediatamente ao seu dentista.  

Uma nova visão no cuidado do coração

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo. Cerca de um terço das mortes anuais devem-se a elas, por isso a prevenção está na ordem do dia.

A forte correlação entre a doença cardiovascular e a saúde oral dá-nos uma nova perspetiva sobre os cuidados com o coração, que não deve ser, de todo, ignorada. O nosso corpo funciona como uma máquina perfeita e qualquer peça defeituosa põe em causa o correto funcionamento do todo.  


segunda-feira, 23 de outubro de 2023

9 Curiosidades sobre a Memória Humana

 


A memória é uma capacidade fantástica e, à medida que a ciência avança e o conhecimento sobre o cérebro e as suas funções aumenta, surgem cada vez mais factos fascinantes acerca da mesma.

Aqui ficam algumas curiosidades sobre a nossa memória.

1. A sua capacidade de armazenamento é infinita

A noção de memória é muitas vezes mal interpretada. Nós memorizamos coisas, nós esquecemos coisas, mas a verdade é que o nosso cérebro não tem um espaço limitado de armazenamento como um chip de computador.

Alguns estudos concluíram que, em média, temos um espaço de memória equivalente a 20 milhões de livros de 500 páginas cada. Mas a verdade é que o cérebro tem uma capacidade chamada plasticidade, que lhe permite armazenar informação sem limite. No entanto, também possui o seu próprio princípio de economia, libertando-se de toda a informação considerada inútil ou obsoleta. 

2. Os nossos gostos importam

Alguma vez se questionou porque a letra daquela música que gosta tanto não lhe sai da cabeça, mas aquele parágrafo que tem de decorar para a apresentação de um evento da empresa parece impossível de reter?

Bem, o nosso cérebro memoriza mais facilmente as coisas de que gostamos. Se algo é importante para nós, essa informação é retida sem qualquer esforço.

As coisas que não gostamos ou nos causam desconforto e stress, pelo contrário, requerem um enorme esforço da nossa parte.

3. Não nos lembramos de como foi, mas do que nós sentimos

Quando recordamos um momento, nós não o recordamos da exata forma que aconteceu, mas sim, de como nos fez sentir, daquilo que nos afetou e como.

Isto faz com que os factos mais marcantes da nossa existência (sejam eles bons ou maus) fiquem para sempre gravados na nossa memória. Ela alimenta-se das emoções associadas aos factos, mais do que dos factos em si. 

4. As lacunas são preenchidas com falsas memórias

As falsas memórias são um fenómeno bem real. Sejam elas fruto de trauma ou outro motivo qualquer, o nosso cérebro não gosta de espaços em branco e tende a preenchê-los com as chamadas “falsas memórias”.

Elas podem ser criadas racionalmente, preenchendo as lacunas com o que faz mais sentido para nós, ou por relatos de terceiros, que o nosso cérebro, de certa forma, transforma em memórias. 

5. Dormir ajuda a reter informação

Qual foi o estudante que não esteve a estudar até tarde com medo de não saber o suficiente para o exame? Provavelmente já todos fizemos isso uma vez ou outra. No entanto, é a escolha errada.

Estudos demonstram que dormir ajuda a reter a informação na memória, pelo que da próxima vez que achar que é melhor estudar mais um pouco, talvez deva ponderar ir dormir e manter as aprendizagens que já realizou. 

6. Fotos apagam a memória

Num mundo em que gostamos de fotografar tudo, esta é uma má notícia. O ato de fotografar um momento, facilita o seu desaparecimento da nossa memória.

Um pouco como quando dizemos a alguém “Não te esqueças de…” aumenta a probabilidade da pessoa esquecer. Tirar uma fotografia deixa a pessoa “descansada” e não vai preocupar-se ativamente em guardar aquela informação na sua memória.

7. Canhotos têm melhor memória

Apesar de serem uma minoria, os canhotos têm um grande benefício: melhor memória, comparativamente à capacidade média da população geral. Porquê? Porque têm corpos calosos maiores, que ligam os dois hemisférios cerebrais, ajudando a tornar as memórias mais claras. 

8. Cheiro é o sentido com maior conexão com a memória

Alguma vez entrou num local e um cheiro despertou-lhe uma recordação qualquer? Talvez aquele cheirinho de comida da casa da avó, que tem um “cheirinho a infância”? Isso é porque o sentido do cheiro é o que está ligado às memórias mais vívidas.

Determinados cheiros podem atuar como uma espécie de gatilho para desencadear memórias.

9. Dizer as coisas em voz alta ajuda a memorizar

Da próxima vez que quiser memorizar um discurso, uma apresentação, ou até mesmo a sua lista de compras, experimente ler o conteúdo em voz alta.

Estudos demonstraram que o ato de dizer as palavras em voz alta facilita a sua retenção na memória de longo prazo. 

A memória com objeto de estudo contínuo

Apesar todos os avanços científicos a que assistimos nas últimas décadas, o cérebro e a memória humana ainda têm muito por descobrir. A todo o momento nos deparamos com novos factos, sempre fascinantes, sobre os mesmos.

A investigação contínua poderá trazer-nos muitas respostas de como a nossa memória funciona e, certamente, serão fascinantes de desvendar.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

O Terror do Fogo: o que os incêndios de verão fazem à nossa saúde mental?

 


Os incêndios de verão em Portugal já são uma espécie de dado adquirido, uma inevitabilidade e a maioria de nós não acha que possam ser totalmente evitados.

Cabe à população e equipas de emergência controlar o fogo e no final do verão, fazemos as contas aos prejuízos e preparamos lindos planos de contingência para o ano seguinte, que não parecem dar em nada.

No entanto, o fogo é mais do que centenas de bombeiros exaustos e propriedades perdidas. Há toda uma componente psicológica altamente traumática para quem vê as chamas aproximarem-se.

Pedrogão Grande - a mancha negra na história

A repetição frequente de um acontecimento trágico dá-lhe uma certa aura de normalidade e nem sempre lhe damos o devido valor. Muitos de nós, nunca pensaram muito no assunto antes da tragédia de 2017 em Pedrógão Grande.

Mais de 250 feridos e 66 mortos eram números inesperados, nunca vistos e teve um impacto a nível nacional. Pela primeira vez, as pessoas perceberam a necessidade do apoio psicológico às populações. Ainda assim, o impacto dos chamados “incêndios de verão” na saúde mental é enorme, mesmo quando não atinge estas dimensões infernais.

A dor da população

As imagens dos idosos a chorar desesperados ou a ser carregados em braços pelos bombeiros são terríveis e de uma crueldade assustadora. No entanto, os efeitos do fogo são transversais a todas as idades.

A nossa casa é o nosso porto seguro, tem as nossas coisas que por valor financeiro ou emocional são extremamente importantes para nós - muitas vezes só percebemos isso após as perdermos - e o sentimento de medo pela família e amigos, bem como a aterradora noção de ter zero controlo sobre os acontecimentos é altamente traumática em qualquer idade.

Ainda assim, é de referir que para os mais velhos, o impacto das perdas pode ser vivido de forma mais traumática, pois sentem que não terão tempo para recuperar. Não voltarão a construir a sua casa, ou a recuperar os seus terrenos. A solidão já é grande e muitas vezes, perder uma pessoa significa que não têm mais ninguém. Há uma fragilidade associada à idade que não pode ser ignorada no apoio à população. Estas pessoas sentem que já não há recomeço possível.

O sofrimento dos bombeiros

Os bombeiros são vistos como os grandes heróis que abdicam do verão para combater incêndios e ajudar os outros. Maioria da população demonstra grande amor e empatia por eles, mas, na verdade, uma parte essencial é esquecida: os heróis também sofrem.

O cansaço físico e os perigos para a saúde são óbvios, mas a saúde mental é uma espécie de parente pobre no nosso SNS e isso estende-se aos nossos bombeiros.

Um estudo da Universidade de Coimbra concluiu que 82% dos bombeiros participantes no estudo já estiveram expostos a pelo menos 20 situações potenciadoras de trauma. O trauma psicológico é um grande incapacitante do funcionamento normal e capacidade de tomada de decisão em situação de perigo. 

Os nossos bombeiros são duplamente penalizados e correm riscos em dobro pela ausência de apoio ao nível da saúde mental.

O que foi feito e o que devia ser feito

Há equipas comunitárias de saúde mental que podem garantir o apoio adequado aos indivíduos mais vulneráveis, no entanto, e apesar dos mais variados esforços, elas não chegam a todos. O mesmo ocorre para o núcleo local de resposta a catástrofes, formado por um médico, um enfermeiro, um psicólogo e um assistente social, o que em casos de situações graves e com muitas vítimas é claramente insuficiente.

Uma Comissão formada para o efeito determinou os quatro vetores principais em que o seu trabalho deve assentar:

1. Promover e assegurar a acessibilidade aos cuidados de saúde por parte das populações, em tempo adequado, valorizando as soluções de proximidade, coordenando as intervenções, quer as de natureza preventiva, quer as de ação terapêutica, através da dinamização das equipas comunitárias, multidisciplinares, envolvendo os diversos profissionais de saúde mental, de modo a integrar respostas concertadas junto da população em risco;

Situação atual: Apesar dos melhores esforços de um sem números de profissionais, continua a haver queixas de que os cuidados são poucos e a não chegam atempadamente a quem mais precisa.

2. Assegurar informação atualizada junto da comunicação social sobre as ações empreendidas, de modo a obter a sua colaboração na necessária informação à comunidade e facilitando a articulação das ações, designadamente com as entidades locais, autarquias e instituições sociais e solidárias, de modo a potenciar sinergias nas intervenções;

Situação atual: As pessoas estão cada vez mais informadas sobre a importância da saúde mental, mas os recursos ainda são demasiado escassos e a população mais idosa, a mais afetada devido à grande quantidade de idosos nas aldeias mais afetadas, ainda não tem informação suficiente nem sabe onde ou como pode pedir ajuda.

3. Caraterizar a população em risco, tendo em conta as perdas sofridas, a sintomatologia evidenciada, os recursos individuais e do sistema familiar em causa e os antecedentes psicopatológicos revelados, com especial atenção às situações de risco de suicídio;

Situação atual: O levantamento de dados é provavelmente a fase mais avançada até agora, no entanto, não tenho dados suficientes que garantam que o rastreamento das situações mais perigosas esteja, ou não, a ser realizado efetivamente. 

4. Produzir recomendações para a estruturação de respostas na área da saúde mental, em situações similares futuras de calamidade, com esta dimensão e impacto, a nível local, regional ou nacional, equacionando modelos de intervenção na comunidade, em articulação com o poder local, com os serviços da segurança social, com os diferentes cuidados de saúde, bombeiros, comunicação social, associações particulares de apoio, e outras estruturas relevantes da comunidade.

Situação atual: Foi posto em prática, mas com o passar do tempo e a memória coletiva a começar a esquecer, muitas das ideias são atiradas para o fundo de uma gaveta e totalmente esquecidas. 

(A “situação atual” é uma leitura pessoal, conforme os dados, muitas vezes escassos, que possuo.)

Casa roubada, trancas na porta

Após uma grande tragédia as pessoas ficam mais alerta e Pedrógão Grande não foi exceção. O país ficou mais ciente das suas fragilidades e do real perigo dos incêndios rurais.

Muito foi dito, nem tanto foi feito, após os trágicos acontecimentos de 2017. Houve melhorias sem dúvida, mas é curto, é pouco, é insuficiente. A saúde mental tem de ser uma prioridade, não são só as queimaduras que nos ferem. 



segunda-feira, 26 de junho de 2023

Aumento dos Gânglios Linfáticos - O que pode ser?

 


Os gânglios linfáticos são pequenos nódulos que existem no nosso corpo com a importante função de filtrar as substâncias nocivas ao nosso organismo. Situados na zona do pescoço, axilas e virilhas, raramente damos por eles exceto quando estão alterados - inchaço.

A descoberta de um linfonodo inchado pode tornar-se num grande susto para qualquer pessoa, mas não é preciso entrar em pânico - maioria das vezes é um problema benigno.

Como funcionam os gânglios linfáticos?

Os linfonodos funcionam como um filtro do organismo. As substâncias chegam até eles por meio de uma fina rede de canais linfáticos, onde circula um líquido chamado linfa. A linfa é um líquido transparente que contém células, resíduos do organismo, vírus e bactérias.

É especialmente frequente o aumento dos gânglios linfáticos nas crianças até aos dois anos, cujo sistema imunitário está frequentemente a ser estimulado pelo contacto com todo o tipo de agentes patogénicos presentes no ambiente em redor - ganhando anticorpos essenciais.

Principais causas para o aumento dos linfonodos

Os linfonodos ou gânglios linfáticos incham como resposta do organismo a ameaças, sejam elas doença, infeção ou stress. Este inchaço é uma manifestação evidente de que o nosso corpo está a trabalhar ativamente para se livrar dos agentes indesejados.

Assim sendo, podemos afirmar que geralmente, o aumento dos linfonodos é de origem benigna - viroses, amigdalites, sinusites, ou outras doenças comuns. Contudo, é importante afastar a pior hipótese: linfoma.

O linfoma é um tipo de cancro que se origina no sistema linfático (tem dois tipos: Hodgkin e não-Hodgkin) e apesar de não ser comum, pode acarretar muita gravidade, especialmente o não-Hodgkin, pelo que não devemos ignorar o problema.

Clique na imagem para aumentar:

Como podemos verificar na tabela acima, há inúmeras razões para o aumento dos nódulos linfáticos, com diferentes graus de gravidade, pelo que deve considerar uma avaliação médica, especialmente se o inchaço demora mais do que alguns dias.

Avaliação médica

Para garantir que tudo está bem consigo, deverá procurar a ajuda médica para uma avaliação cuidada, especialmente se o inchaço não causar dor e os gânglios foram duros e poucos móveis.

Numa primeira abordagem, o médico irá recomendar uma ecografia da zona para visualização e perante essa imagem poderá recomendar outros exames para determinar a necessidade de tratamento.

Não dramatizar, nem ignorar

Os motivos para o aumento dos linfonodos são variados e com consequências de diferentes naturezas. O ideal será não entrar em pânico nem se preocupar demasiadamente. No entanto, isto não significa que deva ignorar por completo os sintomas.

Esteja atento ao seu corpo e consulte sempre um médico em caso de dúvidas.