terça-feira, 20 de agosto de 2024

Como Ingerir Mais Cálcio e Fortalecer os Ossos Sem Consumir Leite

 


Quando pensamos em cálcio, o leite é muitas vezes o primeiro alimento que nos vem à mente. No entanto, existem inúmeras maneiras de obter cálcio suficiente para fortalecer os ossos sem precisar consumir leite ou produtos lácteos. 

Qual a real importância do cálcio?

O cálcio é um mineral essencial para a saúde dos ossos. Ele é o principal componente estrutural dos ossos e dentes, fornecendo-lhes a rigidez necessária. Além disso, o cálcio é vital para outras funções do corpo, como a contração muscular, coagulação do sangue e transmissão de sinais nervosos. 

Quando o corpo não obtém cálcio suficiente através da alimentação, ele começa a retirar cálcio dos ossos, o que pode levar à osteoporose e, consequentemente, aumentar o risco de fraturas.

Alimentos Ricos em Cálcio

Provavelmente, durante e maioria da sua vida, ouviu que o leite e os seus derivados são os produtos onde pode obter mais cálcio para o seu organismo. No entanto, não é bem assim. Podemos incluir na nossa dieta várias opções diferenciadas e saborosas.

Vegetais de Folhas Verdes

Vegetais como espinafres, couve, brócolos, rúcula e acelga são excelentes fontes de cálcio. A couve é particularmente rica em cálcio biodisponível, o que significa que o corpo consegue absorver melhor esse nutriente.

Para consumir, pode adicionar folhas verdes cruas a saladas, cozinhar os vegetais no vapor para acompanhar refeições principais, ou ainda, se preferir preparar uns smoothies verdes.

Amêndoas e Sementes

As amêndoas são uma excelente fonte de cálcio, assim como as sementes de sésamo, chia e linhaça. Além de cálcio, esses alimentos fornecem magnésio e gorduras saudáveis, que ajudam na absorção do mesmo.

Coma um punhado de amêndoas como lanche, ou adicione sementes de chia e linhaça a iogurtes vegetais. Pode ainda usar pasta de sésamo moído em molhos ou torradas.

Tofu

O tofu, especialmente o tofu enriquecido com cálcio, é uma excelente alternativa para quem evita produtos lácteos. 

Pode adicioná-lo a salteados de legumes ou sopas e usá-lo como substituto de queijos nalgumas receitas.

Leguminosas

Feijão-branco, lentilhas e grão-de-bico são ricos em cálcio. Esses alimentos são também boas fontes de proteína e fibra, contribuindo para uma dieta equilibrada.

Pode adicioná-los a sopas e saladas.

Fortaleça os ossos sempre

Com pequenas mudanças nos nossos hábitos alimentares, é possível fortalecer os ossos sem ter de recorrer ao leite e aos seus derivados. Uma exposição solar segura é também uma boa ajuda, visto que a Vitamina D ajuda o nosso corpo a absorver melhor o cálcio.

Esqueça mitos antigos e fortaleça os seus ossos da forma mais saudável.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Mindfulness - a palavra do momento

 


Nos últimos anos, a palavra mindfulness entrou para o vocabulário comum e tem ganho destaque como uma ferramenta poderosa para melhorar a saúde mental e o bem-estar geral. 

Mas o que exatamente é mindfulness? Em termos simples, é a prática de estar totalmente focado no momento presente, sem julgamento. É uma forma de treinar a mente para focar no aqui e agora, em vez de se preocupar com o passado ou o futuro. A sua prática regular tem sido associada a uma série de benefícios para a saúde, incluindo redução do stress, melhoria da concentração e promoção de um estado de paz interior.

Benefícios para a Saúde Mental

A prática de mindfulness tem mostrado ter um impacto profundo na saúde mental. Estudos científicos indicam que a meditação mindfulness pode ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade e depressão. Ao focar a atenção no momento presente, as pessoas podem aprender a observar os seus pensamentos e sentimentos sem se deixar dominar por eles. Isso pode levar a uma diminuição das respostas automáticas ao stress e a uma maior capacidade de lidar com situações desafiadoras de maneira calma e racional.

Além disso, promove a aceitação e o não-julgamento. Isto ajuda as pessoas a desenvolverem uma relação mais saudável com as suas próprias emoções. A prática regular pode melhorar a autoconsciência e a autorregulação emocional, proporcionando uma base sólida para uma saúde mental equilibrada.

Aplicações Práticas do Mindfulness no Dia a Dia

Implementar esta técnica no dia a dia pode ser mais simples do que parece. Uma das formas mais comuns de praticar mindfulness é através da meditação. Mesmo sessões curtas de meditação, de 5 a 10 minutos, podem fazer uma diferença significativa. Durante a meditação, é comum focar na respiração, observando cada inalação e exalação, e trazendo a mente de volta ao foco sempre que ela se desvia.

Além da meditação, o mindfulness pode ser incorporado em atividades diárias comuns, como comer, caminhar ou até mesmo lavar a louça. A chave é fazer essas atividades com total atenção, observando cada detalhe sensorial e estando plenamente presente no momento. Por exemplo, ao comer, preste atenção às cores, texturas e sabores dos alimentos. Ao caminhar, observe a sensação dos seus pés a tocar no chão e o ritmo da sua respiração.

Viver o Presente

O mindfulness oferece uma abordagem poderosa e acessível para melhorar a saúde mental e o bem-estar geral. Ao aprender a estar presente e a observar os nossos pensamentos e emoções sem julgamento, podemos desenvolver uma maior resiliência emocional e uma sensação de paz interior. 

Incorporar práticas de mindfulness na rotina diária pode transformar a maneira como lidamos com o stress e as adversidades, promovendo uma vida mais equilibrada e harmoniosa. Comece com pequenos passos, e deixe-se levar pelos inúmeros benefícios que o mindfulness pode trazer para sua vida.

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Como o ‘Stress’ Afeta a Sua Saúde e Maneiras Eficazes de Geri-lo

 


Stress tornou-se uma palavra comum do nosso vocabulário no final do século passado. O seu significado é simples: stress é a resposta do nosso corpo a um evento ou a uma situação de pressão na nossa vida.

Tem uma carga pessoal muito grande e um impacto forte na nossa saúde. É importante que compreendamos que esse impacto ocorre a todos os níveis e é altamente prejudicial à nossa saúde física e mental.

Como o Stress Afeta a Sua Saúde

O stress tem um impacto óbvio na saúde mental. Exaustão mental, ansiedade, depressão, toda a nossa psique é afetada e muitas vezes, nem sabemos dizer o porquê. Sentimo-nos desmotivados e não encontramos nada a que nos agarrar para seguir em frente.

Embora devastadores, os problemas de saúde mental não são os únicos que o stress nos traz. A saúde física é extremamente afetada e, para muitos de nós, é mais difícil correlacionar os problemas que vão surgindo com o stress. 

  • Enfraquecimento do Sistema Imunitário - Está constantemente doente, ou quando adoece tem dificuldade em recuperar? Pois é, o seu sistema imunitário está enfraquecido e o stress tem um papel de relevo nisso. A exposição constante ao stress deixa-o mais vulnerável a todo o tipo de doenças devido à diminuição das suas defesas naturais.
  • Relação com Doenças Cardiovasculares - O stress está associado ao aparecimento e desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Estas são a principal causa de morte em todo o mundo e são muitas vezes ignoradas nos primeiros sintomas. 
  • Efeitos no Sistema Digestivo - O estômago dói e sente todo o tipo de inconvenientes, azia, má digestão, náuseas. Pode sentir uma fome incontrolável, ou não ser capaz de comer nada durante horas. Os seus intestinos não funcionam regularmente e são frequentes os episódios tanto de diarreia, como da mais incómoda obstipação. Tudo isto são sinais do seu corpo a dizer-lhe que está sob stress excessivo e se os ignorar, pode desenvolver doenças graves e potencialmente fatais. 

Gerir o Stress - o eterno dilema

Todos nós, de forma mais ou menos intencional, tentamos gerir o nosso stress no dia a dia, mas na sua grande maioria, fazemo-lo de forma errada. Tentamos controlar os fatores externos, que, em última análise, não podem ser controlados por nós.

A melhor forma de gerir o stress não é controlar todo o trabalho que tem para fazer, ou dividir tarefas, embora isso seja de grande ajuda. Aquilo que realmente precisa é ajudar o seu corpo, controlando e moldando os seus sentimentos e emoções - transformando-os em algo mais saudável. Afinal, tentar simplesmente ver-se livre de todo o stress, só fará o mesmo aumentar.

Técnicas de Relaxamento

Uma forma de diminuir quase imediatamente a sensação de stress e ansiedade é mediante técnicas simples de relaxamento, como a meditação e a respiração profunda. 

O controlo respiratório, quando bem usado, é uma arma infalível na gestão do stress no nosso dia a dia, ajudando-nos a contornar a sensação de desespero e falta de controlo que o mesmo nos provoca. 

Por outro lado, recorrer a práticas de mindfulness poderá também ajudar a afastar os pensamentos repetitivos causadores de stress.

Atividade Física Regular

Estão descritos exaustivamente e em diferentes fontes os inúmeros benefícios da atividade física, e sim, ela também ajuda a gerir o stress. O nosso corpo foi feito para o movimento e uma vida sedentária afeta-nos de formas que, muitas vezes, nem conseguimos imaginar.

A prática de atividade física proporciona uma diminuição dos níveis de adrenalina e cortisol no nosso organismo, fazendo-nos sentir mais relaxados.

Alimentação

Tal como o exercício físico, a alimentação parece ter impacto em todos os setores da nossa vida. Muitas pessoas erram ao cortar determinados alimentos da sua dieta, numa tentativa de alcançar a chamada alimentação saudável. 

Naturalmente, há coisas que deve evitar ao máximo como alimentos muito gordurosos ou com altos teores de açúcar, mas fora essas exceções, o segredo está no equilíbrio. Comer um pouco de tudo vai proporcionar-lhe mais nutrientes e fazê-lo sentir-se melhor e mais forte, mesmo para enfrentar o stress.

Importância do Sono

O sono é um mecanismo importante de defesa do nosso organismo. Ele permite-nos descansar, limpar a mente e equilibrar o nosso corpo. Infelizmente, na tentativa vã de produzir o máximo possível, ele pode ser muito descurado hoje em dia.

Este é um erro grave, dada a sua importância. Dormir bem e tempo suficiente é vital para o controlo do stress e do seu impacto no nosso organismo. 

A Luta por uma Vida Melhor Começa cá Dentro

Trabalhamos todos os dias para ter uma vida melhor e mais confortável e a saúde mental é tantas vezes deixada de lado. Uma vida melhor começa no nosso íntimo, na saúde do nosso organismo e no sentirmo-nos bem connosco próprios.

Gerir os níveis de stress é o primeiro passo para esse bem-estar e nada como a adoção de um estilo de vida saudável para nos ajudar nessa gestão.

quarta-feira, 17 de abril de 2024

A Verdade Sobre o Jejum Intermitente

 


O Jejum Intermitente é, nos últimos anos, e apesar de não ser uma dieta, uma das mais populares formas para tentar um emagrecimento rápido. Trata-se de um padrão alimentar, em que se intercala períodos onde nos alimentamos normalmente, com períodos mais ou menos prolongados de jejum.

No entanto, este culto do jejum intermitente é algo bem informal e proliferado online, por isso, é importante perguntar-se: qual a verdade acerca deste método de emagrecimento?

O Jejum Intermitente Funciona?

O jejum intermitente tem muitas variáveis, como o intervalo de tempo de jejum e o que pode ou não consumir nesse intervalo de tempo. Geralmente, apenas água, mas também há outras possibilidades, desde que não influenciem os níveis de insulina. É importante reforçar que o período noturno, ou seja, quando estamos a dormir, conta como período de jejum.

Durante o período em que não se alimenta, sendo este mais ou menos longo, o organismo vai buscar todas as reservas de “combustível” para continuar a funcionar normalmente. Este combustível é a gordura acumulada, levando assim ao emagrecimento.

É seguro?

São várias as tradições religiosas que praticam o jejum. Na Grécia Antiga acreditava-se que ajudava a curar doenças. A ciência moderna tem uma opinião bastante positiva relativamente ao mesmo. Estudos demonstram existir um maior controlo de doenças como o colesterol, tensão arterial e diabetes.

O jejum, por si só, não é prejudicial à saúde, estudos indicam até vários benefícios na sua prática. No entanto, a falta de informação fidedigna, assim como ausência de qualquer acompanhamento médico ou profissional, pode, sim, trazer alguns prejuízos à saúde.

Os intervalos de tempo nos quais se pratica o jejum são outra coisa a ter em conta. Podem ir de 12 horas até 36 horas. Jejum de longa duração pode, sem dúvida, ser prejudicial, especialmente se o seu dia a dia envolver muito esforço físico. O que come nos períodos de alimentação também é fundamental para garantir a sua segurança e saúde. Uma alimentação incorreta e sem os nutrientes adequados pode resultar em problemas como anemia, osteoporose, desidratação, queda e enfraquecimento de cabelo, bem como ansiedade e irritação.

No caso dos doentes crónicos é importante consultar o médico antes de tomar a decisão de fazer jejum. O jejum é desaconselhado a grávida e mulheres a amamentar, crianças, jovens e em casos de perturbações alimentares.

No período em que me alimento, posso comer o que quiser?

Aqui começa um dos problemas no que diz respeito à eficácia do jejum intermitente. Naturalmente, que para perder peso, o que importa é consumir menos calorias do que as que se gasta, o que parece à partida simples. Mas não é.

Se ao terminar o jejum ingerir alimentos muito calóricos e com elevado índice glicémico, então não está a trazer o benefício que poderia ao seu organismo. Causará picos de insulina que o farão sentir mais fome e desejo de consumir mais… açúcares. Para um jejum intermitente eficaz no processo de emagrecimento, açúcares e farinhas devem ser evitados. As refeições devem ser saudáveis e equilibradas - com verduras, legumes, frutas e proteínas de qualidade.

Também deverá controlar as porções, não caia no erro de comer exageradamente quando terminar a fase de jejum. É preferível fazer jejuns menos prolongados e comer normalmente a seguir, do que aumentar as horas de jejum e perder o controlo.

Casos Específicos

Alguns grupos de pessoas, por motivos muito particulares, podem ter dúvidas sobre o impacto que o jejum intermitente poderia ter no seu corpo e na sua saúde. Aqui ficam algumas ideias, mas lembre-se que deve SEMPRE consultar o seu médico.

  • Diabéticos - Algumas pesquisas apontam para o facto de o jejum poder ser um auxílio no controlo da glicémia e do peso, bem como melhorar a sensibilidade à insulina. No entanto, outros estudos põem em causa estes resultados. Se é diabético não deve experimentar o jejum intermitente sem antes consultar o seu médico assistente.
  • Desportistas - Embora o jejum juntamente com certos exercícios tenha demonstrado bons resultados no emagrecimento e até diminuição do colesterol, este poderá não ser o mais aconselhado para desportistas, especialmente se pretende treinar em jejum. Optar por não comer nada antes de um grande esforço físico pode resultar em tonturas, desmaios e crises hipoglicémicas. Procure o seu médico antes de efetuar qualquer tentativa de jejum.
  • Grávidas - Desaconselhado. As grávidas devem sempre seguir as indicações nutricionais médicas.
  • Pessoas com Distúrbios Alimentares - Tal como as grávidas, devem seguir à risca as indicações dos profissionais de saúde a acompanhar o seu caso e jamais iniciar qualquer alteração alimentar sem o conhecimento destes. O jejum intermitente neste caso é desaconselhado. 

Desvantagens

Como todas as dietas, o jejum intermitente tem algumas desvantagens que podem afetar o seu dia a dia. 

  • Concentração e memória - Passar longos períodos sem comer afeta a sua capacidade de concentração e memória, levando a uma menor produtividade nos estudos e no trabalho.
  • Capacidade de atenção - A nossa capacidade de foco e atenção pode ficar comprometida pelas longas horas sem comer, trazendo-nos maior propensão para acidentes de todo o género.
  • Irritabilidade - A baixa taxa de açúcar no sangue provocada por longas horas sem comer torna-nos mais impacientes e irritáveis. Conflitos em casa e no trabalho podem surgir com mais frequência, trazendo consequências mais ou menos graves à sua vida. 
  • Distúrbios alimentares - dietas restritivas tendem a aumentar a probabilidade de desenvolver comportamentos obsessivos relativamente à alimentação. Estes são a base para o desenvolvimento de distúrbios alimentares. A generalização, especialmente online, de opiniões e comunidades a defender a prática aumenta o risco, pois a pessoa sente o seu comportamento justificado por elas, sem se dar conta dos riscos que está a correr.

A Opinião dos Profissionais de Saúde

Apesar de alguns benefícios e haver cada vez mais pessoas a adotar o jejum intermitente como forma de manter ou perder peso, a maioria dos profissionais de saúde não o considera uma boa escolha.

Nutricionistas e médicos endocrinologistas alertam para o facto de que apesar de perder peso, a pessoa perde maioritariamente massa muscular e não gordura. Além disso, esta forma de emagrecimento não é sustentável a longo prazo, pois estamos a passar a mensagem ao organismo de que ele está em privação e, portanto, vai armazenar toda a gordura que conseguir, ou seja, desacelerar o metabolismo.

Os profissionais de saúde referem ainda que, mesmo tomando suplementos vitamínicos, o organismo não está a receber os hidratos de carbono e as proteínas necessárias ao seu funcionamento. Isto traduz-se em quedas súbitas da tensão arterial e desmaios, crises de hipoglicemia, cambras e desequilíbrios eletrolíticos.

Lembre-se de falar sempre com o seu médico assistente antes de iniciar qualquer tipo de regime alimentar que implique restrições significativas.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Como uma ida ao dentista pode evitar problemas cardíacos?

 


Quando pensamos em dentista e saúde oral pensamos normalmente num sorriso branco e bonito, hálito fresco e uma estética impecável. No entanto, manter a higiene e saúde da sua boca é muito mais do que isto e tem um impacto bem maior na sua vida.

A boca está ligada aos órgãos do corpo através da corrente sanguínea. Assim, as bactérias que provocam as cáries facilmente se espalham, acabando inevitavelmente por chegar ao coração e gerar diversas patologias.

A sua boca é uma porta de entrada para agentes patogénicos

O corpo humano é uma entidade muito complexa e funciona pelo meio da interação entre todos os seus órgãos. Nenhuma parte pode ser pensada sem considerar as interações que tem com o todo. Desta forma, a nossa boca vai comunicar com os restantes órgãos, neste caso específico com o coração, por meio de fluidos.

O problema é que a nossa boca é a principal porta de entrada para bactérias e outros microorganismos patogénicos, que irão circular através do sangue e alojam-se, maioritariamente, no tecido que reveste o coração - endotélio. Assim, a nossa boca precisa de cuidados extra de higiene para nos mantermos saudáveis.

A doença cardíaca

O Instituto do Coração estima que 36% das mortes derivadas de problemas cardíacos e 45% das doenças cardíacas têm origem em problemas da boca - cáries profundas, gengivas inflamadas, abcessos…

Num paciente com imunidade baixa, devido à idade ou outras doenças, isto torna-se um problema ainda maior. O seu corpo não luta eficazmente contra os agentes patogénicos invasores e pode, com alguma facilidade, desenvolver um quadro de endocardite bacteriana - infeção que afeta o revestimento interno do coração.

No entanto, estas bactérias podem provocar mais do que infeções. A sua disseminação na corrente sanguínea pode levar ao acumular de gordura nas paredes das artérias, prejudicando o natural fluxo sanguíneo, para além de colonizarem potenciais válvulas do coração já danificadas ou enfraquecidas. Com o tempo, isto poderá traduzir-se em aterosclerose, arritmia, ou acidentes vasculares cerebrais.

Os mais vulneráveis

A doença da boca é sempre um risco, mas naturalmente, que os pacientes que exibem problemas crónicos, como gengivite ou doença periodontal são os mais vulneráveis ao desenvolvimento dos problemas cardíacos. Maus hábitos de higiene são o principal fator de risco.

Naturalmente, o paciente que já tem questões do foro cardíaco é umas das principais vítimas, especificamente más formações de válvulas ou próteses nas mesmas. Estes pacientes têm maior probabilidade de desenvolver Endocardite Bacteriana, que pode, no pior cenário, ser fatal. A estes pacientes é exigido cuidados recobrados com a saúde oral, e nalguns casos aconselha-se mesmo a toma de antibióticos antes de determinadas intervenções para prevenir que as bactérias se instalem na região cardíaca.

Sintomas e Sinais

A patologia ao nível da boca não se restringe apenas às cáries. Há outros sinais de que algo não está bem e que são tão responsáveis pelo desenvolvimento de doença cardíaca como as cáries.

A gengiva avermelhada, por vezes a sangrar, mau hálito frequente ou qualquer sinal de infeção são alertas importantes, assim como o amolecimento de alguns dentes. Se detetar qualquer um destes sinais, deve dirigir-se imediatamente ao seu dentista.  

Uma nova visão no cuidado do coração

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo. Cerca de um terço das mortes anuais devem-se a elas, por isso a prevenção está na ordem do dia.

A forte correlação entre a doença cardiovascular e a saúde oral dá-nos uma nova perspetiva sobre os cuidados com o coração, que não deve ser, de todo, ignorada. O nosso corpo funciona como uma máquina perfeita e qualquer peça defeituosa põe em causa o correto funcionamento do todo.  


segunda-feira, 23 de outubro de 2023

9 Curiosidades sobre a Memória Humana

 


A memória é uma capacidade fantástica e, à medida que a ciência avança e o conhecimento sobre o cérebro e as suas funções aumenta, surgem cada vez mais factos fascinantes acerca da mesma.

Aqui ficam algumas curiosidades sobre a nossa memória.

1. A sua capacidade de armazenamento é infinita

A noção de memória é muitas vezes mal interpretada. Nós memorizamos coisas, nós esquecemos coisas, mas a verdade é que o nosso cérebro não tem um espaço limitado de armazenamento como um chip de computador.

Alguns estudos concluíram que, em média, temos um espaço de memória equivalente a 20 milhões de livros de 500 páginas cada. Mas a verdade é que o cérebro tem uma capacidade chamada plasticidade, que lhe permite armazenar informação sem limite. No entanto, também possui o seu próprio princípio de economia, libertando-se de toda a informação considerada inútil ou obsoleta. 

2. Os nossos gostos importam

Alguma vez se questionou porque a letra daquela música que gosta tanto não lhe sai da cabeça, mas aquele parágrafo que tem de decorar para a apresentação de um evento da empresa parece impossível de reter?

Bem, o nosso cérebro memoriza mais facilmente as coisas de que gostamos. Se algo é importante para nós, essa informação é retida sem qualquer esforço.

As coisas que não gostamos ou nos causam desconforto e stress, pelo contrário, requerem um enorme esforço da nossa parte.

3. Não nos lembramos de como foi, mas do que nós sentimos

Quando recordamos um momento, nós não o recordamos da exata forma que aconteceu, mas sim, de como nos fez sentir, daquilo que nos afetou e como.

Isto faz com que os factos mais marcantes da nossa existência (sejam eles bons ou maus) fiquem para sempre gravados na nossa memória. Ela alimenta-se das emoções associadas aos factos, mais do que dos factos em si. 

4. As lacunas são preenchidas com falsas memórias

As falsas memórias são um fenómeno bem real. Sejam elas fruto de trauma ou outro motivo qualquer, o nosso cérebro não gosta de espaços em branco e tende a preenchê-los com as chamadas “falsas memórias”.

Elas podem ser criadas racionalmente, preenchendo as lacunas com o que faz mais sentido para nós, ou por relatos de terceiros, que o nosso cérebro, de certa forma, transforma em memórias. 

5. Dormir ajuda a reter informação

Qual foi o estudante que não esteve a estudar até tarde com medo de não saber o suficiente para o exame? Provavelmente já todos fizemos isso uma vez ou outra. No entanto, é a escolha errada.

Estudos demonstram que dormir ajuda a reter a informação na memória, pelo que da próxima vez que achar que é melhor estudar mais um pouco, talvez deva ponderar ir dormir e manter as aprendizagens que já realizou. 

6. Fotos apagam a memória

Num mundo em que gostamos de fotografar tudo, esta é uma má notícia. O ato de fotografar um momento, facilita o seu desaparecimento da nossa memória.

Um pouco como quando dizemos a alguém “Não te esqueças de…” aumenta a probabilidade da pessoa esquecer. Tirar uma fotografia deixa a pessoa “descansada” e não vai preocupar-se ativamente em guardar aquela informação na sua memória.

7. Canhotos têm melhor memória

Apesar de serem uma minoria, os canhotos têm um grande benefício: melhor memória, comparativamente à capacidade média da população geral. Porquê? Porque têm corpos calosos maiores, que ligam os dois hemisférios cerebrais, ajudando a tornar as memórias mais claras. 

8. Cheiro é o sentido com maior conexão com a memória

Alguma vez entrou num local e um cheiro despertou-lhe uma recordação qualquer? Talvez aquele cheirinho de comida da casa da avó, que tem um “cheirinho a infância”? Isso é porque o sentido do cheiro é o que está ligado às memórias mais vívidas.

Determinados cheiros podem atuar como uma espécie de gatilho para desencadear memórias.

9. Dizer as coisas em voz alta ajuda a memorizar

Da próxima vez que quiser memorizar um discurso, uma apresentação, ou até mesmo a sua lista de compras, experimente ler o conteúdo em voz alta.

Estudos demonstraram que o ato de dizer as palavras em voz alta facilita a sua retenção na memória de longo prazo. 

A memória com objeto de estudo contínuo

Apesar todos os avanços científicos a que assistimos nas últimas décadas, o cérebro e a memória humana ainda têm muito por descobrir. A todo o momento nos deparamos com novos factos, sempre fascinantes, sobre os mesmos.

A investigação contínua poderá trazer-nos muitas respostas de como a nossa memória funciona e, certamente, serão fascinantes de desvendar.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

O Terror do Fogo: o que os incêndios de verão fazem à nossa saúde mental?

 


Os incêndios de verão em Portugal já são uma espécie de dado adquirido, uma inevitabilidade e a maioria de nós não acha que possam ser totalmente evitados.

Cabe à população e equipas de emergência controlar o fogo e no final do verão, fazemos as contas aos prejuízos e preparamos lindos planos de contingência para o ano seguinte, que não parecem dar em nada.

No entanto, o fogo é mais do que centenas de bombeiros exaustos e propriedades perdidas. Há toda uma componente psicológica altamente traumática para quem vê as chamas aproximarem-se.

Pedrogão Grande - a mancha negra na história

A repetição frequente de um acontecimento trágico dá-lhe uma certa aura de normalidade e nem sempre lhe damos o devido valor. Muitos de nós, nunca pensaram muito no assunto antes da tragédia de 2017 em Pedrógão Grande.

Mais de 250 feridos e 66 mortos eram números inesperados, nunca vistos e teve um impacto a nível nacional. Pela primeira vez, as pessoas perceberam a necessidade do apoio psicológico às populações. Ainda assim, o impacto dos chamados “incêndios de verão” na saúde mental é enorme, mesmo quando não atinge estas dimensões infernais.

A dor da população

As imagens dos idosos a chorar desesperados ou a ser carregados em braços pelos bombeiros são terríveis e de uma crueldade assustadora. No entanto, os efeitos do fogo são transversais a todas as idades.

A nossa casa é o nosso porto seguro, tem as nossas coisas que por valor financeiro ou emocional são extremamente importantes para nós - muitas vezes só percebemos isso após as perdermos - e o sentimento de medo pela família e amigos, bem como a aterradora noção de ter zero controlo sobre os acontecimentos é altamente traumática em qualquer idade.

Ainda assim, é de referir que para os mais velhos, o impacto das perdas pode ser vivido de forma mais traumática, pois sentem que não terão tempo para recuperar. Não voltarão a construir a sua casa, ou a recuperar os seus terrenos. A solidão já é grande e muitas vezes, perder uma pessoa significa que não têm mais ninguém. Há uma fragilidade associada à idade que não pode ser ignorada no apoio à população. Estas pessoas sentem que já não há recomeço possível.

O sofrimento dos bombeiros

Os bombeiros são vistos como os grandes heróis que abdicam do verão para combater incêndios e ajudar os outros. Maioria da população demonstra grande amor e empatia por eles, mas, na verdade, uma parte essencial é esquecida: os heróis também sofrem.

O cansaço físico e os perigos para a saúde são óbvios, mas a saúde mental é uma espécie de parente pobre no nosso SNS e isso estende-se aos nossos bombeiros.

Um estudo da Universidade de Coimbra concluiu que 82% dos bombeiros participantes no estudo já estiveram expostos a pelo menos 20 situações potenciadoras de trauma. O trauma psicológico é um grande incapacitante do funcionamento normal e capacidade de tomada de decisão em situação de perigo. 

Os nossos bombeiros são duplamente penalizados e correm riscos em dobro pela ausência de apoio ao nível da saúde mental.

O que foi feito e o que devia ser feito

Há equipas comunitárias de saúde mental que podem garantir o apoio adequado aos indivíduos mais vulneráveis, no entanto, e apesar dos mais variados esforços, elas não chegam a todos. O mesmo ocorre para o núcleo local de resposta a catástrofes, formado por um médico, um enfermeiro, um psicólogo e um assistente social, o que em casos de situações graves e com muitas vítimas é claramente insuficiente.

Uma Comissão formada para o efeito determinou os quatro vetores principais em que o seu trabalho deve assentar:

1. Promover e assegurar a acessibilidade aos cuidados de saúde por parte das populações, em tempo adequado, valorizando as soluções de proximidade, coordenando as intervenções, quer as de natureza preventiva, quer as de ação terapêutica, através da dinamização das equipas comunitárias, multidisciplinares, envolvendo os diversos profissionais de saúde mental, de modo a integrar respostas concertadas junto da população em risco;

Situação atual: Apesar dos melhores esforços de um sem números de profissionais, continua a haver queixas de que os cuidados são poucos e a não chegam atempadamente a quem mais precisa.

2. Assegurar informação atualizada junto da comunicação social sobre as ações empreendidas, de modo a obter a sua colaboração na necessária informação à comunidade e facilitando a articulação das ações, designadamente com as entidades locais, autarquias e instituições sociais e solidárias, de modo a potenciar sinergias nas intervenções;

Situação atual: As pessoas estão cada vez mais informadas sobre a importância da saúde mental, mas os recursos ainda são demasiado escassos e a população mais idosa, a mais afetada devido à grande quantidade de idosos nas aldeias mais afetadas, ainda não tem informação suficiente nem sabe onde ou como pode pedir ajuda.

3. Caraterizar a população em risco, tendo em conta as perdas sofridas, a sintomatologia evidenciada, os recursos individuais e do sistema familiar em causa e os antecedentes psicopatológicos revelados, com especial atenção às situações de risco de suicídio;

Situação atual: O levantamento de dados é provavelmente a fase mais avançada até agora, no entanto, não tenho dados suficientes que garantam que o rastreamento das situações mais perigosas esteja, ou não, a ser realizado efetivamente. 

4. Produzir recomendações para a estruturação de respostas na área da saúde mental, em situações similares futuras de calamidade, com esta dimensão e impacto, a nível local, regional ou nacional, equacionando modelos de intervenção na comunidade, em articulação com o poder local, com os serviços da segurança social, com os diferentes cuidados de saúde, bombeiros, comunicação social, associações particulares de apoio, e outras estruturas relevantes da comunidade.

Situação atual: Foi posto em prática, mas com o passar do tempo e a memória coletiva a começar a esquecer, muitas das ideias são atiradas para o fundo de uma gaveta e totalmente esquecidas. 

(A “situação atual” é uma leitura pessoal, conforme os dados, muitas vezes escassos, que possuo.)

Casa roubada, trancas na porta

Após uma grande tragédia as pessoas ficam mais alerta e Pedrógão Grande não foi exceção. O país ficou mais ciente das suas fragilidades e do real perigo dos incêndios rurais.

Muito foi dito, nem tanto foi feito, após os trágicos acontecimentos de 2017. Houve melhorias sem dúvida, mas é curto, é pouco, é insuficiente. A saúde mental tem de ser uma prioridade, não são só as queimaduras que nos ferem.