terça-feira, 29 de março de 2016

4 Dicas Para Ajudar Um Adolescente Deprimido



Conviver e ajudar um paciente deprimido nunca é fácil, mas quando estamos a falar de um adolescente, a situação torna-se emocionalmente ainda mais complicada. Por vezes, torna-se difícil compreender como uma pessoa tão jovem e cheia de possibilidades pela frente pode deixar-se arrastar para um estado de desespero e apatia tão grande.




No entanto, se o quer ajudar, há várias coisas que pode fazer.


1. Não desvalorize os sentimentos do adolescente

Por mais que sinta que ele/a não tem motivos para se sentir desta forma, nunca o expresse nem critique o jovem. Os sentimentos são reais e sentir desrespeito e incompreensão poderão levar o adolescente a atitudes extremas, como tentativas de suicídio.


2. Incentive a realização de um tratamento

Mesmo que o jovem em questão não seja da sua responsabilidade, enquanto pai ou educador, se se preocupa com ele/a, incentive a procura de ajuda. A depressão é uma doença grave e em idade tão jovens é precisa uma abordagem multidisplinar, o mais rapidamente possível, de modo a reverter o quadro.

O tratamento deve ser consistente e jamais interrompido, sob perigo de graves recaídas, que poderão ter consequências significativas.


3. Evite comentários depreciativos acerca da doença

O doente com depressão não é “fraco” nem “maluco”. A depressão é uma doença como qualquer outra e tem tratamento. Muitas vezes, brincadeiras sem intenção magoam o adolescente, contribuindo para uma quebra ainda maior da sua auto-estima. Ele torna-se mais fechado e tem menos probabilidade de procurar ajuda.


4. Incentive o jovem a expressar os seus sentimentos e não o julgue

Uma forma muito eficaz de aliviar o que nos pesa o coração é “deitar cá para fora”. Isto nem sempre é fácil e para um adolescente pode ser especialmente complicado. É uma fase da vida complexa por si só e o medo da rejeição ou da falta de compreensão dos outros, pode tornar os adolescentes mais fechados.

Assim, incentive-o/a a falar sobre o que sente e em caso algum mostre julgamentos de valor ou desvalorização do que lhe é contado. Caso seja pai ou mãe de um jovem, não se sinta mal por o seu filho preferir falar com outra pessoa. É natural algumas reservas em comunicar os seus sentimentos mais profundos com os pais, o importante é que ele encontre uma pessoa de confiança. Incentive-o a fazê-lo, mesmo que lhe custe, ou se sinta “deixado para trás”.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Depressão: uma tendência entre os adolescentes?



A adolescência é, por si só, uma fase de muitas alterações e mudanças de humor frequentes e por isso, muitas vezes, os sintomas passam despercebidos aos pais e amigos do adolescente, no entanto, o jovem deprimido demonstra sintomas graves, como tristeza (por vezes, intervalada com momentos euforia), desespero ou raiva. 

Estima-se que, actualmente, 9% dos adolescentes apresentam um quadro depressivo e apenas 20% dos mesmos recebem tratamento adequado. Isto deve-se, na maioria dos casos, ao facto de que os sintomas passam ao lado dos cuidadores e o adolescente raramente admite para si mesmo e para os outros que precisa de ajuda. Estima-se que a maioria dos adultos que revelam episódios depressivos tiveram o primeiro entre os 15 e os 19 anos.



Actualmente, a doença é mais facilmente entendida e diagnosticada, pais e professores estão mais alerta e isso faz com que os números disparem, mas não podemos afirmar com certeza, de que há mais adolescentes deprimidos agora, do que havia há 20 anos atrás. No entanto, é de referir que o estilo de vida moderno e as exigências crescentes para todos nós são propícios ao desenvolvimento da doença.

O importante é reconhecer os sinais, ter consciência de que é uma doença e tem tratamento e recorrer a este o mais depressa possível.


Sinais a Ter Em Conta

Se tem um adolescente em casa ou é professor desta faixa etária, deve estar atento aos principais sintomas:

- tristeza, desespero e irritabilidade

- demonstrações de raiva e hostilidade

- choro frequente

- perda de interesse em actividades anteriormente prazerosas e isolamento social

- cansaço e dificuldades de concentração

- alterações alimentares e de sono

Por vezes, alguns destes sintomas são apenas manifestações da idade, das alterações hormonais e tentativas de afirmação. Se tem dúvidas se um adolescente está ou não deprimido, tenha em atenção a duração e a intensidade dos mesmos.


A depressão na adolescência vai muito mais além do que tristeza ou melancolia e pode levar a atitudes como fugas, problemas na escola (de várias ordens), abuso de substâncias, distúrbios alimentares, auto-mutilação e outros comportamentos de risco. Muitos jovens deprimidos começam a passar cada vez mais tempo atrás de aparelhos electrónicos e na internet, como escape para o que sentem, no entanto, este comportamento provoca um maior isolamento, agravando o estado depressivo.


A família

Dado as frequentes mudança de humor próprias desta faixa etária, a família, muitas vezes, desvaloriza alguns comportamentos, no entanto, quando há sinais de depressão, esta é a pior atitude a tomar. A depressão é uma doença séria e deve ser tratada como tal.



Os pais devem então acompanhar todo o processo de tratamento, lidando com o adolescente de acordo com a orientação dos profissionais envolvidos. Muitas vezes, é preciso fazer alguns ajustes no ambiente familiar.


O Risco de Suicídio

Apesar de o simples mencionar do assunto seja penoso, a verdade é que não podemos tapar o sol com a peneira. O suicídio é actualmente a 2ª principal causa de morte entre os jovens entre os 15 e os 19 anos. Isto são dados alarmantes e os quais devemos ter em conta.

A forma mais eficaz de prevenção é levar a situação “a sério”. Se qualquer pessoa, independentemente da idade, demonstrar a menor vontade em fazê-lo, não devemos achar que é apenas “da boca para fora”. Mesmo as pessoas que o repetem muitas vezes e por isso são menos levadas a sério, a verdade é que mais cedo ou mais tarde, vão tentar pôr fim à própria vida.

As estatísticas afirmam que o risco de suicídio é superior em jovens do sexo masculino e que a grande maioria dos adolescentess que cometem (ou tentam cometer) suicídio dão sempre algum sinal ou aviso anteriormente. Em caso de dúvida, deve encaminhar o adolescente para um profissional de saúde. O conceito de “excesso de zelo” não se aplica neste caso.


Há 3 grandes grupos de risco de suicídio entre os adolescentes, os que apresentam os sintomas clássicos de depressão, os adolescentes excessivamente perfeccionistas, que estabelecem padrões de desempenho irrealistas para si mesmos e são, por consequência, extremamente ansiosos e um terceiro grupo, cuja depressão se traduz por comportamentos agressivos e de risco.